Igreja cristã Celeiros
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Carta 010 

Mensagem enviada, via e-mail, em 14/3/2017: 

Paz do Senhor, 

Prezado Pastor Sólon 

Este é o segundo contato que faço com o senhor por e-mail. 

Estou agradecido por sua atenção no primeiro contato, neste momento volto a falar sobre o mesmo assunto, ou seja, o Dízimo. 

Por favor, eu gostaria de contar com sua ajuda para eu solucionar uma pergunta que está me incomodando, e não sei exatamente qual é o modo certo de eu responder. 

Veja só: eu fui Testemunha de Jeová por mais de 20 anos, embora minha família não seja grande, ainda assim tenho alguns parentes que ainda permanecem naquela seita, inclusive minha filha e meu genro também.


Eu entendo claramente à ordem de Jesus em Mateus 28 :19 e 20, e sei que se aplica aos cristãos da atualidade, falar sobre o evangelho, e fazer discípulos. 

Não é uma escolha que está disponível para o Cristão, na verdade Jesus falou de sua autoridade, e em seguida deu a ordem para fazermos discípulos. 

Neste caso não temos escolha, foi nos dada a ordem. Eu fiquei muito tempo sem fazer isto de modo sistemático, mas no início deste ano, falei com o Senhor em oração e me coloquei a disposição para tal obra. 

Logo foram aparecendo pessoas interessadas em estudar a Bíblia comigo, agora tenho 03 famílias, na qual eu estou ajudando todas as semanas por meio de estudo, considerações Bíblicas, e oração juntos. 

Uma destas famílias já começou a frequentar a igreja, a segunda família esta frequentando apenas a esposa, o filho adolescente, e as duas crianças, o marido raramente vai. 

A terceira família é formada por apenas um casal maduro sem filhos, estes gostam dos estudos, mas ainda não foram em nossa igreja.

Mas irão em nome de Jesus !!! 

Estes são extremamente católicos, se torcem ao ouvir falar das imagens, e sobre a ´´ virgem ´´Maria, mas querem continuar estudando. 

Pois bem, sei que em algum momento virá à tona o assunto Dízimo, a minha pergunta é: como poderei resolver esta questão, visto que eu sei que o Dízimo não é para nós na atualidade, mas eu sou Crente Pentecostal, e nossas igrejas tem o Dízimo como doutrina? 

Esta questão verdadeiramente me preocupa!!! 

Pois eu sou muito firme ao ensinar a verdade da Bíblia, não passo a mãos na cabeça, mas falo a verdade de modo firme e franco.Se eu estivesse em uma igreja que não recebesse o dízimo, eu não teria problema para ensinar, mas não é o meu caso. 

Há propósito, se o senhor (pastor Sólon), veio de uma igreja que tem o Dízimo como doutrina, qual era o seu comportamento neste assunto quando lá estava? 

Pode ser que eu seja o único em minha igreja, mas eu não seu, pois não comento isto com os irmãos para não causar divisão. 

Apenas um irmão (que eu ensinei a Bíblia e ele já batizou), este sabe qual é minha posição, mas levou tempo para eu lhe falar a respeito. 

Volto a dizer que amo minha igreja, e meus pastores, porém quando falam em dízimo, eu sei que está errado. 

Gostaria de dizer que embora eu também more em São Paulo, zona Leste, o bairro de Sapopemba é muito longe para eu frequentar a igreja há pouco consagrada, e são 02 conduções até lá. 

Pastor me desculpa de eu ser tão detalhista, mas é o meu jeito de explicar o assunto. 

Agradeço sua paciência, e aguardo resposta. 

Que o Senhor Deus lhe abençoe com todo o tipo de bênção, em nome de Jesus !!! 

Muito obrigado. 

Fique na paz do Senhor !!! 

RESPOSTA, em 14/3/2017: 

Prezado irmão (...), que paz do Senhor seja com toda a sua casa. 

