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Dominação religiosa 
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Para entendermos o que é dominação não basta recorrermos apenas ao seu significado, pois essa palavra está ligada a outras, como “força” e “autoridade”.

Dominação é a imposição da vontade própria sobre outros, subjugando-os sem considerar suas vontades. O dominador costuma “passar como um trator” sobre quem resiste suas pretensões.Mas, a força utilizada para a dominação pode não estar relacionada à coerção física. Muitas pessoas são forçadas a fazer coisas em razão das circunstâncias ou por sofrerem algum tipo de pressão emocional, empregada de maneira bem sutil em alguns casos. Seja como for, o fato é que, normalmente, o dominador quer manter a pessoa dominada como refém, sujeita à sua vontade e às suas ordens.

Segundo a socióloga Neuza de Farias Araújo, “considerando que o poder reside na capacidade de fazer triunfar uma vontade, ele consiste em senso geral em uma possibilidade de dispor de mediações psíquicas dentro de meios presentes para obter qualquer objetivo”. Ou seja, o domínio pode ser exercido sem que o dominado perceba. A “vitima”, digamos assim, não nota que está sendo controlada e quando percebe, pode ser tarde demais, pois já se encontra em situação que não consegue mais reagir, mesmo que a reação seja uma possibilidade. O fato é que, ao pensar nos riscos potenciais e suas implicações, a “vítima” prefere aceitar calada o domínio, ainda que suas entranhas estejam clamando por libertação.

A título de ilustração, imagine, hipoteticamente, que alguns assistentes de confiança do João de Deus, o médium espírita de Abadiânia, tivessem descoberto os assédios sexuais praticados por ele antes das denúncias veiculadas na mídia.

Agora, imagine que João de Deus constantemente se dirigisse aos seus assistentes relatando a importância de seu trabalho, do modo como Deus tem usado sua vida, das milhares de pessoas curadas por suas intervenções espirituais, das centenas de famílias da cidade que vivem do comércio em torno de seu “hospital” e de como seria nefasto se alguém fizesse algo para prejudicar todo esse sistema em pleno funcionamento...

Quem gostaria de assumir a responsabilidade por tamanho prejuízo?  

Será que algum desses assistentes denunciaria seu patrão e líder espiritual?

Ou será que iria preferir fingir que não sabe de nada, que nunca percebeu nada, que não é responsável por nada, que o “bem” praticado por João de Deus é maior que suas atitudes “inconvenientes”?

Será que é melhor suportar esses “inconvenientes” do que colocar todos os benefícios de seu trabalho a perder?

Será que esses assistentes também não pensariam em seus próprios sustentos, já que vivem desse trabalho, o qual depende de João de Deus?  

Será que não pensariam, inclusive, na possibilidade de uma represália, caso a polícia não aceitasse suas denúncias e desse mais crédito ao João de Deus do que em seus relatos?

Será que eles não terminariam como vilões da história, como pessoas más que tentaram macular a imagem de um homem bom e que, ainda, prejudicaram um grande número de pessoas?

Será que não pensariam que, de algum modo, Deus está naquele negócio, já que há diversas manifestações sobrenaturais incontestáveis ali e que, por isso, elas poderiam estar se voltando contra o próprio Deus?

Enfim, essas são as forças invisíveis que imobilizam a ação de muitas pessoas. Coisas semelhantes podem acontecer em qualquer sistema estabelecido, seja comercial, profissional, associativo, político, cultural, familiar ou mesmo religioso. Quanto mais envolvido alguém está, maiores serão as consequências em caso de se tentar romper com a dominação. Isso pode significar a própria segurança e estabilidade daqueles que decidem romper.  

Por exemplo, um empregado de uma empresa, por exemplo, que denuncia a corrupção de seu patrão, no mínimo ficará sem emprego, não é mesmo? E quem pagará suas contas? Como ficarão seus filhos? Onde encontrará outra vaga de emprego disponível? Então, é melhor pensar bem...

E as mulheres? Como estão?

De modo semelhante, muitas mulheres aceitam grosserias, infidelidades, maus tratos e outras situações humilhantes porque têm receio das consequências, caso tentem confrontar ou até mesmo denunciar as injustiças praticadas por seus maridos dominadores, alguns violentos.

Você já pensou no prejuízo emocional, financeiro e familiar neste caso?

Até mesmo do ponto de vista religioso há um peso enorme sobre as mulheres. O sistema religioso as fará se sentirem culpadas. Isso porque elas aprenderam que são as responsáveis por não deixarem suas casas caírem em ruína (Pv 14:1), independentemente do comportamento de seus maridos, que, normalmente, são mais protegidos pelo sistema religioso, que favorece a ideia de domínio masculino (1 Co 11:3).

Por isso, muitas mulheres entendem que é melhor deixar as coisas como estão e seguir em frente como se tudo estivesse bem. Afinal, pensam que os “benefícios” de um casamento ruim ainda são maiores que as consequências que podem advir caso se levantem contra a dominação injusta. Assim, não são poucas as mulheres que preferem aceitar tudo caladas e às vezes se tornam coniventes com as injustiças praticadas por seus maridos. Isso mesmo! Sãoconiventes todas as pessoas que fingem que não estão vendo e que ainda encobrem o mal praticado por outrem.

Fora da caixa!

Para quem acha que não pode nem mesmo pensar diferente do que estabeleceu a tradição, é bom lembrar que o próprio Jesus nos ensinou com suas palavras e exemplos que devemos fazer uma leitura espiritual das escrituras sagradas e tomar muito cuidado com as tradições ensinadas pelos líderes do sistema religioso. Pode parecer estranho para você, mas Jesus não fazia parte do sistema religioso de seu tempo e não estava preocupado com o que os líderes desse sistema pensavam a seu respeito ou como iriam se voltar contra ele. Afinal, Jesus não veio ao mundo para fortalecer  e preservar o sistema religioso estabelecido sob as bases da vaidade e da dominação injusta.

Se Jesus estivesse preocupado em preservar as estruturas religiosas do seu tempo jamais teria ficado sozinho com a samaritana no poço de Jacó (Jo 4:27); não teria admitido em seu grupo a companhia de Maria Madalena (Lc 8:1-2); não teria estendido a conversa com uma mulher gentílica (Mt 15:21-28); e não teria defendido a mulher flagrada em adultério (Jo 8:3-11). Mas, como Jesus não estava comprometido com o sistema religioso, não teve medo de dizer, claramente, aos fariseus e mestres da Lei que eles valorizavam suas tradições em detrimento da própria vontade suprema de Deus.  

Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens". E disse-lhes: "Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira para pôr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecer às suas tradições! (Marcos 7:8,9)

O exemplo do Mestre

Vale lembrar que Jesus nunca constrangeu ninguém a segui-loou a permanecer com ele. Certa vez disse aos seus próprios discípulos que eles estavam livres para ficar com ele ou deixá-lo (Jo 6:66-68). Quando lhe disserem que outras pessoas estavam expulsando demônios em seu nome, mas não o seguia, não se incomodou com isso (Mc 9:38-40).

O fato é que toda forma de dominação de um homem sobre outro, seja pela força das armas, pelo poderio econômico, pela indução religiosa ou por qualquer outra forma de captura dos corpos e das mentes humanas, alinha-se à obra de Satanás.

Ao criar a raça humana, Deus disse que o domínio do homem se estenderia sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão (Gn 1:26), mas não se vê na gênese da criação uma autorização de Deus para que o homem dominasse sobre outro homem.

Com Satanás é diferente

Mas, com Satanás a história é outra. Vemos em Gênesis a história de Ninrode, que hoje sabemos ser um tipo do Anticristo. Ele era um exímio caçador e, ao estender sua influência sobre os demais homens da terra, logo quis dominar o mundo. No final dessa história, vemos a intervenção de Deus, que destruiu a Torre de Babel e confundiu as línguas para dispersar as pessoas e por fim àquela obra maligna.

Na sequência da história bíblica temos diversos outros exemplos de homens tiranos que chegaram a dominar inclusive sobre o povo de Deus, a exemplo dos Faraós do Egito, de Nabucodonosor e dos Césares de Roma. Mas, notamos que isso sempre desagradou ao Criador que, além das conhecidas intervenções realizadas no passado contra esse tipo de dominação, nos deixou profecias apocalípticas de que tais pretensões injustas um dia chegarão ao fim (Ap. 19:17-21).

Enquanto esse fim não chega, vamos assistindo a diversas histórias de dominação injusta sobre homens e mulheres, inclusive no sistema religioso. Sugiro a leitura da matéria sobre o “Novo escândalo: papa admite que padres impuseram escravidão sexual a freiras”.

Foi para a liberdade que Cristo nos libertou!

Vamos acordar! O governo e a autoridade pertencem a Deus!

Embora o desejo de domínio humano seja inato, ele deve dar lugar à sujeição ao soberano Deus, que tem todo poder e autoridade. Vale lembrar que o soberano Senhor do céu e da terra não exerce domínio injusto sobre os homens. Embora Deus possa usar pontualmente quem Ele quiser para realizar seus desígnios, Ele não força o homem a servi-lo. Ao contrário, deu a todos os homens o livre arbítrio. Ora, livre arbítrio só faz sentido se formos livres.

Se entendermos isso, seremos capazes de diferenciar a Igreja de Jesus Cristo do sistema religioso, assim como externou o Pastor Sólon no artigo que escreveu sobre “O Sistema Religioso”, onde ousou denunciar o sistema religioso do nosso tempo, cujo domínio faz parte de suas bases doutrinárias, ao passo que se afasta da essência do Cristianismo, que é a mutualidade.

“Uns aos outros”, esta deve ser a característica dominante!

