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A mulher samaritana

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Era-lhe necessário passar por Samaria. Assim, chegou a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José. Havia ali o poço de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se à beira do poço. Isto se deu por volta do meio-dia. Nisso veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: "Dê-me um pouco de água". (Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.) A mulher samaritana lhe perguntou: "Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber? " (Pois os judeus não se dão bem com os samaritanos.) Jesus lhe respondeu: "Se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você lhe teria pedido e ele lhe teria dado água viva". (João 4:4-10) 

 

Para entendermos essa passagem do Novo Testamento, temos de saber um pouco sobre a História de Israel. 

 Israel – Grande Nação 

Israel foi uma grande nação e, assim como outras, foi governada por alguns Reis. 

O Primeiro foi Saul, que reinou por 40 anos e morreu aos 70. 

Depois veio Davi, que reinou 40 anos e morreu aos 70. 

Em seguida, reinou Salomão por 40 anos e morreu aos 70. 

Coincidência, ou não, todos subiram ao trono aos 30 anos, tiveram o mesmo tempo de reinado e morreram com a mesma idade. 

Nesse período, Israel era uma grande Nação, de “primeiro mundo”, formada pelas 12 Tribos de Israel.

Mas, como dizem, tudo que é bom dura pouco. E assim foi. No ano de 931 a.C, com a morte de Salomão desencadeou-se uma crise política no País, que culminou com a sua divisão. Roboão, filho de Salomão, recusou-se a diminuir a alta carga tributária imposta por seu pai e, por isso, as tribos do Norte rebelaram-se e tornaram-se independentes. Assim, formou-se Israel do Norte com 10 tribos, cuja capital, posteriormente, passou a ser Samaria. 

As tribos de Judá e Benjamim ficaram ao Sul, formando o Reino de Judá, cuja capital era Jerusalém.

Casa dividida não prospera 

O Reino de Samaria, sob a liderança de reis idólatras, caiu no paganismo e desviou-se do caminho do Senhor. Quando veio o Juízo de Deus, aproximadamente 200 anos após a cisão, foi levada para o exílio. 

Judá continua só 

As duas tribos do Sul, Judá e Benjamim, ainda resistiu por mais uns 100 anos, mas teve o mesmo destino de seus irmãos do Norte. Foram para o exílio na Babilônia, debaixo do jugo dos caldeus. 

Mistura em Samaria 

O Reino da Assíria, que havia conquistado Samaria, tinha uma política diferente para enfraquecer os povos conquistados: a mistura. Trouxe outros povos para habitar em Samaria, de modo que se misturaram com os israelitas que ali estavam. 

Então, o que são samaritanos? 

Um povo misturado com outros povos de diversas nações. 

Que povos? 

O livro de 2 Reis, capítulo 17, do versículo 24 ao 33, narra a história do rei da Assíria, que trouxe cinco nações para habitar em Samaria. Cada uma dessas nações estrangeiras trouxeram seus deuses. Assim, Samaria ficou contaminada em sua adoração. Os Samaritanos, além de adorar ao Deus vivo, também adoravam os deuses dessas nações. 

As nações que o rei da Assíria trouxe para Samaria foram: 

    •Babilônia; 

    •Cuta; 

    •Ava; 

    •Hamate; 

    •Sefarvaim. 

Alguns comentaristas, chegam a sugerir que os 5 maridos da mulher samaritana representam os 5 povos descritos, ou seja, como se ela tivesse se envolvido intimamente com essas culturas ao conviver com cada marido. Tratava-se, então, de uma mulher extremamente idólatra e com costumes contaminados com o paganismo. Vale lembrar que ela se tornou uma mulher desprezada por todos. 

 Judeus 

Cumprido o exílio, as tribos de Judá e Benjamim voltaram para a Judéia, hoje palestina. Esses são os que chamamos de judeus, porque a tribo de Judá, que era a maior que existia, absorveu a tribo de Benjamim, que era a menor. Houve, então, uma fusão – judeus. Esses, eram os autênticos descendentes dos Patriarcas Abraão, Isac e Jacó. O maior orgulho dos judeus até hoje é serem chamados de filhos de Abraão, Pai de muitas nações, o amigo de Deus. 

Samaritanos 

Esses são bem diferentes dos judeus, pois perderam sua identidade e sua tradição israelita. Passaram a serem vistos como um povo impuro, misturado, não autêntico – apenas parecidos com o original. A pepsi-cola. 

Preconceito 

Perdurou até os dias de Jesus. Nessa época, Judá era um território e Samaria era outro, assim como a Galiléia, a Peréia... Eram tetrarquias, cada pedacinho tinha um governador. 

Para se ter uma ideia do tamanho do preconceito, os judeus para irem até a Galileia percorriam a rota do Jordão, ou seja, davam uma volta para não passarem por dentro de Samaria. Andavam mais, mas era o jeito que tinham de não atravessar Samaria. Eles nem mesmo queriam encontrar com samaritanos. 