Você bem sabe o que é uma seita e como se comportam aqueles que defendem heresias, uma vez que tem em seu histórico essa experiência. Quando você descobriu que onde você estava a pregação estava em desconformidade com as escrituras sagradas, sua decisão foi deixar para trás aquele grupo de pessoas e buscar a mensagem que você acreditava ser a mais alinhada à palavra de Deus, não é mesmo? 

Estou certo de que sua decisão foi muito sofrida, especialmente por ter se deixado no seu antigo grupo parte de sua família. Também, estou certo de que não foi fácil encontrar algum local onde você se sentisse bem e que pudesse compartilhar sua fé sem peso de consciência. 

Agora, pense bem e responda: depois que você se desligou do seu antigo grupo, você continuou a defender as doutrinas que eles pregavam? Você se sentiu um traidor por falar contra aqueles ensinamentos que você entendeu serem contrários às escrituras sagradas? Você se sentiu como se estivesse promovendo a divisão do Corpo de Cristo quando refutou as práticas que não se encaixavam com o modo de vida de Jesus Cristo? 

Amado, estamos em constante evolução e passamos por diversos estágios até chegarmos onde estamos e, certamente, haverá muitos outros à nossa frente. Isso faz parte da nossa humanidade. Animais não evoluem. Um cão pastor alemão hoje tem basicamente as mesmas características, capacidades e limitações de qualquer outro da mesma raça que viveu há 500 anos. Os seres humanos são diferentes, evoluem a cada geração. 

A própria igreja evoluiu. Lutero, por exemplo, revolucionou em seu tempo, mas acreditava em coisas que hoje nós não aceitamos. Veja o que ele disse sobre o casamento:

“Confesso que não posso proibir uma pessoa de casar com várias esposas, pois isso não contradiz a Escritura. Se um homem deseja se casar com mais de uma esposa que ele deveria ser perguntado se ele está satisfeito em sua consciência (...)” (De Wette II, 459, ibid., Pp 329-330) 

 Você ficaria em uma igreja em que a liderança defendesse a poligamia? 

Espero que você possa refletir sobre essas questões e com sua própria consciência decidir o que é certo ou errado. Não posso ir além disso em relação às suas decisões. 

Entretanto, posso lhe falar sobre o que aconteceu comigo. Isso serve apenas à minha própria consciência. 

Deixei o catolicismo em 1988 quando, evoluindo em meus conhecimentos bíblicos, entendi que não poderia mais compartilhar com a idolatria, apesar de saber que na Igreja Católica havia muitas coisas boas, como em todas as religiões. Entretanto, minha consciência exigia uma ruptura com toda aquela estrutura para que eu pudesse, livremente, defender a mensagem do evangelho, sem impedimentos. Ficar ali, depois de ter a mente aberta, seria ruim para eles e para mim. Em princípio, ao romper, o maior prejudicado seria eu, que teria de abandonar antigos relacionamentos e uma estrutura tradicionalíssima, da qual eu me orgulhava. Ao sair, observei que, por fora, eles continuavam fortes e poderosos, enquanto e eu fiquei fragilizado e errante. Mas, por dentro, eu estava mais forte do que nunca. 

Em 1988 ingressei, então, na Igreja Cristã Maranata (ICM), que muito contribuiu para que eu tivesse a visão adequada quanto às questões da idolatria e da santificação. Absorvi muitos ensinamentos que, creio eu, levaram-me a patamares mais elevados das escrituras sagradas, mas, depois de quase 20 anos, alguns acontecimentos me fizeram abrir os olhos para algo novo. Percebi que a igreja me segregava, em vários sentidos: social, religioso e familiar, especialmente. Passei a analisar essa questão e cheguei à conclusão de que aquele procedimento estava incompatível com o evangelho de Jesus. Embora isso não seja razão para se condenar tudo o que eles faziam de bom, para mim era suficiente para tirar a minha paz, porque eu já era pastor e não conseguia mais reproduzir alguns ensinamentos que eram importantes para eles. 

