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Aparência do Mal

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Quando me converti, contaram-me que um servo de Deus deveria evitar a aparência do mal. O exemplo a mim dado foi de um homem que tinha no bolso algum objeto que parecia ser uma carteira de cigarros, mas não era. Nesse caso, pouco importava o que estava naquele bolso. Seja lá o que fosse, se parecia ser algo mau, era mau. Em virtude disso, alguns cuidados deveríamos tomar, como, por exemplo, não dar carona em nosso carro às irmãs que estivessem a pé no retorno para casa. Eu sempre compreendi essa preocupação da minha liderança, embora nunca tivesse examinado bem o texto que utilizavam para fundamentar essa questão.Quando eu decidi que teria de confirmar se os ensinos que eu estava recebendo estavam coerentes com as escrituras sagradas, acabei descobrindo que, embora as intenções da minha liderança fossem as melhores, os fundamentos que eles utilizavam estavam equivocados.E é sobre isso que vamos falar agora.

Jesus e a aparência do mal 

Quando estudamos a vida de Jesus, nosso mestre, percebemos que ele provocou alguns escândalos na sociedade religiosa farisaica daquela época. O que o mestre está fazendo na casa de publicanos e de pecadores? Isso não “pega muito mal”? Jesus não deveria estar ali! O que vão pensar os homens? Estaria Jesus se associando com pessoas imundas, pecadoras, de uma moral questionável e de péssimo conceito entre os judeus? Qual foi, então, a resposta de Jesus a esses questionamentos? 

“16 Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come [e bebe] ele com os publicanos e pecadores? 17 Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.” (Marcos 2:16-17 RA) 

De fato, Jesus voltou-se para os necessitados que procuravam sua ajuda, mesmo que isso ocorresse no sábado, o que era algo mau aos olhos dos religiosos de seu tempo. Muitas pessoas foram curadas no sábado e, pelo que podemos notar, nem Jesus e nem os discípulos se importavam com o que pensavam os fariseus. Não se importavam se aquilo tinha a aparência de algo mau, contrário à lei ou à tradição judaica.Outro fato interessante foi Jesus ficar a sós com uma mulher samaritana no poço de Jacó. Especialmente quando sabia que a reputação dela não era boa, devido à quantidade de maridos que já havia tido. 

16 Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido e vem cá. 17 Respondeu a mulher: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; 18 porque cinco maridos tiveste, e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade. (...) E nisto vieram os seus discípulos, e se admiravam de que estivesse falando com uma mulher; todavia nenhum lhe perguntou: Que é que procuras? ou: Por que falas com ela? (João 4:16-18; 27) 

Enfim, Jesus não se importava se o que ele fazia parecia mal aos olhos dos outros quando curava no sábado ou quando se assentava com publicanos e pecadores, ou mesmo quando esteve acompanhado de uma mulher samaritana cuja reputação não era boa entre os judeus.A aparência do malQuando falamos em “aparência do mal” logo vem à nossa mente o versículo de 1 Tessalonicenses 5:22. 

Mas, qual a melhor tradução desse versículo? Vejamos como o texto foi traduzido em algumas diferentes versões: 

“Abstende-vos de toda aparência do mal.” (1 Ts 5:22 RC) 

“abstende-vos de toda forma de mal.” (1 Ts 5:22 RA) 

“Afastem-se de toda forma de mal.” (1 Ts 5:22 NVI)

"evitem todo tipo de mal.” (1 Ts 5:22 NTLH) 

“Evitem qualquer espécie de mal.” (1 Ts 5:22 IBS) 

“Keep from every form of evil.” (1 Thessalonians 5:22 BBE) 

Importante notar que apenas a versão Almeida, Revista e Corrigida traduz o versículo como “aparência”. As demais indicam que o que deve ser abandonado é o próprio mal em si e não a sua aparência.É bom lembrar que a versão Revista e Corrigida de Almeida, devido à época de sua tradução e ao português que se falava naquele tempo (1681), sofreu muito com a dinâmica da linguagem, distanciando-se do fiel e exato sentido da palavra, porque o português sofreu muitas modificações desde que essa versão surgiu. O português falado em 1681 hoje pode ser considerado arcaico, com significativas perdas de sentido em algumas palavras. O termo “aparência”, por exemplo, usado na versão corrigida de Almeida não permaneceu em outras traduções, a exemplo da NVI e da IBS, as quais traduziram a mesma palavra como “toda forma” e “qualquer espécie” de mal. 

Também, é importante observar que a carta de Paulo aos Tessalonicenses foi escrita em grego. Logo, é possível atestar o sentido original do texto, dando a ele a correta interpretação em nosso vocabulário moderno. No presente caso, Paulo usou a palavra “eidos”, que é mais precisamente traduzida como “formato” ou “forma/modo” e isso muda todo o sentido do texto em exame. É claro que não devemos desconsiderar a importância de verificarmos se essa tradução estaria sintonizada com o contexto. E, buscando a contextualização, notamos que até mesmo nas atitudes de Jesus a preocupação não era com a aparência, mas com o conteúdo, conforme vimos anteriormente. 

Conclusão

Embora saibamos que nosso testemunho é importante, não podemos deixar de considerar que aspectos exteriores não podem ter valoração superior aos aspectos interiores: 

“10 Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. 11 E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos os homens e somos cabalmente conhecidos por Deus; e espero que também a vossa consciência nos reconheça. 12 Não nos recomendamos novamente a vós outros; pelo contrário, damo-vos ensejo de vos gloriardes por nossa causa, para que tenhais o que responder aos que se gloriam na aparência e não no coração.” (2 Coríntios 5:10-12 RA)

Portanto, embora devamos nos preocupar com todos os aspectos de nossas vidas que possam causar escândalo, devemos nos lembrar que o que Deus condena, sem dúvida, é o próprio mal.

Em 29 de julho de 2015. 

Pastor Sólon Pereira 

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