Vamos ao texto:

Esse é o maior diálogo registrado na Bíblia. 

V.4 - Era necessário passar por SamariaHavia um propósito. Jesus não foi parar lá por acaso. O Espírito Santo o impeliu. Ele não se desviou como muitos faziam, mas passou propositadamente por Samaria. 

V. 5 - Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José. 

V. 6 - E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta. 

Jesus chegou à cidade de Sicar. Parou para descansar junto ao poço de Jacó. 

O Poço tinha 9 m de diâmetro e 30 m de profundidade. Em 1935, lavaram esse poço e verificaram que tem 42 m de profundidade, o equivalente a um prédio de 14 andares. 

Hora sexta (meio-dia)

A primeira é 7 da manhã, logo, a 6ª é meio-dia. 

Primeira Hora – 7 da manhã. 

Segunda Hora – 8 da manhã. 

Terceira Hora – 9 da manhã. 

Quarta Hora – 10 da manhã. 

Quinta Hora – 11 da manhã. 

Sexta Hora – 12 horas ou meio dia. 

Os judeus, ou melhor, as mulheres daquela época, costumavam buscar água no poço logo na primeira hora e não ao meio-dia. Mas, a samaritana da história bíblica não queria encontrar com as outras mulheres, devido a sua situação conjugal. Afinal, ela havia se envolvido com 5 homens e já estava no seu sexto relacionamento. 

Certamente, ela tinha consciência de que ninguém a via com bons olhos, que ninguém a aceitava ou respeitava naquela condição. 

Aqui começa o diálogo: 

V. 7 - Veio uma mulher de Samaria tirar água. 

Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.Jesus pediu água para a mulher samaritana. Estava sozinho, pois os discípulos tinham ido à cidade comprar comida, pois era hora do almoço. 

V. 8 - Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos). 

De fato, os judeus não falavam com samaritanos, que eram considerados raça impura, excluídos e gentios. Mas, Jesus não tinha preconceitos. Ele sempre se aproximava de pessoas excluídas pela sociedade, pessoas marginalizadas, malvistas – publicanos, meretrizes, pecadores, endemoninhados, cegos, coxos... Jesus nunca fez acepção de pessoas. 

Com a mulher samaritana Ele se colocou na posição de necessitado, a fim de conquistar, talvez, sua confiança. Disse: “DÁ-ME DE BEBER”

Ela estranhou – Você? Falando comigo? Ela tinha consciência da sua situação que além de ser mulher, ainda era samaritana, sem descendente importante, desprovida de linhagem real e com péssima reputação. 

Jesus, não só falou, mas pediu água não tendo uma vasilha própria. Por certo, ela conhecia a tradição dos judeus. Eles não tomavam emprestado nenhuma vasilha, para evitar contaminação. 

v. 10 - Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. 

Se você soubesse quem é que está aqui falando com você... pedindo água desse poço... Você é quem iria me pedir água viva. 

v. 11 – Disse-lhe a mulher: Senhor tu não tens com que tirar e o poço é fundo: onde pois tem água viva?

 A mulher, cujo nome nem foi declarado, mostrou-se muito interessada nessa água viva. Afinal, ela certamente, odiava ter de sair da sua casa para ir buscar água, uma vez que tinha de fazer isso na hora mais quente do dia, para evitar o encontro com as demais mulheres que buscavam água pela manhã e ali se encontravam e conversavam. 

ÁGUA VIVA – potável, direto da fonte, sem impureza e que não cessa de jorrar. 

v.12 – És Tu maior do que Jacó, nosso pai, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele e os seus filhos e o seu gado? 

Notem que ela conhecia bem a história dos seus antepassados. Ela se considerava parte do povo judeu. Mas, o problema é que os judeus não a consideravam. Chamou Jacó de “nosso Pai”. Estava iludida, pois os judeus haviam excluído os samaritanos de todo e qualquer relacionamento. 

v.13 – Afirmou Jesus: Quem beber desta água, tornará a ter sede 

 v.14 – “Aquele porém que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede; para sempre. Pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” 

 v.15 – Disse-lhe a mulher: Senhor dá-me dessa água para que eu não tenha mais sede, nem precise vir aqui buscá-la. 

Aqui está a chave desta passagem. Ela não queria, de jeito nenhum, continuar buscando água naquele poço. Pela manhã, seria julgada e recriminada. Meio-dia era quente demais. Sua situação era bem desfavorável. Por isso, alguns comentaristas dizem que ela era uma mulher de “vida fácil”. Era assim que era vista por todos. 