- Sujeitem-se uns aos outros (Ef 5:21)

- Suportem-se uns aos outros (Cl 3:13; Ef 4:2; Gl 5:15; Tg 5:9)

- Perdoem-se uns aos outros (Mt 6:14, 15; Cl 3:13; Ef 4:32)

- Consolem-se uns aos outros (1 Ts 4:18)

- Não enganem uns aos outros. (Cl 3:9; Lv 19:11; Zc 7:10)

- Confessem os seus pecados uns aos outros (Tg 5:16)

- Orem uns pelos outros (Tg 5:16)

- Edifiquem-se uns aos outros (1 Ts 5:11)

- Esperem uns pelos outros (1 Co 11:33)

- Consideremo-nos uns aos outros (Hb 10:24)

- Dediquem-se uns aos outros (Rm 12:10)

- Tratem uns aos outros com justiça (Jr 7:5)

- Partilhem uns com os outros (Lc 22:17)

- Levem os fardos pesados uns dos outros (Gl 6:2)

- Vivam em paz uns com os outros (1 Ts 5:13)

- Amem-se uns aos outros (Jo 13:34, 35; 15:12, 17; 1 Jo 3:11; 4:11; 1 Pe 4:8)

- Saúdem uns aos outros com beijo de santo amor (1 Pe 5:14; Rm 16:16; 1 Co 16:20)

- Tenham igual cuidado uns pelos outros (1 Co 12:25)

- Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros (Ef 4:32; 1 Ts 5:15)

Por: Miss. Roseli Pereira

Brasília-DF, em 8 de fevereiro de 2019

 
A saída é SAIR!
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“Porque nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade.” (2 Co 13:8 RA)


Após o escândalo sobre desvios de dízimos de uma respeitável denominação evangélica brasileira, inclusive com a prisão de seus principais líderes, recebi mensagens de pessoas ligadas àquela denominação que procuravam demonstrar que isso não as estava afetando. Declaravam que estavam cientes do erro cometido por algumas pessoas da liderança da igreja, mas que preferiam continuar lá basicamente pelos seguintes motivos:
1) A denominação não é culpada pelo erro de seus líderes e está providenciando a disciplina de todos aqueles que falharam;
2) Estão bem onde estão, obedecendo ao Senhor e não a homens. O pastor local prega o evangelho. Estão realizando a “Obra do Espírito Santo” e vivendo muitas experiências. Sentem a presença de Deus e gozam de muita comunhão com Deus, além de gostarem muito dos louvores ali entoados. Em cada igreja local Deus tem operado de modo especial e os problemas da cúpula não os têm afetado;
3) Não adianta mudar de denominação, pois em qualquer outra há falhas, uma vez que o todas são compostas por homens, que são, naturalmente, falhos;
4) É melhor ficar onde estão porque as outras denominações são muito piores. Se saíssem de onde estavam, para onde iriam? Para um movimento? Para uma tradição? Para o mundo? Entre ficar em uma denominação boa, mas com problemas como qualquer outra, e ir para o mundo, a primeira opção seria incomparavelmente melhor;
5) As pessoas que saem, mostram-se desobedientes ao Senhor e acabam perdidas e, muitas, ficam revoltadas e com sérios problemas.
Em 2013 fiz uma avaliação sobre essas questões, mas hoje vou apenas resumir as questões principais porque percebi que esses fatos nada mais são do que a confirmação do que escrevi recentemente acerca o sistema religioso.
Sobre a primeira questão, notei que o tratamento conferido a alguns líderes que chegaram a ser presos por envolvimento no referido desvio de dízimos continuaram exercendo suas funções, direta ou indiretamente. Alguns, inclusive, voltaram a dar aulas em seminários, com total autoridade e preeminência sobre o grupo de fieis.
Isso não deveria incomodar ninguém, se tal tratamento fosse a regra de tratamento dispensada a todos os membros. Entretanto, parece que o rigor da disciplina, com afastamento definitivo de funções, é dirigido apenas àqueles que não sejam “amigos do rei”.

Dois pesos e duas medidas

Dois pesos e duas medidas? Nada mais comum no sistema religioso.
Entretanto, para a igreja de Jesus, nada é mais injusto do que alguém que não usa o mesmo critério para tratar pessoas que se encontram em iguais condições. A palavra de Deus sempre foi radicalmente contra esse tipo de comportamento.

"10 Dois pesos e duas medidas, uns e outras são abomináveis ao Senhor." (Provérbios 20:10)

"11 Peso e balança justos pertencem ao Senhor; obra sua são todos os pesos da bolsa." (Provérbios 16:11)

Certamente, cada membro com mais tempo dentro do sistema religioso já observou que há pesos desiguais em alguns julgamentos e decisões de sua liderança. Isso pode ser notado nas ocupações de cargos na igreja e na disciplina que parece mais dura com uns do que com outros. Obviamente, todas essas injustiças se transformam em “justiças”, sob o manto da “revelação”, de modo que todos passam a crer que essa é a vontade de Deus. Assim, quem ousa questionar?


Sua experiência x sua bíblia

O segundo questionamento da nossa lista envolve experiências espirituais individuais dos integrantes do sistema religioso e, por isso, é o ponto que causa maior bloqueio no entendimento das pessoas. Esta leitura, portanto, não é recomendável para quem acha que suas experiências têm mais valor que os registros bíblicos.
Assim, somente prossiga nesta leitura se você gostaria de submeter suas sensações e experiências pessoais ao teste das escrituras sagradas.
A primeiras perguntas que devem ser feitas a si mesmo são as seguintes:
1) eu realmente aceito e pratico os ensinamentos de Jesus?
2) eu sou capaz de rejeitar um ensinamento ou uma prática religiosa que não esteja em concordância com as escrituras sagradas, ainda que esses ensinamentos ou essas práticas sejam orientadas por minha liderança religiosa?
“Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.” (Gálatas 1:8 RA)

Vamos fazer um teste?

1 - O que você acha sobre um irmão arrastar outro irmão para um Tribunal terreno?
2 - Sobre esta questão, tente se lembrar de tudo o que você já aprendeu com a bíblia sobre amor, justiça, vingança, paciência e perdão.
Vamos lembrar o que Jesus e Paulo nos disse sobre essas questões:
“28 (...), perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os mandamentos? 29 Respondeu Jesus: O principal é: (...) 30 Amarás, pois, o Senhor, teu Deus (...) 31 O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” (Marcos 12:28-31 RA)

“38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. 39 Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra;” (Mateus 5:38-9 RA)

“1 Aventura-se algum de vós, tendo questão contra outro, a submetê-lo a juízo perante os injustos e não perante os santos? (...) 4 Entretanto, vós, quando tendes a julgar negócios terrenos, constituís um tribunal daqueles que não têm nenhuma aceitação na igreja. 5 Para vergonha vo-lo digo. Não há, porventura, nem ao menos um sábio entre vós, que possa julgar no meio da irmandade? 6 Mas irá um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos! 7 O só existir entre vós demandas já é completa derrota para vós outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano? 8 Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos próprios irmãos!” (1 Coríntios 6:1, 4-8 RA)

“se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6:15 RA)

“21 Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? 22 Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” (Mateus 18:21-22 RA)

Agora, por meio de acesso à internet, faça uma pesquisa nos Tribunais de Justiça e Trabalhistas do seu Estado e veja a quantidade de igrejas processando seus ex-membros, e vice-versa.

Reflita... você acha razoável procurar algum outro texto bíblico para tentar justificar o descumprimento dos referidos ensinamentos de Jesus e de Paulo?

Se sim... não prossiga nesta leitura, será inútil para você.

Mas, se você é capaz de ouvir, humildemente, antes de se irar, passou no primeiro teste e será capaz de ouvir o que eu vou dizer sobre o experimentalismo religioso que se sobrepõe às escrituras sagradas.

A única fonte segura para que tenhamos certeza da operação e aprovação de Deus é a sua santa palavra. Qualquer fato que atue nos seus sentidos ou ao seu redor, ainda que seja real e sobrenatural, deve ser rechaçado se não estiver em harmonia com as escrituras sagradas. Veja o vídeo “sobrenatural” que está em nossa sessão de vídeos e você verá diversos exemplos que o ajudarão a entender esta questão.

O fato é que se você permanece em um sistema religioso porque Deus está falando com você nesse lugar e não se importa com o que Deus falou à sua igreja sobre honestidade, verdade, amor, justiça, vingança, paciência e perdão..., isso significa que o Deus da bíblia não é o mesmo deus que está falando com você.

Na verdade, sua experiência pessoal com esse “deus” parece ser tão forte que tem levado você a desprezar importantes textos bíblicos, que são a expressão de vontade do soberano Senhor!

Vamos ao segundo teste?

Se um cristão católico carismático, por exemplo, relatasse a você suas sensações e experiências espirituais sobre como Maria fala com ele ou sobre como Maria concedeu o falar em línguas estranhas no ambiente católico, inclusive com operação de milagres, o que você pensaria?

Foi Deus quem falou? Se você acha que não, responda: por quê?

Imagino que sua resposta seja: não pode ter sido Deus falando e operando, porque essas manifestações não estão amparadas por textos bíblicos.

De igual modo, estou certo que se você assistisse o vídeo “Sobrenatural” iria rejeitar prontamente as experiências ali relatadas, porque estão descoladas dos textos bíblicos que todo crente conhece. Mas, o fato é que não podemos negá-las.

O mesmo ocorre com qualquer outro religioso que fundamente a sua fé em “experiências pessoais com Deus”, seja no budismo, no espiritismo, no candomblé, na seicho no ie etc.

Por isso, quando tentamos comunicar algumas verdades bíblicas a essas pessoas, somos considerados ofensivos e agressores de sua fé, porque eles estão fechados para qualquer tentativa de confronto do experimentalismo com as escrituras sagradas.

Esta é a grande dificuldade que temos, por exemplo, para falar do “único caminho” (Jesus) a um católico carismático. Ora, se ele tem uma experiência pessoal em que Maria falou com ele, provavelmente nenhum texto bíblico o convencerá de que sua experiência não se coaduna com a palavra de Deus.

Por essa razão, se alguém diz que está bem e feliz onde congrega e que deus está operando em sua vida, nem mesmo as notícias de corrupção da liderança serão suficientes para fazê-lo enxergar que suas experiências pessoais estão se colocando acima da Palavra de Deus.

