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Músicas e ritmos evangélcos

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Texto baseado no livro: “Uma igreja com propósito”, de Rick Warren.

Quando o assunto é louvor a Deus, todos já temos um conceito pré-concebido do que é bom ou ruim. Essa nossa percepção decorre da nossa bagagem cultural. No Brasil, que tem uma grande extensão territorial, podemos notar a variedade de ritmos e que o ritmo que agrada o baiano não é o que mais agrada o gaúcho ou o mineiro etc. A depender da região, o gosto se altera. Nossas raízes culturais determinarão o nosso gosto musical.

 

Por essa razão, devemos compreender que o ritmo do louvor sofre a mesma influência cultural. Não é razoável dizer que o louvor espiritual é somente aquele oriundo da Europa de 200 anos atrás, ou aquele com ritmos derivados dos louvores de 40 anos atrás. Não existe nenhuma base bíblica para esse ponto de vista. 

Deus não criou um ritmo sagrado, mas criou as notas musicais. O que faz uma música sagrada é a sua mensagem. A música não é nada mais do que um arranjo de notas musicais e ritmos. Quem criou as notas musicais foi Deus e não Satanás. Não é porque Satanás usa a bíblia para fundamentar a fé de muitas das seitas atualmente existentes é que vou ter que abandonar os textos que ele (Satanás) usa. São as palavras que fazem uma música espiritual. Não existe música cristã, mas, sim, letras cristãs. Se fosse tocada uma música sem palavras, nós não saberíamos se é cristã ou não. Há muitas músicas clássicas famosas que são de autoria de servos do Senhor. Também, há músicas clássicas compostas por pessoas usadíssimas por Satanás. Se colocarmos duas dessas músicas clássicas para tocar e não dissermos quem compôs cada uma delas, como poderíamos saber qual delas é a música que um ou outro compôs, se o ritmo usado nas duas é semelhante? 

Segue, um trecho do livro “Uma Igreja com Propósitos”, de Rick Warren, para nossa reflexão: 

“A mensagem sagrada de uma música pode ser comunicada em uma grande variedade de estilos musicais. Por dois mil anos, o Espírito tem usado todos os tipos de músicas para dar glória a Deus. É necessário todo o tipo de igrejas, usando todos os tipos de estilos musicais, para alcançar todos os tipos de pessoas. Insistir que um estilo de música em particular é sagrado é idolatria. 

Esse mesmo autor, também disse o seguinte: “Divirto-me toda vez que escuto um crente que resiste à música contemporânea dizer: ‘Precisamos voltar às raízes musicais’. Fico me perguntando quanto tempo para trás ele quer ir. Voltar para o canto gregoriano? Voltar para as melodias da igreja de Jerusalém? Normalmente eles só querem voltar 50 ou 100 anos”. 

Algumas pessoas afirmam que os "hinos" mencionados em Colossenses 3:16 se referem ao mesmo tipo de música que hoje chamamos de hinos. A verdade é que não sabemos como soavam os hinos deles. Temos conhecimento que as igrejas do Novo Testamento usavam o estilo de música que combinava com os instrumentos e a cultura daqueles dias. Uma Vez que eles, obviamente, não tinham pianos ou órgãos para acompanhá-Ios, a música da época não soava como a música de nossas igrejas. 

Lemos nos Salmos que na adoração bíblica usavam tambores, címbalos, trombetas, tamborins e instrumentos de corda. Isso me parece música contemporânea!” 

Opa! Alguém diria que címbalos e tamborins são instrumentos de samba? E que samba tem origem no paganismo? Melhor, então, é apagar esses textos da bíblia, da mesma forma que o texto bíblico que conclama os varões a orarem a Deus com mãos levantadas deve ser ocultado dos ensinos bíblicos, pois isso é “movimento” (1 Tm. 2:8). Agora, devemos admitir que se Miriã fosse membro de algumas igrejas ditas Evangélicas seria condenada (disciplinada ou mesmo expulsa) por ter levado muitas mulheres a cantarem e a dançarem ao som de um tamborins. Senão vejamos: 

(Êxodo 15:20) A profetisa Miriã, irmã de Arão, tomou um tamborim, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamborins e com danças. 

Seguramente, é melhor não afirmar que uma atitude é carnal ou não. Devemos deixar isso para Deus julgar, pois ele conhece o coração dos homens. Não devemos imitar o fariseu, que com uma mente carnal, escondida em roupas santas, palavreado rebuscado e profundos conhecimentos das escrituras, julgaram até mesmo o comportamento do filho de Deus, Jesus, como se fosse impuro. 

Ter uma vida com Deus é mais importante que simplesmente ter uma “religião” que esteja preocupada em condenar os outros, ao invés de amar. É bom lembrar que a soberba precede a ruína, segundo a palavra de Deus (Prov. 16:18). 

Também é muito interessante o que disse Rick Warren, na mesma obra já citada, acerca da história do louvor nas igrejas: 

“Por toda a história da igreja, os grandes teólogos têm colocado a verdade de Deus no estilo musical de seus dias. A música de "Castelo Forte", hino composto por Martinho Lutero, é emprestada de uma canção popular cantada nos bares de sua época (hoje, Lutero provavelmente estaria usando músicas de um karaokê). Charles Wesley usava as canções populares das tavernas e das casas de ópera da Inglaterra. John Calvino contratou dois músicos seculares para colocar sua teologia em música. A rainha da Inglaterra estava tão aborrecida com essas "canções vulgares" que se referia agressivamente a elas como as "cantarolas de Genebra" de Calvino! 

