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Missionários lutam contra teologia da prosperidade para tratar crise de HIV na África

Jon Fielder abandonou uma carreira promissora nos EUA para servir como médico missionário na África.

Jon Fielder poderia ter tido um emprego em qualquer lugar. Ele se formou com honras na Baylor College of Medicine e fez residência medicina na Universidade Johns Hopkins, onde foi nomeado o melhor estagiário de sua turma. Fielder estaria "no topo de sua profissão nos Estados Unidos", disse Mark Gerson, seu colega de faculdade.

Mark estava fazendo exatamente isso. Ele é co-fundador de uma comunidade de aprendizagem de negócios entre profissionais de alto nível. Mas em vez de aceitar ofertas de emprego de hospitais e universidades, Fielder estava reservando sua passagem de avião para o Quênia. Após a formatura, ele foi servir como missionário onde não havia médicos suficiente, suprimentos ou financiamento.

Ele trabalha de 10 a 12 horas por dia, passa um ano longe de sua noiva e fica de plantão na unidade de terapia intensiva por dois anos seguidos sem uma pausa sequer. Ele trabalhou em uma farmácia que não mantinha inventário e iniciou um programa de combate ao HIV com funcionários que não eram treinados para esse tipo de atendimento.


Jon Fielder enfrentou a maior crise de saúde do mundo, o HIV e a AIDS. E trabalhou em tempo integral nem um hospital do Malauí, enquanto publicava mais de uma dúzia de artigos e resumos para revistas médicas, escrevendo um livro sobre como lidar com a tuberculose em pacientes com HIV (o principal assassino da maioria dos pacientes com AIDS), na África. Ele também iniciou uma fundação que doou milhões para outros hospitais carentes na África.

Essa fundação - a African Mission Healthcare Foundation (AMHF) - é talvez o desenvolvimento mais surpreendente de todos. Porque onde é que um médico missionário, que passou toda a sua carreira a servir pessoas que vivem na pobreza, vai receber milhões de dólares para doar?

Pregadores da prosperidade

Em um domingo de março de 2001, 161 pessoas infectadas pelo HIV foram ouvir o pastor John Nduati. Ele os chamou para a frente da igreja e caíram “como uma fileira de dominós quando o pastor os proclamou curados”, relatou o The New York Times.

Nduati não é o único que oferece cura espiritual. A Igreja Cristã de Deus na Africa (African charismatic Redeemed Christian Church of God) conta aos seus 2 milhões de membros que o HIV é um “espírito demoníaco” que pode ser expulso. Um pastor de Nairobi conduz as pessoas através de uma “cura” pública que inclui queimar seus medicamentos antirretrovirais e pagar ao pastor uma alta taxa.

Um "profeta" zimbabuano promete curar o HIV através de suas transmissões via satélite. E na África do Sul, um pregador de prosperidade afirma que cura os membros da igreja do HIV pulverizando inseticida sobre eles. O efeito pode ser devastador; os anti-retrovirais não só fazem com que os pacientes não controlem a doença, mas também os colocam em risco de desenvolver resistência aos medicamentos.

"Levamos isso muito a sério", disse Fielder. A teologia da prosperidade “não é um pequeno desafio”. Fielder e sua equipe monitoram de perto se os pacientes estão chegando para pegar os remédios. E ele diz aos infectados: “Deus está trabalhando. Ele está te curando. Estes medicamentos vieram de algum lugar, e não do diabo”. Ele reforça sua fala em Tiago 1:17: “Todo dom vem do alto, descendo do Pai das luzes”.

Mas a melhor resposta para pregadores de prosperidade tem sido pregadores do Evangelho.

Pregadores do Evangelho

Fielder buscou por outros programas de tratamento e achou uma rede de igrejas afiliadas à Compassion International na região. Como eles estavam buscando pessoas com HIV e mantendo-as envolvidas? A resposta: envolvimento comunitário e envolvimento pastoral.

O presidente do conselho do hospital de Fielder era o líder da rede de pastores regionais, então ele convidou 150 deles para um treinamento de três dias para aprender sobre a biologia básica do HIV, o remédio e a importância de se dedicar a um tratamento.

"Esta sessão de treinamento foi a iniciativa mais importante que já empreendemos na comunidade", disse Fielder. “Os pastores e as igrejas responderam maravilhosamente. Muitos pacientes encaminhados, enviaram casos doentes em seus próprios carros, realizaram grupos de apoio em suas igrejas e conduziram orações e estudos bíblicos em grupos de apoio”.

Em 21 de maio de 2018

Fonte: guiame