Notem que ela se importava com o que diziam dela, tanto que não queria ver ninguém. Sentia vergonha de estar naquela situação, abandonada por 5 maridos. Naquela época, por qualquer motivo os homens se divorciavam de suas mulheres, ou seja, elas podiam ser dispensadas por qualquer razão, até mesmo por queimar a comida no fundo da panela, segundo alguns comentaristas. Ou seja, qualquer desagrado, inclusive a idade, poderia se tornar motivo para que o marido abandonasse sua mulher, dando-lhe carta de divórcio. Naquele tempo, uma mulher aproximadamente 30 anos já era considerada velha. 

v.16 – Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido e vem cá. 

v.17 – A mulher respondeu: Não tenho marido. Disse Jesus: Disseste bem não tenho marido. Tiveste cinco maridos e o que agora tens não é teu marido. Isto disseste com verdade. 

Embora o simples fato daquela mulher ter tido vários maridos não significa, por si só, que ela era uma pecadora. Em antigas sociedades Israelitas as mulheres não pediam divórcio, mas podiam ser abandonadas ou fiarem viúvas. Os cinco maridos anteriores poderiam ter morrido doentes, assassinados ou se divorciado dela por causa de infertilidade, por exemplo. E como as mulheres dependiam de seus maridos para sobreviverem, muitas delas precisavam de encontrar outro homem para sustenta-las. 

Seja como for, cada separação certamente a deixava arrasada. A título de curiosidade, o livro de Tobias (século II A.C.) fala de uma mulher Judia, chamada Sara, que teve sete maridos, todos mortos no dia do seu casamento, algo que parecia proceder de uma ação demoníaca. Por essa razão, ela passou a ser desprezada pela comunidade e considerada amaldiçoada e culpada pela morte de seus maridos. Deprimida, com desejo de suicídio, Sara orou a Deus para acabar com sua vergonha, insistindo em sua pureza até o fim. (Tobias 3:7-17). As pessoas eram duras para com Sara e, sem dúvida, a posição social da mulher Samaritana trouxe a ela grande angústia também (Trecho retirado de Blog de Estudos Judaicos). 

Não podemos descartar a hipótese de que algo semelhante tivesse acontecido com a mulher samaritana. O fato é que só sabemos que ela estava no sexto relacionamento e que, pelo jeito, tinha muita vergonha da sua situação. 

De qualquer forma, ela reconheceu que Jesus era um Profeta (“Vejo que és profeta”) e aceitou a sua palavra. Viu que Ele era diferente dos outros, porque não agiu com desprezo, arrogância, soberba ou prepotência em relação a ela. Ao contrário, a tratou com respeito, dignidade e amor. 

Verdadeiros adoradores 

Avançando no diálogo, eles discutem sobre a adoração. Ela indaga de Jesus onde seria o lugar apropriado para adoração. Seria naquele monte, o Gerizim, que ficava em Sicar e era considerado o Monte da Benção? Ou seria em Jerusalém, onde ficava o Templo de Herodes, onde os Judeus cumpriam seus rituais? 

Jesus respondeu que o mais importante ela adorar em espírito e em verdade, pois é isso o que Deus espera de seus adoradores. 

 CONCLUSÃO 

Esse diálogo de Jesus com essa mulher é, de fato, muito interessante e rico em detalhes. Temos uma personagem de vários relacionamentos, que estava na sexta tentativa de solucionar sua necessidade. Até encontrar Jesus, só tinha experimentado desilusões. Aparentemente, sua situação estava cada vez pior. Seu sexto relacionamento era com um homem que nem mesmo era seu marido, ou seja, estava convivendo com alguém que, provavelmente, não a quis assumir formalmente. 

O outro personagem é o Senhor Jesus que saiu de onde estava para ir ao seu encontro em Sicar, não se importando com as barreiras sociais, físicas ou religiosas. Jesus estava ali para levar vida e salvação àquela mulher, deixando bem claro que Ele poderia dar para ela uma água que mataria a sua sede, eliminando suas angústias e aflições momentâneas e, muito mais que isso, poderia dar a ela uma esperança de vida eterna com Deus. A água que Jesus oferece vai muito além dos nossos próprios anseios. Excede nossas limitações e transforma-nos em multiplicadores da bênção que recebemos.

Agora, a desprezada samaritana tinha algo que interessaria a toda a humanidade. Ela tinha a água viva, e em quantidade suficiente para compartilhar com todo o mundo. 

 "Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva"(Jo 7:38) 

Mais adiante, vemos que essa mulher, que recebeu a Palavra do Senhor, não ficou imóvel, mas desceu para a cidade e ali foi anunciar que havia encontrado o Messias. 

Sua situação mudou muito depois daquele encontro no Poço de Jacó. Chegou ali com sede e se tornou aquela que iria matar a sede de muitos. 

Glória à Deus!

Em 24 de fevereiro de 2017 

Por Roseli Pereira

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