Foi então que, em 2005, desliguei-me da ICM da mesma maneira que fiz em relação à Igreja Católica: por fora, fragilizado, mas, por dentro, convicto. Eles continuaram poderosos, com lindas igrejas e uma organização de dar inveja a muitos, enquanto eu estava como um homem que perdeu a sua casa em um furacão, mas glorificando a Deus por ter salvado a minha vida e a vida dos meus familiares. A solução era olhar para frente e recomeçar a construção. 

Minha opção, então, foi unir-me a um grupo de pessoas que haviam deixado a ICM antes de mim, pois eles tinham sentimentos e experiências semelhantes às minhas. Refiro-me à Comunidade Evangélica Entre as Nações (CEEN). Ao conhecer o saudoso Pastor Presidente, Ademir Soares Lima, ainda nos primeiros passos daquela igreja, fui acolhido com muito amor e, acima de tudo, com muita paciência. Referido pastor me ajudou a subir mais um degrau de minha consciência cristã. Com ele aprendi um novo modo de viver o evangelho, usando apenas a autoridade espiritual e os exemplos de vida, uma vez que não havia estruturas para nos garantir. 

Isso foi muito importante para mim, pois descobri o que poucos sabem: as estruturas tradicionais são boas, mas não são tudo. É possível ser crente, ser discípulo de Jesus, ser abençoado por Deus, ser instruído nos caminhos do Senhor e ser útil aos propósitos de Deus mesmo sem dinheiro, sem templos, sem instrumentos de som, sem carreiras eclesiásticas etc. Não estou dizendo que essas coisas sejam ruins. Estou dizendo que é possível viver sem elas e que isso não é nenhum demérito espiritual. 

Quase 10 anos se passaram e, de repente, comecei a ficar angustiado com a “pedição” de dinheiro das igrejas neopentecostais. Como a CEEN era uma igreja aberta a relacionamentos com os neopentecostais, isso começou a me incomodar tanto que decidi estudar a questão de dízimos e de ofertas. Eu nunca havia me dedicado a essa questão, porque, como se tratava de uma unanimidade do meio evangélico, eu simplesmente acreditava que não havia mais nada a refletir sobre o assunto que os teólogos e doutores da lei já não tivessem feito. Assim, eu simplesmente seguia o que já estava bem firmado no meio evangélico sem ao menos me preocupar em estudar com mais profundidade os fundamentos dos dízimos e das ofertas. 

Mas, como eu disse, a “pedição” de dinheiro, inclusive na televisão e na internet, deixava-me incomodado, especialmente porque eu não conseguia imaginar Jesus fazendo nada parecido com isso. 

Assim, comecei a anotar os textos citados nas pregações que eu escutava para examiná-los melhor depois, a exemplo da “vida abundante”, da “semeadura”, da “prosperidade”, da promessa de se receber “100 vezes mais”, da palavra sobre “todas as coisas serão acrescentadas”, das promessas das “janelas dos céus se abrirem”, da repreensão do “devorador” etc. A maior dificuldade estava em abstrair os testemunhos que vinham junto com essas mensagens. Afinal, os testemunhos pareciam ser inquestionáveis e prova absoluta de que Deus estava aprovando aquelas mensagens, mesmo quando isso estava claramente contrariando as escrituras sagradas e o testemunho deixado por Jesus e pelos apóstolos. 

As minhas anotações, tornaram-se recorrentes e viraram um manual pessoal sobre o assunto. Foi então que eu pensei em divulgar todas essas questões em um livro, cujo título é: “Dízimos e Ofertas: pretextos dos impiedosos”. 