Procure ser honesto! Você realmente acha que a operação de línguas em uma reunião católica carismática afronta mais a palavra de Deus do que a prática da injustiça?

Portanto, a ira de Deus é revelada do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça (Romanos 1:18 NVI)

Vamos pensar! Não use dois pesos e duas medidas!

Se o fundamento da sua fé é a bíblia, use-a com coerência e valore igualmente todo o seu conteúdo. Evidentemente, isso não acontece com os integrantes do sistema religioso, que escolhem seguir e valorar apenas os textos que confirmem suas práticas e experiências pessoais.

Do mesmo modo que muitos evangélicos ignoram os textos bíblicos que confrontam suas práticas, os católicos, os espíritas e os umbandistas que fazem oferendas aos seus ídolos também não aceitam os registros bíblicos que negam seus rituais. Aqueles que obtiveram, por exemplo, cura ao fazer oferendas ao seu “santo” certamente ficarão ofendidos se você mostrar a eles o que o apóstolo Paulo disse a esse respeito:

19 Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? 20 Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios. 21 Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.”

(1 Coríntios 10:19-21 RA)

O que fazer então? Quem é sábio, entenda! O fato é que temos de fazer uma escolha.

A escolha

Para quem decidiu crer no que está registrado na palavra de Deus, terá de rejeitar diversos tipos de comportamentos e práticas supostamente espirituais, mesmo que isso contrarie sua razão, sua lógica, seus sentidos e o seu coração, porque, segundo a bíblia, o coração humano se engana frequentemente (Jeremias 17:9).
Então, eu devo deixar o sistema religioso, mesmo que ali haja abundantes manifestações de “dons espirituais"? Mesmo que eu tenha vivido ali muitas experiências pessoais sensoriais e sobrenaturais?
Seja sincero.
Se você compartilhasse o evangelho com um espírita ou mesmo com um católico carismático e ele lhe dissesse que está bem onde está; que tem muita comunhão com Deus e com seus fraternos; que seu líder é comprometido com o evangelho de Jesus; que ele é um cristão praticante da palavra de Deus; que onde ele está sente-se servindo a Deus; e que ele tem muitas experiências inegáveis com Deus... você ainda assim diria para ele sair de onde está?
Se sim, por quê?
Porque você tem convicções bíblicas diferentes e, segundo o que compreendeu das escrituras sagradas, os outros estão equivocados, apesar de suas experiências pessoais. No fundo de seu coração você acredita que essas pessoas estão no caminho errado, pecando contra Deus em pontos fundamentais de sua santa palavra.
Então, se você percebeu que também está praticando ou sendo conivente com diversas práticas antibíblicas do sistema religioso, por que acha um absurdo o conselho para que você saia dele?
Lembre-se de uma coisa: do ponto de vista de Jesus e da salvação, não há diferença entre um feiticeiro (espírita), um idólatra e um homem que odeia e ofende o seu irmão, por exemplo. Todos estes incorrem em erros de mesma gravidade, senão vejamos:

10 Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão. "

(1 João 3:10)

14 Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas. "15 Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira. "

(Apocalipse 22:14-15)

Se você percebeu que sua prática religiosa não faz de você uma pessoa melhor do que aquela que faz coisas que você condena, então há esperança para você!

O que lhe prende?

Sobre as três últimas questões apresentadas no início deste texto, parece que estão ligadas ao comodismo ou ao aprisionamento do sistema religioso. Sabemos que apontar a falha dos outros não reduz as nossas. Mas, o fato é que as comparações são sempre feitas entre igrejas que integram o mesmo sistema religioso – sim, aqui é ruim e ali parece pior.
Mas, se as comparações fossem feitas entre uma integrante do sistema religioso e a igreja de Jesus, certamente as coisas seriam diferentes. É possível perfeitamente concordar que mudar de igreja dentro do mesmo sistema religioso é inútil. Mas, o que estamos tentando mostrar é que, para quem deseja ser orientado pela Palavra de Deus, a opção é sair do sistema religioso e não mudar de igreja dentro do sistema.
Sei que isso pode parecer duro, mas estar em qualquer denominação integrante do sistema religioso, não faz muita diferença. Cada um tem a sua idolatria. Uns adoram imagens de pedra e de madeira, outros adoram o dinheiro, outros adoram suas denominações, outros adoram seus líderes, outros adoram a si mesmos, mas todos idolatram o sistema religioso corrupto, cheio de vaidades, soberbas, egoísmo e amor próprio exacerbado.

Portanto, A SAÍDA É SAIR!  

Isso é perfeitamente possível! Sugiro a leitura do texto que escrevemos sobre o sistema religioso, ou veja o vídeo em nossa galeria sobre esse assunto, onde mostramos que só é possível sair do sistema quando o sistema sai de dentro de nós. Caso contrário, vamos esperar a água ferver.
Vou ilustrar:
Se um sapo for jogado num recipiente com a água já fervendo ele salta imediatamente para fora. Sai ferido, mas vivo.
Entretanto, estudos biológicos mostram que um sapo colocado num recipiente com a mesma água de sua lagoa, fica estático durante todo o tempo em que aquecemos a água, mesmo que ela ferva. O sapo não reage ao gradual aumento de temperatura (mudanças de ambiente) e morre quando a água ferve. Inchado e feliz.
Se você não tomar uma atitude, seja por medo ou acomodação, terá de aceitar o resultado de sua escolha. Infelizmente, muitos, quando se dão conta do que está acontecendo, já estão prestes a morrer, boiando, estáveis e apáticos, na água que se aquece a cada minuto.
Por fim, quanto àqueles que pensam quem sai do sistema religioso fica perdido, revoltado e com sérios problemas, é bom lembrar que grande parte dos conflitos de quem sai nada mais é que a erupção de tudo o que estava preso em seus corações. Quanto mais tempo ficam no sistema, mais dificuldades têm de se tornarem verdadeiros discípulos de Jesus no futuro.
Brasília-DF, em 2 de fevereiro de 2019.
Por: Pr. Sólon Pereira
 
Adoração e adoradores

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Muito se ensina sobre adoração em nosso tempo e eu também gostaria de trazer uma breve reflexão a esse respeito. 
Os adoradores, no meu entender, não precisam de um lugar específico para adorar, pois a verdadeira adoração procede de dentro de cada um, de seu espírito: 
 “21 Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. (...) 23  Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. 24  Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:21-24 RA)

Pois bem, se a adoração vem do espírito humano, está em nós e não nos locais em que freqüentamos. Por conseqüência, cada um pode buscar sua adoração dentro de si mesmo e expressá-la onde quer que esteja, desde que tenha essa disposição e vontade. 

A adoração também não depende das circunstâncias, de modo que pode fluir até mesmo nas horas de infortúnio. Paulo e Silas, por exemplo, adoraram depois de terem sido humilhados, surrados e lançados na prisão. Ou seja, em circunstâncias e em local que normalmente não remete ninguém à adoração: 

“Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam.” (Atos 16:25 RA) 

Assim, além de não depender do lugar e nem das circunstâncias, a adoração não depende de estímulo ou aprovação de terceiros, visto que vem de dentro de cada um e deve ser espontânea. 

“37 E, quando se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinham visto, 38  dizendo: Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas! 39  Ora, alguns dos fariseus lhe disseram em meio à multidão: Mestre, repreende os teus discípulos! 40  Mas ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão.” (Lucas 19:37-40 RA) 

Ora, se a adoração não depende de estímulos externos, também não depende da unção que está em outras pessoas ou da ajudinha de um ministro de louvor que diz a hora que você tem que levantar as mãos, pular, dar um glória a Deus bem alto etc. 

Um verdadeiro adorador, a meu ver, não busca admiradores, reconhecimento ou recompensas pela adoração. Ele adora em todo o tempo porque suas atitudes, seu falar e sua vida glorificam a Deus. E nem por isso busca um lugar especial entre os homens. Aliás, nem mesmo aceita ser tratado com deferências: 

“25 Aconteceu que, indo Pedro a entrar, lhe saiu Cornélio ao encontro e, prostrando-se-lhe aos pés, o adorou. 26  Mas Pedro o levantou, dizendo: Ergue-te, que eu também sou homem.” (Atos 10:25-26 RA) 

Assim, considerando que a adoração não exige lugar especial, circunstâncias favoráveis, estímulos externos ou honras humanas, onde podemos adorar segundo esses conceitos bíblicos? No campo de trabalho, no dia-a-dia, testemunhando acerca do caminho, da verdade, da vida e da salvação que há em nosso salvador: 

“34 Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. 35  Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa. 36  O ceifeiro recebe desde já a recompensa e entesoura o seu fruto para a vida eterna; e, dessarte, se alegram tanto o semeador como o ceifeiro.” (João 4:34-36 RA) 

Se somos adoradores durante momentos de cultos religiosos, sejamos também adoradores em casa, no trabalho, no trânsito, na faculdade etc. 

Por último, um conselho: não dependa de um culto para adorar a Deus. A Deus seja a glória!

Em 13 de maio de 2012

Pastor Sólon Lopes Pereira  

 
Você tem talento!

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Com os olhos postos na bíblia podemos afirmar que Deus concede dons e talentos aos homens para quem desenvolvam tarefas especiais em favor de seu reino eterno. 
 Precisamos identificar e reconhecer que Deus tem um propósito em nosso talento. Em seguida, devemos nos esforçar para multiplicá-lo, de acordo com a capacidade que temos. Deus conhece a nossa capacidade individual (Mc 4:33 – Mt 25:15) e nunca exige de nós algo que não podemos dar ou aquilo que não tenhamos recebido Dele mesmo (1 Cr 29:14). Deus, também, nos reveste com as forças necessárias ao cumprimento da missão que nos for designada (2 Tm 4:17).

