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Deus não usa pessoas em cativeiro

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Há alguns anos vivia em uma outra denominação cristã. Hoje, olhando para o que vivia no passado, considero que a velha liturgia me prendia e me tolhia. O formato do culto não podia ser alterado sob qualquer hipótese. Apenas a alta liderança da igreja poderia fazer o que quisesse. Vindo deles, qualquer novidade era uma bênção. Vindo de baixo, tudo era desobediência, passível de punição, às vezes pública. Creio que a simples expectativa de punição gerava angústia e medo na membresia. Ante isso, ninguém ousaria fazer coisas simples como levantar as mãos aos céus em um culto, ou mesmo colocar-se de joelhos se sentisse vontade. Palmas! Nem pensar! Isso é coisa de movimento!

Nesse contexto, cercado de proibições de coisas que, a meu ver, Deus não proíbe, eu consentia com tudo e até admirava tal comportamento, pois a obediência (às normas da igreja, sutilmente confundida com a obediência a Deus) era a primeira lição recebida no primeiro seminário que um novo convertido podia fazer, desde que já previamente preparado para receber esse ensino. 

Sempre tive desejo de cursar teologia, mas isso, na prática, era proibido. Ou seja, embora ninguém dissesse que era proibido, os ensinos da igreja deixavam bastante claro que isso era um simples estudo da letra, e “a letra mata”. Uma vez que isso era dispensável, já que Deus revelava todos os seus mistérios na igreja onde eu estava, insistir em cursar teologia seria uma afronta de minha parte e me custaria as atividades que eu realizava na igreja. 

Ir a outra denominação religiosa era impensável, pois isso seria conivência com “movimentos religiosos” dirigidos por homens carnais. Tudo aquilo que não viesse da liderança da igreja era tido como “religião” e que todas elas acabariam no misticismo e na morte. Contato com crentes de outras denominações era contaminação e, por isso, deveria ser evitada. Contato com ex-membros da igreja era proibido, pois eram pessoas caídas e perigosas, que poderiam trazer alguma contaminação ou maldição. Se o ex-membro fosse um membro da família, ainda assim o contato deveria ser evitado. A aproximação a um ex-membro só era admitida se o ex-membro estivesse arrependido e quisesse, humildemente, voltar e declarar o quanto foi louco em sair da igreja. 

 A leitura de livros era desaconselhada. Mas, mesmo sabendo que um pastor, como eu era, não seria bem visto se devorasse a literatura evangélica, comecei a ler. Logo de início, li o livro Heróis da Fé, de Orlando Boyer, e fiquei impressionado com a ousadia e coragem com que alguns servos de Deus enfrentaram as trevas e a influência da religião instituída para, com poder, ganhar inúmeras almas para o reino de Deus. 

Com base nesse conhecimento inicial, procurei ler o que esses “Heróis da Fé” deixaram de herança escrita. Descobri que muitos deles escreveram enciclopédias inteiras, como é o caso de Dwight L. Moody, Finney e outros. 

O caminho foi solitário e árduo, pois ainda que eu lesse alguns livros não tinha com quem conversar a respeito, pois isso seria mal visto. Ademais, se eu questionasse algo, me repreenderiam com os clássicos “não toqueis nos meu ungidos”, ou com o “não julgueis para que não sejais julgados”, “obedecer é melhor que sacrificar” etc. Somente hoje, depois de três anos afastado daquela primeira influência, compreendo que esses versículos eram usados fora do contexto bíblico, e só serviam para atemorizar e desestimular qualquer tipo de questionamento, impedindo totalmente que alguém conseguisse discutir uma prática ou doutrina da igreja. Desse modo, eu tinha dificuldades para compreender que havia salvação em outro lugar que não fosse aquele que eu estava. Isso, até que li o livro de Dwight L. Moody, “O Poder Secreto” (CPAD, 2ª Edição, 1998, pp. 38/40). Uma luz brilhou no fim do túnel. Em princípio, não conseguia entender coisas que hoje percebo que são óbvias, mas minha percepção estava embotada. Eu estava muito insensível ao Espírito de Deus. Ainda era muito arrogante e achava que sabia tudo, mas acabei dando crédito a Moody, já que conheci sua história e percebi que ele era uma árvore com muitos frutos. Eu me perguntava: “o que Deus viu naquele homem para ele ser usado com tanto poder e graça? Por que não vejo essas coisas acontecendo hoje na minha vida e na minha igreja?” As respostas não vinham imediatamente, mas eu notava que quase tudo que lia contrariava o que eu tinha aprendido como verdades inquestionáveis. 

O texto que vou reproduzir, a seguir, muito me chamou a atenção. Cheguei a grifar algumas passagens, mas mesmo assim não conseguia enxergar o óbvio. Hoje, sei do que Moody falava, há quase 150. É incrível como as coisas se repetem apesar do transcorrer de séculos!Sei que alguns leitores de mesma origem que eu já devem estar irritados com minhas palavras, mas vale a pena ler o texto que segue, pois não foi eu quem escrevi, mas um servo de Deus com frutos infinitamente maiores que os meus: 

A última coisa que encontramos em muitas igrejas é a liberdade. 

“A dádiva seguinte que o Espírito de Deus nos dá é a liberdade. Em primeiro lugar, Ele nos dá amor, para em seguida nos inspirar esperança e, então, nos dar liberdade. Atualmente, esta é a última virtude que encontramos em níveis suficientes em nossas igrejas. Lamento dizer que num bom número delas terá de haver um funeral antes que possam começar a trabalhar. Precisamos enterrar bem fundo o formalismo para que ele nunca mais ressurja. A última coisa que encontramos em muitas igrejas é a liberdade. 