No ano de 2013 o livro já estava pronto, mas eu não havia publicado. Decidi compartilhar esse projeto com o Pastor Ademir e com alguns outros pastores da CEEN. Infelizmente, logo percebi que ali não era o ambiente adequado para aplicar meus estudos. A CEEN já havia se estruturado de tal forma que não mais admitia uma mudança como eu pretendia. Por isso, entendi que não deveria publicar o livro enquanto eu ainda estava debaixo da autoridade daquele ministério, pois isso não seria justo. 

Evidentemente, as coisas ficaram difíceis para mim, pois a maioria dos pastores não querem ouvir e, muito menos, aplicar algo que altere os padrões de arrecadação da igreja. Eu posso compreendê-los, até porque eu mesmo era assim. 

Mas Deus, em sua infinita misericórdia, provocou algumas situações que me deixavam cada vez mais deslocado na CEEN. Lembro-me que tive um grande embate com alguns pastores daquela igreja porque defendi que o fogo referido em Mateus 3:11 não era batismo no Espírito Santo, mas juízo para a palha. Incidentes como esse me fizeram compreender que eu não tinha mais nenhuma contribuição a oferecer naquele ambiente que, cada vez mais, aproximava-se do neopentecostalismo que eu, por convicção, rejeito quase integralmente. 

Assim, naturalmente, embora amando as pessoas que ali estavam, comecei a pensar em subir mais um degrau em minha experiência de fé. O problema era, para onde ir? Ora, qual igreja aceitaria de bom grado um pastor que não concorda com a cobrança dos dízimos sob fundamentos parciais da Lei de Moisés, embora vivamos no período da graça? Cheguei a conversar com pastores de outras denominações, mas, como era de se esperar, nem queriam ouvir meus argumentos. 

Assim, tomei forças em Deus para, mais uma vez, iniciar outro trabalho, a Igreja Cristã Celeiros (ICC) sem qualquer estrutura: sem dinheiro, sem templo, sem cadeiras, sem púlpito, sem aparelhagem de som, sem ninguém para me ajudar... enfim, só com a fé e com a convicção de que era melhor cumprir o meu ministério com sinceridade e com verdade do que passar a vida como um hipócrita que sufoca suas convicções apenas para não desagradar as pessoas ou para estar em sintonia com a maioria. Assim que deixei a CEEN e fundei a ICC, publiquei meu livro que, agora, aos poucos, está se transformando em vídeos, conforme você viu em nosso canal no youtube. 

Essa é a minha história. Hoje, posso testemunhar que a prosperidade tem medidas diferentes em cada caso. Ela decorre de diversas circunstâncias e não se resume à quantidade de bens que alguém possua nesta vida. Sucesso material, quantidade de pessoas que frequentam uma igreja ou mesmo projeção nacional de lideranças não são fatores determinantes do sucesso de alguém, de algum pastor ou de um ministério. 

Sucesso é chegar exatamente onde Deus quer que você chegue, seja com muito ou com pouco. Eu acredito que cheguei onde o Senhor me queria, porque minha consciência está absolutamente tranquila em relação ao que acredito e ao que ensino. Mas, para chegar até aqui tive que realizar grandes mudanças em minha vida. 

Amado, toda mudança é traumática, implica deixar para trás muitas coisas e exige muitos esforços. Há muitas coisas na vida cujo o custo de aquisição é alto e somente serão possuídas por quem esteja disposto a pagar o preço. Por exemplo, se eu estou insatisfeito com meu carro, mas não quero gastar dinheiro para comprar outro modelo mais caro, melhor me contentar com o que tenho, sem reclamar, pois, esta foi a minha opção. Por outro lado, há pessoas que nem mesmo têm dinheiro, mas querem tanto trocar de carro que fazem um esforço, financiam a diferença, reduzem outros gastos e mudam de automóvel. 

De modo semelhante, toda mudança em nossas vidas depende do quanto estamos decididos a mudar. Se você está enxergando mais obstáculos do que benefícios, é sinal de que você não está tão disposto a mudar. 

Pense nisso! 

No mais, desejo a você toda sorte de bênçãos. 

Grande abraço! 

Pr. Sólon 

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