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Separados pelo sectarismo?

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Segundo podemos observar na palavra de Deus, o povo judeu, após tomar a terra de Canaã não deveria absorver seus costumes pagãos, ou seja, suas práticas cultuais a outros deuses, bem como sua cultura, consideradas incompatíveis com o padrão de Deus para o homem. 
O Deus de Israel, o único e verdadeiro Senhor, estava se manifestando a um povo escolhido e separado, desde Abraão, para abençoar todas as famílias da terra.

 Com esse propósito, o Senhor mandou que Moisés transmitisse ao povo, ainda no deserto, a ordenança para que eles não fizessem segundo as obras dos antigos moradores de Canaã, para onde eles estavam sendo conduzidos (Lv. 18). 

 Disse mais o Senhor a Moisés: 2 Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Eu sou o Senhor, vosso Deus. 3 Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos. 4 Fareis segundo os meus juízos e os meus estatutos guardareis, para andardes neles. Eu sou o Senhor, vosso Deus. (Lv. 18:1-4)

É importante destacar que os costumes dos habitantes da terra de Canaã incluíam práticas contrárias à preservação da família, razão pela qual Deus as considerou abominações. Deus não queria que o povo, por meio do qual ele estaria abençoando todas as família da terra, admitisse a prática do adultério, do incesto, do sacrifício de crianças, de relações sexuais entre pais e filhos, de relações homossexuais e de outras perversões, que abrem portas à lascívia e à destruição das famílias (Lv. 18:6-30).

Especialmente por essa razão, os judeus não davam suas filhas em casamento a homens de outras nacionalidades, com o fim de preservar a cultura, o culto e os princípios de Deus para a família. O casamento de um judeu com uma pessoa de outra nacionalidade só era admitido se essa pessoa fosse um prosélito, ou seja, se ela adotasse a cultura, o culto e os princípios de Deus estabelecidos para o povo judeu. 

No novo testamento, a figura é semelhante quanto ao casamento dos cristãos. Paulo, com o mesmo propósito de preservação da família, em torno dos princípios cristãos, desaconselha um relacionamento entre um crente e um incrédulo, ou seja, de alguém que aceitou os princípios de Jesus para a sua vida com alguém que não os admite. A idéia é exatamente a mesma. Deus não quer que a família esteja unida em tudo, inclusive quanto aos princípios morais e espirituais estabelecidos por Ele, uma vez que esses princípios preservam a família e são benéficos para toda a sociedade. Paulo sabia que os costumes mundanos eram contrários aos cristãos, uma vez que tanto os romanos quanto os gregos admitiam relacionamentos prejudiciais à família, senão vejamos: 

 Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? 15 Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? 16 Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 17 Por isso, retirai-vos do meio deles separai-vos, diz o Senhor não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, 18 serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. (2 Cor. 6:14-18)

 Com base nesses ensinos bíblicos, o autêntico cristão que ainda não se casou procura um cônjuge que tenha os mesmos princípios bíblicos que os seus, pois o que une as pessoas em um relacionamento é o que elas têm em comum e não suas divergências. 

Infelizmente, esses ensinos por vezes são distorcidos no meio evangélico. Isso ocorre sempre quando há tendência ao isolamento de igrejas que não compartilham da perfeita compreensão do corpo de Cristo. Neste caso, a preocupação não é a mesma posta por Deus, a da preservação da família. O interesse passa a ser a preservação da doutrina sectária. Algumas igrejas chegam ao ponto de criar obstáculo ao casamento de um jovem com membro de outra denominação cristã, ainda que se trate de evangélicos com linhas doutrinárias semelhantes. 

Na verdade, Deus nunca aprovou a divisão de irmãos, independentemente de quantas denominações possam haver. Não é nada compreensível, sob a ótica do evangelho do Senhor Jesus, que uma igreja cristã se sinta a dona da verdade, a única detentora da revelação de Deus, ou a única que compreende adequadamente a vontade de Deus para a humanidade, a ponto de adotar uma postura arrogante e soberba diante das demais, isolando-se e isolando seus membros, sob o argumento de que está evitando a contaminação. Contaminação só há quando o puro se mistura com o impuro. As divergências entre evangélicos podem até existir quanto à forma de culto ou outros aspectos procedimentais, mas jamais haverá divergências do ponto de vista do caminho da salvação e da paz com Deus. Se uma igreja, dita evangélica, não se alinha, quanto ao mérito da salvação, com as demais igrejas evangélicas, deve-se suspeitar que não se trate de uma igreja evangélica. 

Como povo de Deus, queremos a divisão ou a união? Qual será a justificativa, diante de Deus, para que uma igreja evangélica crie obstáculos ao relacionamento entre jovens com os mesmos princípios bíblicos e com a mesma profissão de fé? 