Passos para a multiplicação de seus talentos 

À luz da palavra de Deus, entendo que, para a multiplicação de nossos talentos e a obtenção de resultados expressivos, cinco passos podem ser dados: identificá-los; reconhecer sua origem e propósito divinos; estar atento e disponível ao chamado de Deus; desenvolvê-los; e estar em condições de ser habitação do Espírito Santo. 

Identificando seu talento 

Uma rápida reflexão pode nos fazer identificar algumas habilidades que temos desde o nascimento. Trata-se de ima inclinação natural para fazer certas coisas com uma facilidade que outras pessoas não têm. Ao fazer este auto-exame, seguramente, iremos reconhecer que temos algumas habilidades e dons naturais. 

Todo talento vem de Deus 

Quando entendemos que até mesmo o nosso talento é uma dádiva de Deus, que nos foi concedida para que seja utilizada nos seus propósitos, não temos qualquer dificuldade em oferecer nosso serviço a Deus sem cobrar por isso. 

 “Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai.” (Mateus 10:8 RA)

A título de exemplo de talento concedido por Deus para uma obra específica, podemos citar Bezalel. Este homem foi chamado para participar da obra do tabernáculo porque tinha, desde o seu nascimento, um talento e inteligência propícios ao desenvolvimento dos trabalhos artísticos do tabernáculo. Seu talento era inato, mas dado por Deus para um momento especial futuro. 

 “1 Disse mais o SENHOR a Moisés: 2  Eis que chamei pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, 3  e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência e de conhecimento, em todo artifício,” (Êxodo 31:1-3 RA)

A capacitação espiritual vem de Deus - seus filhos desfrutam dela 

O mesmo texto acima transcrito nos mostra que foi Deus quem encheu Bezalel com o seu Espírito Santo. Mas como Deus poderia fazer isso se Bezalel fosse um homem ímpio? Bezalel certamente tinha um modo de vida que não impedia que o Santo Espírito habitasse nele. Por isso foi chamado. Ora, sabemos que não há comunhão das trevas com a luz (2 Cor 6:14). Por isso, o Espírito Santo de Deus só pode habitar no novo homem, aquele que nasceu de novo. 

 “7 Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. 8  O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.” (João 3:7-8 RA)

 Ademais, o Espírito Santo de Deus habita em homens e mulheres que se santificam e se deixam conduzir pelo criador. Bezalel estava pronto para ser um instrumento nas mãos do mais sábio escultor. 

Desse modo, para que estejamos prontos para sermos usados por Deus é fundamental o enchimento do Espírito Santo e a preparação para o exercício do nosso ofício. Para isso, devemos ser novas criaturas, desejosos de fazer a vontade Deus, prontos para ouvir e atender ao seu chamado. 

Desenvolvendo o talento 

Deus não só permite que utilizemos o talento recebido em nosso favor como espera que façamos isso para desenvolvê-lo. O que aconteceria se Bezalel, apesar do talento que tinha, nunca tivesse exercido o ofício de artífice? Bezalel só pôde ser usado naquele propósito de Deus porque estava preparado para realizar aquela obra: o talento e a inteligência eram naturais, mas a experiência e o aperfeiçoamento decorreram do seu envolvimento naquele ofício ao longo de seus dias. 

Por isso, o desenvolvimento dos nossos talentos é fundamental, para que estejamos prontos para o momento em que Deus nos chamar. 

Deus pode contar com você? 

Embora todo talento concedido por Deus tenha um propósito divino a ser revelado em tempo oportuno, ainda que você não se disponha a utilizar seu talento em favor do reino de Deus, este talento o acompanhará por toda a sua vida, pois o dom e a vocação de Deus são irrevogáveis. Só prestaremos contas mais tarde, quando estivermos diante do nosso criador. 

 “porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis.” (Romanos 11:29 RA)

Deus não exige que nossos talentos sejam utilizados exclusivamente em sua obra, mas espera que estejamos disponíveis quando nos convocar para servi-lo. Podemos utilizar livremente os talentos que recebemos de Deus, mas não podemos recusar o chamado alegando que estamos ocupados utilizando nossos talentos para a realização de nossos interesses pessoais. Bezalel vivia do seu ofício, ou seja, utilizava seu talento para sua subsistência e era reconhecido no meio do arraial pela sua habilidade. Mas, quando Deus o chamou, se apresentou para servi-lo naquele propósito. 

Não é raro encontrarmos pessoas com muitas habilidades naturais. Algumas até reconhecem que foram privilegiadas por Deus pelos seus talentos, mas nunca estão disponíveis ou dispostos a realizar a obra de Deus aqui nesta terra. Estas pessoas se apropriam dos talentos concedidos por Deus e entendem que não devem nada a Deus. Não podemos ser assim, pois sabemos que um dia teremos que prestar contas a Deus pelo que nos foi confiado. 

 “19 Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. 20  Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei. 21  Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” (Mateus 25:19-21 RA)

Talentos improdutivos 

Todo talento humano será potencializado nas mãos do criador. Mesmo que Deus não retire de nós os talentos que nos concedeu desde o nascimento, podemos mantê-los enterrados e improdutivos (Mt 25:25). Ou, ainda, podemos desejar utilizá-los exclusivamente para nossos intentos egoístas, amargando insucessos aqui nesta terra (At 8:18-21), além de não termos como nos justificar diante de Deus quando formos chamados a prestar contas (Mt 25:26-30). 

O fato é que qualquer talento que tenhamos, se nos dispusermos para usá-los para Deus, estes talentos serão potencializados, ou seja, produzirão resultados muito maiores do que se os estivéssemos utilizando apenas para o nosso proveito. Quando Deus usa o homem talentoso, o talento se multiplica não só pela habilidade do homem tem, mas pela ação de quem é poderoso para multiplicar aquilo que lhe é oferecido. É bom lembrar que Jesus multiplicou os pães porque alguém lhe ofereceu o que tinha (Mt 14:17-19). O mesmo ocorreu com a viúva de Sarepta, quando viu a multiplicação do azeite e da farinha (1 Rs 17:12-16). A partir do que temos e oferecemos, Deus pode realizar o milagre da multiplicação. 

Por outro lado, quando as habilidades e dons humanos não são disponibilizados para o serviço de Deus, podem se tornar improdutivas ou mesmo produzir resultados medíocres. Talvez, depois da nossa análise inicial tenhamos percebido que alguns de nossos talentos foram deixados de lado em razão das circunstâncias da vida ou porque não fomos corajosos o suficiente para desenvolvê-los. 

Em alguns casos, pessoas dotadas de grandes talentos não desfrutam dos benefícios de suas habilidades e não produzem nada para o reino de Deus. Seus talentos nunca lhes proporcionaram uma vida diferenciada, nem no mundo nem na igreja. Ao contrário, seguem por este mundo como anônimos e fracassados. 

Há, também, aqueles que nunca desenvolveram seus talentos. São grandes músicos que nunca tocaram um instrumento ou nunca apresentaram uma música ao público. São grandes pintores que nunca pintaram um quadro. São grandes articuladores que nunca fizeram uma negociação importante. São pessoas eloqüentes que nunca defenderam uma tese etc. 

Na verdade, algumas ferramentas não têm valor algum nas mãos erradas. Ainda que eu tenha pincel, tinta e tela da melhor qualidade, o máximo que conseguirei é borrar a tela. O mesmo material nas mãos de um artista resulta numa bela e valiosa obra de arte.  Se eu tiver o mais caro piano em minhas mãos não produzirei nenhum som agradável aos ouvidos. O mesmo piano nas mãos de um músico resulta em uma sinfonia primorosa. 

De igual modo, muitos de nós só realizaremos algo grande com nossas habilidades naturais se nossos talentos forem manejados pelo Espírito Santo de Deus, com liberdade e para uma obra específica. 

A liberdade, a coragem e o incentivo também são importantes para o desenvolvimento dos talentos. Inúmeras pessoas dotadas de grandes talentos estão nos lugares errados, onde não podem desenvolver suas habilidades e também não têm coragem para alterar esta situação. Moisés foi colocado no palácio de Faraó para desenvolver suas habilidades de estadista (At 7:22), mas, mais tarde, se não tivesse deixado o Egito, não teria desenvolvido sua habilidade de pastor de ovelhas. 

Por isso, quando Deus tem um projeto a realizar por meio de nossas vidas, Ele nos coloca no lugar certo, onde possamos desenvolver nossos talentos com liberdade. O homem que distribuiu seus talentos aos seus servos ausentou-se do país, de modo que aqueles servos tiveram liberdade para trabalhar com o talento que haviam recebido (Mt 25:14). 

Corrigindo rumos 

Precisamos atentar para as nossas características hereditárias e verificar se a causa de nosso insucesso, apesar de sermos talentosos, não decorre de estarmos nas mãos erradas – às vezes nas nossas próprias mãos, utilizando nossos talentos apenas para nosso proveito pessoal. Neste caso, devemos compreender que provavelmente nosso dom natural só produzirá uma obra primorosa se utilizado segundo o chamado de Deus. 

Talvez seja a hora de encararmos a realidade. Será que nossos talentos não nos foram concedidos para a realização de um projeto especial na obra de Deus? Se chegarmos a esta conclusão, temos que desenvolver nossas habilidades para estarmos prontos para um momento especial.  Também, é fundamental que oremos a Deus, pedindo que Ele nos mostre algo mais acerca do nosso chamado e, principalmente, o lugar onde devemos estar, para que nossos talentos não fiquem enterrados. No momento certo, basta dizer: eis-me aqui, Senhor. O resultado, com certeza, será maravilhoso. 

Assim foi com Bezalel e assim pode ser com você. O talento de Bezalel o introduziu na história que seria anunciada pelos séculos dos séculos. Seu talento natural, concedido por Deus foi utilizado no momento certo porque ele estava na posição certa e não rejeitou o chamado.Que assim seja com você! 

Em 10 de outubro de 2008. 

Pastor Sólon Pereira

 
Sobrenatural

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Trata-se de excerto do estudo sobre "Dons Espirituais".