É trabalho pesado pregar para críticos de mente carnal... 

Se acontece de o Evangelho ser pregado, as pessoas criticam, como fariam se se tratasse de um desempenho teatral. Sempre acontece exatamente a mesma coisa, e a maioria dos professos cristãos nunca pensa em ouvir o que o homem de Deus tem a dizer. É trabalho pesado pregar para críticos de mente carnal, mas ‘onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade’ (2 Co 3:17). 

Muito freqüentemente, uma mulher ouve uma centena de palavras boas em um sermão, podendo ser que um único detalhe tenha lhe chamado a atenção negativamente, como se houvesse algo um pouco fora de lugar. Então ela vai para casa, senta-se à mesa e fala abertamente diante dos filhos , ampliando aquele único pormenor errado sem dizer uma palavra sequer acerca daquela centena de palavras boas que foram ditas. É desse modo que se comportam as pessoas que fazem críticas. 

Deus não usa pessoas em cativeiro... 

Deus não usa pessoas em cativeiro. Muitos estão na condição de Lázaro quando saiu do sepulcro, de mãos e pés atados. A bandagem ainda não havia sido retirada de sua boca, e por isso não podia falar. A vida nele estava, e teria sido uma declaração falsa dizer que Lázaro estava morto, porque ele acabara de ser ressuscitado dos mortos. Há um grande número de pessoas que, no momento em que falamos com eles e insinuamos que não estão fazendo o que deveriam, respondem: ‘Eu tenho vida; sou crente’. Isso não pode ser negado, mas tais pessoas estão de mãos e pés amarrados. 

Que Deus rompa essas algemas e liberte seus filhos, de modo que sejam verdadeiramente livres! Creio que Ele vem nos libertar, porque é seu desejo que trabalhemos para Ele e dEele falemos. Quantas pessoas gostariam de se levantar em uma reunião de oração para dizer algumas palavras por Jesus, mas há na igreja um espírito de censura tão isento de sensibilidade que ninguém ousa se manifestar. Não há liberdade para fazê-lo. Se se levantam, estão tão aterrorizados por esses críticos que começam a tremer e se sentam. Não conseguem dizer nada. Como tudo isso é errado! 

Onde quer que você veja a obra do Senhor em franco progresso, verá esse Espírito de liberdade.... 

O Espírito de Deus vem simplesmente para dar liberdade. Onde quer que você veja a obra do Senhor em franco progresso, verá esse Espírito de liberdade. As pessoas não terão medo de falar umas com as outras. Quando o culto termina, ninguém se levanta apressado, chapéu na mão, como quem quer ser o primeiro a sair da igreja, mas todos ficam a se cumprimentar, havendo, então, liberdade. Um grande número de crentes vai aos cultos de oração apenas por mero e frio senso de dever. Pensam: tenho de ir, porque sinto que é meu dever. Não consideram um glorioso privilégio reunir-se para orar, ser fortalecido e ajudar alguém nessa jornada no deserto. 

O que precisamos hoje é ter amor em nossos corações. Será que não queremos? Não desejamos ter esperança em nossas vidas? Não ansiamos ser cheios de esperança? Não nos interessa a liberdade? Contudo, tudo isso é obra do Espírito de Deus. Oremos a Deus diariamente para que nos dê amor, esperança e liberdade. 

Lemos em Hebreus 10:19: ‘Tendo, pois, irmãos, liberdade para entrar no Santuário’. Podemos entrar no Santuário com plena liberdade de acesso para suplicar por esse amor, liberdade e gloriosa esperança. Não descansemos até que Deus nos dê poder para fazermos a sua obra. 

...preferiria morrer a viver como uma vez vivi, como um mero crente nominal... 

Se é que hoje conheço meu coração, preferiria morrer a viver como uma vez vivi, como um mero crente nominal, sem qualquer utilidade para Deus no estabelecimento do seu Reino. Parece-me ser uma vida pobre e vazia para ser vivida só para si mesmo. 

Busquemos ser úteis na seara do Senhor. Procuremos ser vasos adequados para o uso do Mestre, a fim de que Deus Espírito Santo possa brilhar plenamente através de nós.” 

"Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (João 8:36 RA) 

Se queremos ser libertos, temos que lançar fora toda arrogância, soberba e vaidade. Não podemos agir como os fariseus que “tudo sabiam”, mas negavam a palavra do Senhor Jesus e, quando pressionados pela palavra de Jesus, alegaram que não eram e nunca tinham sido escravos, desconsiderando, inclusive, o poderio romano sobre eles. 

Disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: “Se vocês permanecerem firmes na minha palavra,e verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”. Eles lhe responderam: “Somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como você pode dizer que seremos livres?” 34 Jesus respondeu: “Digo-lhes a verdade: Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado. O escravo não tem lugar permanente na família, mas o filho pertence a ela para sempre. Portanto, se o Filho os libertar vocês de fato serão livres. (Jo 8:31-33 NVI)

Não se apresse em dizer que é livre se, de fato, você não é. Faça uma reflexão, com sinceridade diante de Deus e, se você chegar à conclusão de que está preso, já deu o primeiro passo para sua libertação. 

Em 30 de agosto de 2008. 

Pastor Sólon Pereira

Referência bibliográfica: 

O Poder Secreto, de Dwight L. Moody (CPAD, 2ª Edição, 1998, pp. 38/40)

 

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