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Amor, ódio e indiferença

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"Ouvistes o que foi dito!" 

De onde vem o ódio e a indiferença? Ódio é sentimento e indiferença é atitude que, em muitos casos, dele é decorrente. Seja como for, uma coisa é certa: ambos só surgem em circunstâncias e ambientes que lhes são favoráveis.

Do mesmo modo que as trevas não conseguem subsistir à luz, o ódio não pode subsistir ao amor. Daí temos que o ódio só pode brotar se houver lacunas de amor em nossas vidas. Assim, qualquer porção de ódio significa ausência de amor em alguma medida. A indiferença, por sua vez, nada mais é que uma das maneiras em que o ódio se manifesta, mas sutilmente. Por isso, é igualmente incompatível com o amor. Onde um está presente, o outro não pode estar.

 Certa vez, Jesus foi indagado sobre o que alguém deveria fazer para que as portas da vida eterna se lhe abrissem. A resposta de Jesus recaiu sobre o amor em seus dois indispensáveis exercícios: amor a Deus e amor ao próximo. Mas, o questionador, pretendendo limitar o amor aos círculos de amigos ou integrantes de grupos de mesmos costumes, crenças, pensamentos, famílias ou nações, pediu uma definição mais precisa por parte de Jesus, o qual lhe deu o seguinte ensinamento: 

"29 Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo? "30 Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. "31 Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. "32 Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo. "33 Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. "34 E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. "35 No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar. "36 Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? "37 Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo. " (Lucas 10:29-37) 

Se observarmos bem o exemplo dado por Jesus, perceberemos que devemos amar incondicionalmente. O amor ágape, além de não ser uma troca, não é um sentimento apenas, mas uma negação de si mesmo, uma atitude. Não deve ser dirigido apenas àqueles que nos fazem bem ou àqueles que podem devolver um favor e nos retribuir. Também, não deve ser oferecido apenas aos integrantes dos nossos círculos de interesses e preferências. 

O samaritano não era da mesma linhagem dos judeus e não praticava a mesma liturgia religiosa. Em sinal de desprezo, o judeu sequer passava pelas terras dos samaritanos quanto tinha que descer da Galileia para a Judéia. De preferência, o judeu queria distância dos samaritanos, pois eles eram apenas um problema encravado na terra deles. Se os samaritanos morressem, isso seria um alívio para os judeus. 

Curiosamente, foi exatamente essa configuração que Jesus escolheu para nos mostrar que onde há o amor não pode haver ódio e, consequentemente, desprezo. Se por um lado, o sacerdote e o levita, mesmo sendo judeus, desprezaram seu irmão necessitado de socorro, assim não foi com o samaritano. Aquela seria uma excelente oportunidade para o samaritano exercer vingança e, simplesmente, desprezar o judeu deixando-o morrer. Mas, ele não fez assim. No lugar do desprezo, como expressão de ódio, preferiu socorrer, como expressão de amor e misericórdia. 

Então, pelo exemplo dado por Jesus, quem é o próximo? 

Ao que podemos perceber, do ponto de vista de quem pode ajudar, o próximo é qualquer um que precise de sua ajuda e esteja ao alcance de sua misericórdia. E, do ponto de vista de quem precisa de ajuda, o próximo é aquele que está perto, estende a mão e age com misericórdia. 

Assim, Jesus afastou definitivamente a ideia de que só devemos amar (agir em favor de) quem nos faça bem, quem pense como nós, quem está perto de nós, quem frequente a mesma igreja que nós, quem faça parte do nosso círculo de amigos ou quem tenha tudo em comum conosco. 

A partir dessa passagem bíblica do “bom samaritano” podemos aprender, também, um pouco sobre a vida eterna e concluir que quem pretende “entrar na vida” não tem escolha: sua obrigação é amar. Não se trata de uma opção. Jesus não nos dá o direito de escolher amar apenas aqueles a quem queremos bem ou a quem não nos faz mal. Amar é a única opção para quem almeja edificar sua casa sobre a rocha, praticando o que Jesus ensinou. Até mesmo aqueles que não gostam de nós devem ser objeto de nosso amor: 

"35 Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus." (Lucas 6:35) 

Mas, como sentir amor por alguém que odiamos? De fato é impossível sentir as duas coisas ao mesmo tempo, até porque um sentimento exclui o outro. A resposta, então, só pode estar na própria definição do amor ágape. Como já foi afirmado, este amor não é sentimento, mas atitude. Independe de como nós nos sentimos. É uma questão de decisão. Simplesmente decidimos fazer o bem, mesmo a quem nos faz mal. Com nossas atitudes demonstramos nosso amor e com nossos sentimentos demonstramos nossas afeições e preferências. 

"43 Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. "44 Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; "45 para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. "46 Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?" (Mateus 5:43-46) 

Assim, se somos discípulos de Jesus, não nos resta outra escolha, devemos amar. E, se amamos como se deve amar, não haverá espaço algum para o ódio e nem para o desprezo que pode advir dele. 

Em, 11 de maio de 2013.

Pastor Sólon Lopes Pereira  

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