Após a leitura deste artigo, recomendo que você assista o vídeo "Sobrenatural" e sua mente irá se abrir para entender que nem toda manifestação sobrenatural, ainda que produzida no ambiente religioso, inclusive evangélico, procede de Deus. Ao final do vídeo apresento a única forma que você tem de se proteger de manifestações satânicas, mesmo que aparentemente produza benefícios imediatos, mas que ao final trará o resultado pretendido por quem a produziu.

“13  Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. 14  E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. 15  Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras.” (2 Coríntios 11:13-15 RA)

 Toda sorte de eventos sobrenaturais exerce sobre o homem algum tipo de sedução. Ele é atraído por tudo aquilo que não consegue explicar. As civilizações primitivas do passado naturalmente nutriam uma reverência pelas forças da natureza que não conseguiam explicar, chegando a considerá-las como deuses. 

O fato é que o homem se rende ao inexplicável, pois teme e reverencia tudo aquilo que lhe parece superior. E sobrenatural é exatamente isso: o superior ao natural, que as ciências humanas não podem explicar e provar. 

O sobrenatural fascina o homem e lhe dá, ainda, argumentos para abandonar a razão, pois passa a considerar que o sobrenatural é superior ao racional. Isso pode até ser verdade, mas é perigoso abandonar a razão, mesmo diante do sobrenatural. Aí está a armadilha em que muitos têm caído, mesmo os mais sinceros e inteligentes. 

Sim, o sobrenatural tem desvirtuado até mesmo as pessoas mais inteligentes, porque algumas delas, após constatar a existência de fatos sobrenaturais abrem mão da sua capacidade de pensar, de investigar e de questionar. Então, ficam vulneráveis a toda sorte de mal produzido pelo poder das trevas e pelos homens com elas comprometidos. Quem para de pensar, torna-se uma presa fácil. 

Por que? Porque Deus é sobrenatural e realiza coisas sobrenaturais, mas Satanás também é sobrenatural e igualmente realiza coisas sobrenaturais. 

Em todo seguimento dito religioso, espírita, místico, ufológico ou ocultista invoca-se o sobrenatural. E essas manifestações são capazes de causar nos humanos uma atração irresistível, a ponto de render suas mentes limitadas. Tanto é assim que todos nós conhecemos alguma pessoa inteligente, ponderada, sábia ou famosa que já tenha se rendido a alguma forma de adoração ou submissão ao sobrenatural.

É bom lembrar que as ocorrências sobrenaturais de origem de espíritos enganadores já eram manifestas no Antigo Testamento, a exemplo dos fatos registrados nas seguintes passagens bíblicas: 

“Porém os magos do Egito fizeram também o mesmo com as suas ciências ocultas; de maneira que o coração de Faraó se endureceu, e não os ouviu, como o SENHOR tinha dito.” (Êxodo 7:22 RA)

 “E queimou a seu filho como sacrifício, adivinhava pelas nuvens, era agoureiro e tratava com médiuns e feiticeiros; prosseguiu em fazer o que era mau perante o SENHOR, para o provocar à ira.” (2 Reis 21:6 RA) 

“Então, disse Saul aos seus servos: Apontai-me uma mulher que seja médium, para que me encontre com ela e a consulte. Disseram-lhe os seus servos: Há uma mulher em En-Dor que é médium.” (1 Samuel 28:7 RA) 

O fato a ser destacado é que nós não podemos aceitar qualquer manifestação espiritual sobrenatural sem prová-las e julgá-las, mesmo que elas ocorram dentro de um ambiente que identificamos como “a casa de Deus”. 

Dentro de um conjunto de manifestações espirituais, até mesmo incontestáveis, supostamente “procedentes de Deus”, há muito engano, manipulação e sutilezas das trevas.

Veja agora o vídeo, clicando aqui!

Em 6 de setembro de 2016. 

Pastor Sólon Pereira

 
Reino de luz e reino de trevas
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Por mais que não gostemos da ideia, a bíblia nos informa que Satanás é o príncipe deste mundo (João 12:31 – 14:30 – 16:11), visto que exerce um governo espiritual que influencia os filhos da desobediência. 
“nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência;” (Efésios 2:2 RA)

Satanás é o príncipe deste mundo desde o dia em que o primeiro homem pecou. A partir de então, homens e mulheres, afastados de Deus pelo pecado, passaram a integrar o âmbito de sua influência. 

E o governo de Deus e de Jesus? Segundo o evangelho de João, o reino de Jesus não é deste mundo (João 8:23 e 18:36). O reino de Jesus é transcendente e eterno. Começa com uma composição aqui na terra e não termina jamais. Os integrantes do reino de Jesus são todos aqueles que passam a viver debaixo de suas ordens, sob o seu governo (1 Pe 2:9) e pagando-lhe o que é devido. 

 20 E ele lhes perguntou: De quem é esta efígie e inscrição?21 Responderam: De César. Então, lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. (Mt. 22:20-21)

Os integrantes do reino de Deus estão protegidos pela muralha da fé e contam com um exército de anjos que lutam por eles na região celestial, enquanto enfrentam suas batalhas aqui na terra. Neste reino não falta nada (Sl 23), pois nele há abundante provisão. 

Mas, temporariamente, os cidadãos dos céu (Ef. 2:19) habitam este mundo, peregrinando nele, sem lhe pertencer (Hb 11:13). Os cidadãos do reino de Deus estão às suas ordens e não sob as ordens do príncipe deste mundo. Somente aqueles que seguem o curso deste mundo atendem às ordens de seu príncipe, cujos valores são totalmente diferentes dos valores do Rei dos reis. 

Os seguidores de Satanás, conscientes ou não, interiorizam seus valores, resultantes de seu caráter maligno, e realizam os seus projetos. Algumas características do caráter do Diabo são: vaidade, soberba, rebelião, auto-suficiência, mentira, ódio e maldade. Essas características não estão presentes no caráter de Jesus, que de modo humilde, manso e obediente demonstrou seu amor ao mundo. 

Aqui se pode aplicar o velho ditado popular: “diga-me com quem andas e eu te direi quem és”. Pelo fruto conhecereis a árvore, ou seja, é só observar o comportamento de algumas pessoas e o resultado de suas ações para saberemos quem a está influenciando. Se nela tiverem presentes, em maior proporção, as características do caráter de Deus (fruto do Espírito), podemos inferir que ela anda com Deus. Se os frutos forem bons, podemos deduzir que a árvore é boa. 

Do contrário, se a maior proporção dos resultados do comportamento do homem evidencia as características do caráter de Satanás, podemos deduzir que o mestre desse homem é Satanás.

“Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno.” (1 João 5:19 RA), ou seja, estamos em um mundo influenciado pelo maligno. E a maioria dos habitantes do mundo são seus seguidores fiéis. E os filhos de Deus? Estão aqui neste mundo em minoria, mas para fazer a diferença e manter acesa a chama da esperança de salvação: sal para uma terra amarga e luz para um mundo em trevas. 

Sendo assim, os filhos de Deus, que vivem no mundo, cujo príncipe é Satanás, apesar do contato direto e diário com seus seguidores e mestres (no trabalho, na escola, no trânsito etc.), só estarão livres de absorverem o caráter de Satanás se estiverem em contínuo relacionamento com Deus e com sua igreja. Os filhos de Deus devem desenvolver um íntimo relacionamento com Deus (oração, jejum e leitura da bíblia) e com os irmãos para que se unam em torno da missão deixada por Jesus à sua igreja. 

Observando isso, estaremos absorvendo cada vez mais a luz de Jesus, tal como Moisés que, após descer do monte Sinai, onde ficou em contato contínuo com Deus, voltou com um brilho sobrenatural em seu rosto (Ex. 34:29-35). De igual modo, o cristão, convivendo com Deus, ouvindo a sua palavra e trabalhando junto com sua igreja, absorverá a luz divina e será um transmissor de dessa luz ao mundo. Se nossas atitudes e relacionamentos não estão em conformidade com a natureza de Cristo, é porque estamos tendo pouco contato com a fonte de luz. Sem luz o cristão se torna parte do problema e não da resposta para o mundo. 

Daí a vital importância do nosso relacionamento com Deus, da nossa intimidade com Ele e com sua igreja: somos iluminados e passamos a ser transmissores da luz de Deus, que dissipa toda a treva e afasta de nós a influência do caráter do príncipe deste mundo. 

 “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?” (2 Coríntios 6:14 RA)

Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” (1 João 1:7 RA) 

Olhemos, pois, para os frutos que estamos produzindo enquanto cristãos. Para afirmarmos que estamos na luz, em comunhão com Deus, absorvendo seu caráter, devemos notar se, por acaso, não estamos produzindo frutos do caráter do príncipe deste mundo de trevas: vaidade, soberba, desunião etc.

 “9 Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. 10  Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço.” (1 João 2:9-10 RA)

Por isso Deus chama seu povo para andar na luz: “Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do SENHOR” (Isaías 2:5 RA). Deste modo, mesmo que estejamos habitando em um mundo em trevas, se estivermos em Jesus e em comunhão com a sua igreja, seremos todos um, e as portas do inferno não podem prevalecer (Mt. 16:18), uma vez que onde há luz as trevas não subsistem.

Em 01 de maio de 2014.

Pastor Sólon Pereira

 
Recomeçar

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Depois de uma noite festiva, acordei angustiado. Por que estou assim? Por que este aperto no peito? Por que aquela alegria não permanece no dia seguinte? Seria isto a síndrome da Cinderela, que depois de uma noite mágica, somos acordados com um tapa da realidade? Enquanto estava sob efeito das influências do conto de fadas, tudo era tão perfeito que não havia motivos para preocupações futuras. Afinal, nesse contexto de euforia, só pensamos que o amanhã será um desdobramento natural do hoje, uma maravilha! Então, vamos aproveitar a festa!