As canções que consideramos clássico-sagradas já foram criticadas, assim como a música cristã contemporânea. Quando ‘Noite Feliz’ foi publicada, George Weber, diretor musical da Catedral de Mainz, a chamou de vulgar, vazia de religiosidade e de sentimentos cristãos. Charles Spurgeon o grande pastor inglês e conhecido como o ‘príncipe dos pregadores’ detestava as canções contemporâneas de seus dias, as mesmas que hoje reverenciamos. 

Talvez o mais difícil de se acreditar é que o Messias de Handel foi amplamente condenado como um ‘teatro vulgar’ pelos religiosos de seus dias. Como o criticismo dos corais contemporâneos de hoje, a canção Messias foi rotulada como tendo muitas repetições e pouca mensagem. O Messias contém quase cem repetições da palavra ‘aleluia!’ 

Mesmo a consagrada tradição de cantar hinos, em outros tempos foi considerada ‘mundana’ em igrejas batistas. Benjamin Keach, um pastor batista do século 17, é visto como o introdutor de hinos nas igrejas batistas inglesas. Ele começou a ensinar as crianças a cantar o que gostavam. Os pais, por outro lado, não gostavam de cantar hinos. Estavam convencidos de que aquelas canções eram ‘estranhas à adoração evangélica’. 

Uma grande controvérsia aconteceu quando o pastor Keach tentou introduzir canções para toda a congregação em sua igreja, na cidade de Horsley Down. Em 1673, finalmente, ele conseguiu que concordassem em cantar um hino depois da Ceia do Senhor, usando um texto inspirado em Marcos 14:26. Ainda assim, Keach permitia que aqueles que se opunham saíssem antes do hino. Seis anos depois, em 1679, a igreja concordou em cantar um hino em "dias de ação de graças". 

Mais catorze anos se passaram antes de a igreja concordar que cantar hinos era apropriado para adoração. A controvérsia custou caro. Ela fez com que 22 membros da igreja de Benjamin Keach saíssem e se juntassem a uma ‘igreja não-cantante’. Mesmo assim, a moda de se cantar hinos pegou em outras igrejas e as ‘igrejas não-cantantes’ logo começaram a chamar somente pastores que gostavam de cantar. Como as coisas mudam! Você pode retardar o processo e perder com isso, mas você não pode pará-lo

A coisa mais impressionante para mim, nesse incidente com o pastor Keach, é a sua incrível paciência. Ele levou 22 anos para mudar o estilo de adoração de sua igreja. Em uma igreja normal, é mais fácil mudar a teologia do que a ordem do culto

Uma de nossas fraquezas, como evangélicos, é que não conhecemos a história da igreja. Por isso, começamos a confundir nossas tradições atuais com ortodoxia. Muitas ferramentas e métodos que usamos na igreja hoje, como: cantar hinos, utilizar pianos e órgãos, fazer apelos e mesmo a Escola Dominical, já foram considerados mundanos e até mesmo heréticos. Agora essas ferramentas são amplamente aceitas. 

Entretanto, temos uma nova lista negra. As objeções de hoje são contra itens como coreografias, sintetizadores, bateria, teatro na igreja, vídeo etc. 

O debate sobre qual estilo de música deve ser usado na adoração vai ser um dos maiores pontos de conflitos nas igrejas nos próximo anos. Toda igreja vai, mais cedo ou mais tarde, enfrentar este assunto. Esteja preparado para uma discórdia calorosa. James Dobson certa vez admitiu em seu programa Focus on the Family (Foco na família) o seguinte: "De todos os temas que já cobrimos em nosso programa de rádio, do aborto até a pornografia, o mais controverso foi quando falamos sobre música. Você pode fazer com que as pessoas se aborreçam quando discute o seu gosto musical mais do que qualquer outro assunto". O debate sobre os estilos de musica tem dividido e polarizado muitas igrejas. Acho que é por isso que Spurgeon chamava seu ministério de música como o “Departamento de Guerra”. 

Por que as pessoas levam tão a sério quando discordam sobre os estilos de louvor? Isso ocorre porque a maneira que você adora está intimamente ligada com a forma que Deus lhe fez. A adoração é a sua expressão pessoal do amor a Deus. Quando alguém critica a forma que você adora, isto naturalmente é encarado como uma ofensa pessoal.”

Queremos reforçar que o modo de adorar a Deus pode ser variado e a única pessoa que pode dizer se é bom ou ruim é Deus e ninguém mais. 

A nossa experiência é que adorar a Deus com as mãos levantadas (que para os tradicionais pode ser “movimento”) é simplesmente maravilhoso. Quando experimentamos isso nunca mais desejamos participar de um culto cuja liturgia exija que os braços fiquem cruzados. Veja-se que o que é sinônimo de “sabedoria” para uns, é escravidão para outros. Mas, quem deve julgar o que é certo ou errado é Deus e não nós. Se você ama a adoração sincera e com liberdade não deve se importar com as críticas dos crentes tradicionais. E, quanto aos tradicionais, devem adorar a Deus do modo que acham correto sem se voltar contra aqueles que adoram com mais liberdade. 

 Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. (2 Coríntios 3:17)

Em vez de olharmos para a forma de adoração do outro, devemos estar atentos aos frutos da nossa própria adoração: há curas? Há libertações? Há alegria do Espírito Santo? Há paz? Então, louvado seja o nome do Senhor!!! 

Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom ou a árvore má e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.  (Mateus 12:33) 

 Aleluia! Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento, obra do seu poder. 2 Louvai-o pelos seus poderosos feitos; louvai-o consoante a sua muita grandeza. 3 Louvai-o ao som da trombeta; louvai-o com saltério e com harpa. 4 Louvai-o com adufes e danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flautas. 5 Louvai-o com címbalos sonoros; louvai-o com címbalos retumbantes. 6 Todo ser que respira louve ao SENHOR. Aleluia! (Salmo 150:1-6)

Em, 11 de maio de 2006. 

Pastor Sólon Pereira.

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