Infelizmente, há denominações que punem seus membros se eles se relacionarem ou se casarem com membros de outras igrejas. Como se faz isso? Nunca explicitamente. O desestímulo está dentro do seguinte contexto: 

a) fixa-se na mente do fiel que a igreja que ele freqüenta é a única que agrada plenamente a Deus, a única detentora da pura revelação de Deus e a única que compreende adequadamente a vontade de Deus para a humanidade; 

b) incute-se na mente dos fiéis que as demais igrejas possuem práticas que são consideradas abominações a Deus e que estão perdidas, desorientadas e rumando para o misticismo e para a morte, uma vez que não possuem o entendimento, a sabedoria, o zelo e a direção de Deus que eles têm; 

c) utiliza-se os ensinos que mostram que Deus deseja manter separado um povo puro e santo, que não deve se misturar nem se contaminar com outros povos que não sigam as leis de Deus; 

d) compara-se os membros das demais igrejas com os povos que possuem práticas abomináveis a Deus, uma vez que possuem cultos diferentes dos seus e entendimentos diversos sobre a bíblia, que não conferem com as revelações particulares e exclusivas de Deus para eles; 

e) os jovens são ministrados sobre o exemplo do casamento de Isaque com Rebeca, ou seja, devem aguardar uma revelação ou um sinal de Deus que os dirigirá, seguramente, a se casarem com alguém do seu próprio povo. Com certeza, Deus jamais revelará que o futuro cônjuge do jovem seja alguém que não seja membro daquela igreja. Qualquer revelação neste sentido será discernida como algo que não vem de Deus; 

f) se o jovem iniciar um namoro com um membro de outra igreja será afastado de suas funções na igreja. Tal disciplina serve para pressioná-lo a desistir desse relacionamento, além de servir como exemplo aos demais jovens, que saberão as conseqüências desse tipo de relacionamento misto; 

g) ainda como forma de dar um recado indireto aos jovens, a igreja não realiza casamentos entre membros da igreja com membros de outras denominações, deixando claro seu entendimento de que essa atitude é reprovável por Deus, já que a igreja sequer pode realizar essa cerimônia; 

h) a única possibilidade que um jovem tem de levar adiante a pretensão de um relacionamento com um membro de outra denominação é se a outra pessoa aderir à sua igreja sectária, tornando-se um prosélito. 

Dentro deste contexto, dificilmente um jovem que sofra essa influência admitirá a possibilidade de um relacionamento com alguém que não faça parte de sua denominação. Admitir essa possibilidade implicaria em perder sua comunhão com o grupo e sua salvação, já que ele está convicto de que não há salvação em outro lugar. Afinal, desde seus primeiros passos na fé aprendeu que não há outra igreja como a sua, que leve a sério a vontade de Deus e que cumpra fielmente a vontade do criador. 

De modo geral, as pessoas que tiveram suas crenças formadas com base na influência sectária possuem uma estrutura psicológica que faz delas vítimas de uma ilusão de grandeza, muitas vezes aliada a um obstinado sentimento de orgulho pessoal. Esse sentimento contribui para criar neles a ilusão de que possuem a verdadeira fé salvadora, e de que são os guardiões e defensores da única verdade sagrada e os ministradores da revelação divina para a humanidade que se acha emaranhada num cristianismo que foi deturpado por teólogos e filósofos e, portanto, precisa ser restaurado por meio dos esforços deles. 

É bom ressaltar que esse é um comportamento de exceção. O povo evangélico não é assim. De modo geral o povo de Deus busca a união e a superação das suas diferenças para que possam conviver de modo harmonioso, pois sabe que a casa dividida não prospera. 

O povo de Deus deseja a união em torno dos valores eternos para a preservação da família e da salvação de todos os homens. É necessário, para tanto, que não sejamos soberbos a ponto de seguirmos o caminho do isolamento. Temos que discernir corretamente o que vem a ser pureza e impureza aos olhos de Deus, o que Deus deseja preservar quando ordena a união de pessoas com os mesmos princípios bíblicos e qual o mandamento ensinado por Jesus: amar a Deus e ao próximo. Associe-se ao mandamento de Jesus o ensinamento sobre o corpo de Cristo e teremos direção segura para buscarmos relacionamentos harmoniosos, sem a influência do sectarismo. 

Por fim, fica o alerta. Voltemos os nossos olhos da fé para Jesus e saberemos qual a melhor postura a ser adotada quanto aos relacionamentos afetivos dos jovens cristãos. 

Em 30 de agosto de 2008 

Pastor Sólon Pereira

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