No dia seguinte, entretanto, o despertador parece uma trombeta anunciando que o inimigo se aproxima e que é hora de sair à peleja. Estou exausto, mas tenho que atender ao chamado da vida: “coloque sua armadura (uniforme ou terno), pegue suas armas (bolsa, carteira, caderno, livro, notebook e celular) e corra para se juntar com seus aliados que estão em formação na base de partida (ponto do ônibus). No campo de batalha (local de trabalho), seu comandante (chefe ou professor) já estará lá para passar todos em revista e anunciar a estratégia de combate (tarefas)”. Procure sobreviver!

 Bom, agora eu sei o significado da palavra “desencantamento”: é quando o efeito do feitiço passa. Minha mente já está livre da influência do álcool, das drogas, das músicas altíssimas e das conversas dos amigos que me alegravam. Daquele momento, na prática, só restou mesmo a dor de cabeça. 

Começo, então, o dia fazendo o que deve ser feito, mas sinto-me pesado, com um misto de vergonha, arrependimento e saudosismo, tudo ao mesmo tempo. Queria que o momento mágico não acabasse, mas acho que falei o que não devia e fiz o que não devia. Fui no embalo dos outros, mas agora é tarde. O jeito é conversar com meus amigos, aqueles que pensam como eu e, certamente, dirão que eu não devo me sentir assim e que não há razão para arrependimento ou sentimento de culpa! No final, vou ficar convencido de que está tudo bem e que valeu a pena, pois pelo menos eu me diverti, aproveitei a vida, sem culpas ou medos. 

 Será? E por que a angústia insiste em voltar? 

Vamos à realidade! 

A angústia é a dor de alma que Deus criou para nos dizer que algo não está bem. Do mesmo modo que a dor física nos aponta para uma agressão ao nosso corpo, que precisa cessar, a angústia nos mostra que nossa alma foi ferida e tem de se livrar do que a agride. Mas, o quê? E como? 

O fato é que o homem foi criado em santidade e imediatamente após isso foi posto sob a lei de Deus, o criador. Tanto nosso corpo quanto nossa alma foram programados com limites que devem ser respeitados. Quando não os observamos, a luz vermelha se acende para nos informar que devemos parar imediatamente com o excesso (pecado), sob o risco de quebra. Se não pararmos por nossa própria iniciativa, isso ocorrerá mesmo contra a nossa vontade. 

A dor de alma, angústia e desassossego (falta de paz) é a luz vermelha que se acende quando algo não vai bem, quando o pecado está agredindo nossa alma. Mesmo que, ao olhar ao seu redor, tudo lhe pareça certo, comum ou normal, havendo angústia e falta de paz, é porque a alma está sendo ferida. O próprio criador nos garante isso! 

“Não há paz alguma para os ímpios, diz o Senhor” (Isaías 48:22) 

Fugir de Deus, de seus princípios e de seus decretos nos coloca em franca rebelião contra o criador. Nessa condição funcionamos fora dos limites divinos e a luz vermelha se acende (falta paz) antes que ocorra a quebra (derrota, depressão ou morte). 

Quebrou? E agora? Quer consertar a máquina, trocar a peça com defeito para, em seguida, continuar a usá-la do mesmo modo que estava fazendo? A luz vermelha se acenderá novamente e a quebra subsequente será inevitável. Se não aceitarmos os limites da máquina, ela continuará quebrando até que chegue o dia em que não haverá mais recuperação. 

A solução de Deus, portanto, é começar de novo (recomeçar), do jeito certo. Isso implica mudança radical, que se se inicia com uma atitude mental, quando decidimos dar o primeiro passo: “eu quero, eu posso, eu devo”. A bíblia sagrada, com seus fatos, aponta nessa direção: 

"3 Israel esteve por muito tempo sem o verdadeiro Deus, sem sacerdote que o ensinasse e sem lei. 4 Mas, quando, na sua angústia, eles voltaram ao Senhor, Deus de Israel, e o buscaram, foi por eles achado. 5 Naqueles tempos, não havia paz nem para os que saíam nem para os que entravam, mas muitas perturbações sobre todos os habitantes daquelas terras. 6 Porque nação contra nação e cidade contra cidade se despedaçavam, pois Deus os conturbou com toda sorte de angústia. 7 Mas sede fortes, e não desfaleçam as vossas mãos, porque a vossa obra [atitude de buscar a Deus] terá recompensa. " (2 Crônicas 15:3-7) 

A atitude mental é importante nesta hora, mas deve ser sucedida por ação prática. Se sabemos que algo não vai bem, é necessário fazer a escolha certa e agir nesse sentido, para que nossa alma fique bem ajustada com a vontade de Deus (expressa em sua palavra), quando, então, experimentaremos o seu favor: 

"2 E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. " (Romanos 12:2) 

O próprio Senhor Jesus, certa vez afirmou: 

"3 A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." (João 3:3) 

Jesus nos chama a uma nova vida, mas não quer remendos na vida velha e na religião velha, já danificada. Ele nos propõe algo totalmente novo: 

"Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo tira parte da veste, e fica maior a rotura." (Mateus 9:16) 

Se tomarmos a decisão certa, nunca mais acordaremos com pesar na alma, pois a verdadeira paz (homem/Deus) se estabelecerá por todos os dias da nossa vida: 

"27 Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." (João 14:27) 

Não seria esta a hora de você recomeçar? 

Faça uma avaliação e reflita o quanto sua vida e sua religião “festivas” mas sem santidade, cheia de falsas amizades e de relacionamentos frágeis têm sido um contínuo de entorpecimentos, falsas esperanças, desconfianças, ciúmes, invejas, disputas e promessas desconectadas dos decretos de Deus. Veja bem e perceba se você não está vivendo de ilusões seguidas de desencantamentos e frustrações recorrentes que o fazem perder o seu ânimo diante de tantas decepções com tudo e com todos. 

Talvez, até agora você tenha vivido a angústia do dia seguinte ao conto de fadas, mas ainda assim se agarra nas ilusões de um mundo encantado que só se materializa por breves momentos de entorpecimento do seu ser. Por isso, você continua repetindo os mesmos erros e se juntando com as mesmas pessoas que alimentam sua mente com falsas alegrias e esperanças, algumas até religiosas, que se desfazem imediatamente após o despertar da realidade. Então, para não ficar “quebrado”, você volta ao mesmo grupo para que eles falem o que você deseja ouvir e o reanimem para continuar fazendo o mesmo que sempre fez e não lhe traz paz. Se você continuar a andar pelo mesmo caminho, não espere chegar em um lugar diferente. 

O criador lhe chama para uma nova vida, um novo caminho. 

Por que você não toma uma atitude? Não deixe que o medo do novo impeça que você rompa com o que lhe faz mal. 

Queremos encorajá-lo a tomar uma atitude em favor de seu futuro. 

Faça-nos uma visita e veja como o evangelho de Jesus é simples, mas eficaz!

"E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. " (2 Coríntios 5:17) 

Em, 18 de março de 2015.

Pastor Sólon Pereira 

 
Um sonho de liberdade 
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No ano de 2016 sofremos por um descuido. A cerca que separa a casa do quintal não ficou bem trancada e nossos dois pastores alemães invadiram o galinheiro e mataram boa parte das galinhas.

Para revitalizar a criação, compramos 38 pintinhos.

Como eles não tinham uma galinha para cuidar deles, nós os deixamos trancados no interior do galinheiro por algumas semanas, porque temíamos que fossem maltratados pelas galinhas e pelos galos que haviam sobrevivido ao ataque dos cães.

Quando os pintinhos se tornaram maiores, abrimos o galinheiro para que eles pudessem sair para o quintal.

Curiosamente, eles não saíram. Preferiram permanecer no interior galinheiro por muitos dias, mesmo podendo aproveitar todo o espaço do quintal.

Aos poucos, alguns deles começaram a se arriscar e apenas um pequeno grupo continuou confinado, mesmo estando as portas abertas.

Observando essa situação, notei que o mesmo acontece com pessoas que ficaram muito tempo em alguma seita religiosa, onde não há liberdade verdadeira.

Essas pessoas só se sentem seguras quando estão sob o controle da seita, quando tem alguém decidindo por elas. Estão acostumadas a serem manipuladas, dirigidas, cerceadas, vigiadas e a fazerem apenas o que as mandam fazer. Por isso, quando saem ficam perdidas, sentem-se como um peixe fora d'água e acabam voltando.

Elas não sabem ser livres, porque nunca foram honestamente instruídas para a vida em liberdade. Foram criadas para serem escravas do sistema religioso. Assim como pássaros criados em gaiolas não sobrevivem se forem soltos, pessoas criadas em seitas se perdem na liberdade.

Sugiro que você assista o filme "Um sonho de liberdade", que ilustra bem esse fato em uma de suas partes. Brooks (James Whitmore) é um homem que permaneceu tanto tempo preso que, quando foi liberto, não encontrou sentido para sua vida fora da cadeia. Não tinha amigos, não tinha projetos e não tinha mais motivação. Enfim, acabou suicidando, o que nos mostra que o estado de espírito pode ser mais limitador do que os muros de uma prisão.

Sobre esse mesmo assunto, escrevi um texto:  "A caverna de Platão", disponível em nossa página de estudos: http://celeiros.com.br/estudos

Em, 26 de junho de 2016.

Pastor Sólon Pereira 

 
Preciso de pastor?

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Deus, ao estabelecer a igreja, instituiu, também, sua liderança - pastores. Escolheu homens para conduzi-la nesse amor, instruindo-a para a formação de um caráter que produza o fruto do Espírito.
Mas Jesus nos advertiu: o inimigo semeou joio na plantação de trigo (Mt. 13:25) e não há como separá-los antes da colheita (Mt. 13:30). Por isso, não é de se estranhar que nem todos os integrantes da igreja estejam produzindo o fruto do Espírito de Deus, já que o joio é estéril.
A advertência bíblica não parou por aí. No livro de Atos, Deus alertou para outro ataque do maligno contra a igreja – a infiltração de lobos vorazes (At. 20:29). Mais uma vez, não estranhamos quando notamos que alguns rebanhos estão sendo consumidos pelo ódio, pelo egoísmo, pela vaidade, pela soberba, pela avareza, pelo sectarismo e pelo materialismo. Quando vemos isso, temos a sensação de que o lobo (Satanás) não está apenas infiltrado no meio do rebanho (igreja), mas o está conduzindo.

Na verdade, Satanás, por causa das brechas que encontrou na igreja (disposição ao materialismo), está imprimindo em mentes desprotegidas seus valores e muitas das características de seu caráter. Qualquer um dos sentimentos malignos listados acima, em boa medida, são suficientes para afastar Deus do coração do homem. 

O que fazer diante de tudo isso? Resistir ao Diabo (Tg. 4:7), lutando contra sua influência no meio da igreja. Se fugirmos, se nos omitirmos, se desanimarmos, se nos segregarmos ou nos isolarmos seremos presas fáceis e estaremos facilitando a obra maligna de Satanás que deseja destruir a igreja. 

Mas, como resistir? Primeiramente, devemos rejeitar a propaganda de Satanás que anuncia que todos os pastores são lobos e que toda igreja é joio. Isso nada mais é que mentira e engano. Nenhuma das falhas da igreja, ou de sua liderança, podem ser generalizadas. Há falhas porque há joio e porque há lobo infiltrado, mas trigo é trigo e ovelha é ovelha. Não podemos, realmente, esperar que a igreja seja perfeita nessas condições, mas não podemos dizer que tudo é joio ou que tudo é lobo. 

Outra coisa que podemos fazer é lutar pela nossa união. A união da igreja fiel não é ecumenismo, como podem pensar os segregacionistas. A união da igreja somente a fortalece na luta contra as obras malignas. 

Para tanto, é necessário, de pronto, começarmos a eliminar de nosso meio a auto-suficiência e a soberba. Alguém sabe de onde vêm? De Satanás, é claro. Ele quer que a ovelhinha se sinta poderosa como um búfalo e com a visão de uma águia. É tudo que ela precisa para dizer: não preciso de pastor, não preciso da igreja, sou livre, independente e auto-suficiente. E isso tem acontecido em grande escala nos dias atuais. Cada vez mais pessoas, decepcionadas com o joio e com o lobo no meio da plantação e do rebanho, preferem se afastar da igreja e seguir o caminho do isolamento. Isso também acontece com algumas denominações, que julgam que todas as outras são compostas de joios e lobos. 

É aí que mora o perigo, pois o lobo está se aproveitando da desgarrada e da segregada. No caso da ovelha desgarrada, normalmente, somente quando a estiver frente a frente com o lobo perceberá o seu verdadeiro tamanho e quem ela é de fato. Verá que aquilo que ela pensava que eram músculos poderosos são, na verdade, uma macia carne na boca do lobo. Saberá, então, que a sua proteção e a sua força não estavam nela, mas na estrutura em que ela estava, qual seja: na igreja e no ministério que a cobria com proteção, com direção e com cuidados.

Por que Deus comparou o homem a uma ovelha? Porque a ovelha tem algumas características interessantes: é mansa (não dá coice, não dá cabeçada e nem morde), é obediente (ouve a voz do pastor e o segue), vive em rebanho, necessita de cuidados e é dependente de proteção (não sabe se defender sozinha). Ovelha precisa de pastor. 

Jesus é, de fato, o supremo pastor. Entretanto, o ensino de que o servo de Deus não precisa de pastor aqui nesta terra é uma sutileza satânica. Interessa somente a Satanás que os homens fiquem dispersos, desligados da igreja, alheios à sua missão e crendo que são autônomos e que não precisam de uma cobertura espiritual sobre suas vidas, já que todos os homens são falhos, inclusive os pastores. 

Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. (Atos 20:29)

Não restam dúvidas quanto à falibilidade humana. Todos os homens são falhos e pecadores, mas Deus, em seus inquestionáveis desígnios, trabalha com frágeis vasos de barro (2 Cor. 4:7 – 1 Cor. 1:27). Para determinada tarefa, escolheu, separou, ungiu e deu autoridade a certos homens para governarem, para exortarem, para pastorearem e para protegerem outros homens (ovelhas). Esses escolhidos e vocacionados, muitas vezes, têm que se colocar nas brechas deixadas pelo rebanho para resistirem ao Diabo. 

Deixando para trás os exemplos de Moisés, Josué, Davi, dos profetas, dos apóstolos etc., seguem, para nossa reflexão, apenas textos explícitos do novo testamento sobre a questão:

 E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres,(Atos 20:28)

 Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. (Efésios 4:11)

"pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade;3  nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho." (1 Pedro 5:2-3)

"7 Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram. (...) 17 Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros. (...) 24 Saudai todos os vossos guias, bem como todos os santos. Os da Itália vos saúdam." (Hebreus 13:7, 17, 24) 

 “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” (Hebreus 10:25 RA)

Como visto, precisamos tanto da igreja como de pastores. Sabemos da existência de lobos infiltrados, que gostam de se aproveitar da gordura das ovelhas, mas quanto a isso já estamos advertidos. A bíblia não nos recomenda o isolamento ante a existência de lobos. Ao contrário, ensina-nos a identificá-los (“pelos frutos os conhecereis” – Mt. 7:15-20) e a vigiarmos para não deixarmos de ser edificados na igreja por causa da cobiça deles (At. 20:29-34). 

Quando deixamos de acreditar nos pastores e na igreja, estamos creditando vitória a Satanás e admitindo que sua estratégia de combate à igreja tem sido suficiente para invalidar o propósito de Deus, que é de edificar uma igreja e usar homens imperfeitos. 

Por isso, devemos observar os frutos produzidos pelos pastores e, sendo bons, temos que confiar neles como pessoas chamadas por Deus para trabalhar pelo nosso bem-estar espiritual (pasto verdejante e água), reconhecendo que não somos auto-suficientes. Também, devemos reconhecer que nossa visão é limitada e que os pastores nos ajudam a desenvolvermos relacionamentos saudáveis no meio da igreja, porque não podemos viver sozinhos. E, por último, devemos compreender que os pastores são responsáveis pela defesa do rebanho, já que o pastor não foge ante a presença do lobo, antes luta para livrá-las de suas garras. 

Toda ovelha precisa de pastor. O lugar da ovelha é no meio do rebanho. Não podemos aceitar a sugestão de Satanás, que quer influenciar o homem com os valores deste mundo e com sua natureza maligna. Para tanto, ele quer afastar o homem da igreja e deixá-lo bem longe do ministério pastoral, para que possa impregná-lo, livremente, com o pecado, que o conduzirá, rapidamente, à destruição. 

Satanás, infiltrando na igreja, quer desmoralizar e desacreditar os ministérios porque ele sabe que esta é uma eficiente forma de dispersão dos rebanhos, deixando-os como presa fácil. Satanás não fará propaganda dos bons pastores, que dão suas vidas pelo rebanho e se dedicam a ele dia e noite. Mas, apresentará, como troféu, aqueles que falham em sua missão, colocando-os em relevo para que o homem fique com a impressão que todos são assim e que não merecem confiança nem consideração. 

Há milhares de exemplos de pastores segundo o coração de Deus. Porém, estes não estão na televisão, porque a ocupação com as ovelhas tomam-lhes todo o tempo. Estes estão no campo, cuidando das ovelhas, dedicando tempo a elas, ouvindo-as, chorando com elas, lamentando pelas desgarradas e lutando para resgatá-las da boca do lobo. Todos estes sofrem quando os “grandes nomes” do evangelho, aqueles que estão em evidência, são causa de escândalo e tropeço para o povo de Deus, dificultando, ainda mais, o alcance de novas vidas para o aprisco do Senhor. 

Por fim, é bom que saibamos que o pastor comprometido com o evangelho do Senhor Jesus sabe de quem é a propriedade do rebanho. Por isso, não confina o rebanho como se fosse seu, evitando o contado com ovelhas que estão sob o cuidado de outro pastor. A ovelha precisa sair ao campo. O pastor que cuida do rebanho do Senhor, conforme o modelo deixado por Jesus, sabe que as ovelhas do seu aprisco conhecem a sua voz e, mesmo que se misturem nos pontos de encontro dos pastores, quando cada um for recolher o seu rebanho, as suas ovelhas o seguirão. 

Em 14 de setembro de 2009. 

Pastor Sólon Pereira

 
Separados pelo cristianismo?

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Segundo podemos observar na palavra de Deus, o povo judeu, após tomar a terra de Canaã não deveria absorver seus costumes pagãos, ou seja, suas práticas cultuais a outros deuses, bem como sua cultura, consideradas incompatíveis com o padrão de Deus para o homem. 
O Deus de Israel, o único e verdadeiro Senhor, estava se manifestando a um povo escolhido e separado, desde Abraão, para abençoar todas as famílias da terra.

 Com esse propósito, o Senhor mandou que Moisés transmitisse ao povo, ainda no deserto, a ordenança para que eles não fizessem segundo as obras dos antigos moradores de Canaã, para onde eles estavam sendo conduzidos (Lv. 18). 

 Disse mais o Senhor a Moisés: 2 Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Eu sou o Senhor, vosso Deus. 3 Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos. 4 Fareis segundo os meus juízos e os meus estatutos guardareis, para andardes neles. Eu sou o Senhor, vosso Deus. (Lv. 18:1-4)

É importante destacar que os costumes dos habitantes da terra de Canaã incluíam práticas contrárias à preservação da família, razão pela qual Deus as considerou abominações. Deus não queria que o povo, por meio do qual ele estaria abençoando todas as família da terra, admitisse a prática do adultério, do incesto, do sacrifício de crianças, de relações sexuais entre pais e filhos, de relações homossexuais e de outras perversões, que abrem portas à lascívia e à destruição das famílias (Lv. 18:6-30).

Especialmente por essa razão, os judeus não davam suas filhas em casamento a homens de outras nacionalidades, com o fim de preservar a cultura, o culto e os princípios de Deus para a família. O casamento de um judeu com uma pessoa de outra nacionalidade só era admitido se essa pessoa fosse um prosélito, ou seja, se ela adotasse a cultura, o culto e os princípios de Deus estabelecidos para o povo judeu. 

No novo testamento, a figura é semelhante quanto ao casamento dos cristãos. Paulo, com o mesmo propósito de preservação da família, em torno dos princípios cristãos, desaconselha um relacionamento entre um crente e um incrédulo, ou seja, de alguém que aceitou os princípios de Jesus para a sua vida com alguém que não os admite. A idéia é exatamente a mesma. Deus não quer que a família esteja unida em tudo, inclusive quanto aos princípios morais e espirituais estabelecidos por Ele, uma vez que esses princípios preservam a família e são benéficos para toda a sociedade. Paulo sabia que os costumes mundanos eram contrários aos cristãos, uma vez que tanto os romanos quanto os gregos admitiam relacionamentos prejudiciais à família, senão vejamos: 

 Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? 15 Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? 16 Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 17 Por isso, retirai-vos do meio deles separai-vos, diz o Senhor não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, 18 serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. (2 Cor. 6:14-18)

 Com base nesses ensinos bíblicos, o autêntico cristão que ainda não se casou procura um cônjuge que tenha os mesmos princípios bíblicos que os seus, pois o que une as pessoas em um relacionamento é o que elas têm em comum e não suas divergências. 

Infelizmente, esses ensinos por vezes são distorcidos no meio evangélico. Isso ocorre sempre quando há tendência ao isolamento de igrejas que não compartilham da perfeita compreensão do corpo de Cristo. Neste caso, a preocupação não é a mesma posta por Deus, a da preservação da família. O interesse passa a ser a preservação da doutrina sectária. Algumas igrejas chegam ao ponto de criar obstáculo ao casamento de um jovem com membro de outra denominação cristã, ainda que se trate de evangélicos com linhas doutrinárias semelhantes. 

Na verdade, Deus nunca aprovou a divisão de irmãos, independentemente de quantas denominações possam haver. Não é nada compreensível, sob a ótica do evangelho do Senhor Jesus, que uma igreja cristã se sinta a dona da verdade, a única detentora da revelação de Deus, ou a única que compreende adequadamente a vontade de Deus para a humanidade, a ponto de adotar uma postura arrogante e soberba diante das demais, isolando-se e isolando seus membros, sob o argumento de que está evitando a contaminação. Contaminação só há quando o puro se mistura com o impuro. As divergências entre evangélicos podem até existir quanto à forma de culto ou outros aspectos procedimentais, mas jamais haverá divergências do ponto de vista do caminho da salvação e da paz com Deus. Se uma igreja, dita evangélica, não se alinha, quanto ao mérito da salvação, com as demais igrejas evangélicas, deve-se suspeitar que não se trate de uma igreja evangélica. 

Como povo de Deus, queremos a divisão ou a união? Qual será a justificativa, diante de Deus, para que uma igreja evangélica crie obstáculos ao relacionamento entre jovens com os mesmos princípios bíblicos e com a mesma profissão de fé? 

Infelizmente, há denominações que punem seus membros se eles se relacionarem ou se casarem com membros de outras igrejas. Como se faz isso? Nunca explicitamente. O desestímulo está dentro do seguinte contexto: 

a) fixa-se na mente do fiel que a igreja que ele freqüenta é a única que agrada plenamente a Deus, a única detentora da pura revelação de Deus e a única que compreende adequadamente a vontade de Deus para a humanidade; 

b) incute-se na mente dos fiéis que as demais igrejas possuem práticas que são consideradas abominações a Deus e que estão perdidas, desorientadas e rumando para o misticismo e para a morte, uma vez que não possuem o entendimento, a sabedoria, o zelo e a direção de Deus que eles têm; 

c) utiliza-se os ensinos que mostram que Deus deseja manter separado um povo puro e santo, que não deve se misturar nem se contaminar com outros povos que não sigam as leis de Deus; 

d) compara-se os membros das demais igrejas com os povos que possuem práticas abomináveis a Deus, uma vez que possuem cultos diferentes dos seus e entendimentos diversos sobre a bíblia, que não conferem com as revelações particulares e exclusivas de Deus para eles; 

e) os jovens são ministrados sobre o exemplo do casamento de Isaque com Rebeca, ou seja, devem aguardar uma revelação ou um sinal de Deus que os dirigirá, seguramente, a se casarem com alguém do seu próprio povo. Com certeza, Deus jamais revelará que o futuro cônjuge do jovem seja alguém que não seja membro daquela igreja. Qualquer revelação neste sentido será discernida como algo que não vem de Deus; 

f) se o jovem iniciar um namoro com um membro de outra igreja será afastado de suas funções na igreja. Tal disciplina serve para pressioná-lo a desistir desse relacionamento, além de servir como exemplo aos demais jovens, que saberão as conseqüências desse tipo de relacionamento misto; 

g) ainda como forma de dar um recado indireto aos jovens, a igreja não realiza casamentos entre membros da igreja com membros de outras denominações, deixando claro seu entendimento de que essa atitude é reprovável por Deus, já que a igreja sequer pode realizar essa cerimônia; 

h) a única possibilidade que um jovem tem de levar adiante a pretensão de um relacionamento com um membro de outra denominação é se a outra pessoa aderir à sua igreja sectária, tornando-se um prosélito. 

Dentro deste contexto, dificilmente um jovem que sofra essa influência admitirá a possibilidade de um relacionamento com alguém que não faça parte de sua denominação. Admitir essa possibilidade implicaria em perder sua comunhão com o grupo e sua salvação, já que ele está convicto de que não há salvação em outro lugar. Afinal, desde seus primeiros passos na fé aprendeu que não há outra igreja como a sua, que leve a sério a vontade de Deus e que cumpra fielmente a vontade do criador. 

De modo geral, as pessoas que tiveram suas crenças formadas com base na influência sectária possuem uma estrutura psicológica que faz delas vítimas de uma ilusão de grandeza, muitas vezes aliada a um obstinado sentimento de orgulho pessoal. Esse sentimento contribui para criar neles a ilusão de que possuem a verdadeira fé salvadora, e de que são os guardiões e defensores da única verdade sagrada e os ministradores da revelação divina para a humanidade que se acha emaranhada num cristianismo que foi deturpado por teólogos e filósofos e, portanto, precisa ser restaurado por meio dos esforços deles. 

É bom ressaltar que esse é um comportamento de exceção. O povo evangélico não é assim. De modo geral o povo de Deus busca a união e a superação das suas diferenças para que possam conviver de modo harmonioso, pois sabe que a casa dividida não prospera. 

O povo de Deus deseja a união em torno dos valores eternos para a preservação da família e da salvação de todos os homens. É necessário, para tanto, que não sejamos soberbos a ponto de seguirmos o caminho do isolamento. Temos que discernir corretamente o que vem a ser pureza e impureza aos olhos de Deus, o que Deus deseja preservar quando ordena a união de pessoas com os mesmos princípios bíblicos e qual o mandamento ensinado por Jesus: amar a Deus e ao próximo. Associe-se ao mandamento de Jesus o ensinamento sobre o corpo de Cristo e teremos direção segura para buscarmos relacionamentos harmoniosos, sem a influência do sectarismo. 

Por fim, fica o alerta. Voltemos os nossos olhos da fé para Jesus e saberemos qual a melhor postura a ser adotada quanto aos relacionamentos afetivos dos jovens cristãos. 

Em 30 de agosto de 2008 

Pastor Sólon Pereira

 
O poder das crenças

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O cérebro humano, quando se concentra em alguma coisa, não se concentra em outras, pois sua estrutura só tem a capacidade de prestar atenção em cinco a nove coisas de cada vez. Por isso, seleciona o que considera mais importante para o momento. A atenção do homem é ativada para tudo aquilo que confirme suas crenças, ao passo que aquilo que as confronte tendem a não receber atenção ou avaliação.

Quando a pessoa registra determinada crença em seu cérebro, todos os fatos que pareçam comprovar essa crença passam a ser destacados como fatos que merecem atenção. Por exemplo: se o membro de uma seita acredita que somente os integrantes de seu grupo são realmente felizes, sua mente estará sempre captando as imagens de felicidade, harmonia e sucesso dos membros de seu grupo. Sua percepção estará embotada para perceber em que quantidade ou proporção há infelicidade ou desarmonia em seu meio. De igual modo, não conseguirá enxergar a felicidade e harmonia das pessoas que servem a Deus em outras denominações. Mas, todo fato que indique desarmonia ou infelicidade em outra denominação receberá especial destaque em sua mente. 

Isso, porque há uma estrutura na base do cérebro humano chamada Susbstância Reticular Ativadora (SRAA), que funciona como um filtro. O cérebro comunica-se com a SRAA e ela responde. Uma pessoa que sofra uma violência por parte de um indivíduo com determinado aspecto físico terá registrado pelo SRAA em seu cérebro a conclusão de que as pessoas com aquela fisionomia são perigosas. Assim, sempre que se deparar com outra pessoa com aquelas características relacionará o fato passado e terá algumas atitudes quase inconscientes de defesa. E sempre que houver algum fato criminoso que envolva uma pessoa com aquelas características vai acreditar que tem razão em pensar do modo que pensa. O cérebro dela só vai prestar atenção em dados que reforçam a sua crença. 

O mesmo ocorre quando estamos interessados em comprar ou compramos ou um carro de uma determinada marca e modelo. Parece que, de repente, uma enorme quantidade de pessoas têm carro da mesma marca e modelo que o nosso. O que ocorre é que aquilo que achamos bom, certo ou agradável receberá toda a atenção positiva da nossa parte e tenderemos a dar destaque àquilo que consideramos bom e àquilo que confirme que nossa posição está correta e é a melhor. 

 De modo geral, as pessoas que tiveram suas crenças formadas em uma congregação sectária possuem uma estrutura psicológica que faz delas vítimas de uma ilusão de grandeza, muitas vezes aliada a um obstinado sentimento de orgulho pessoal. Esse sentimento contribui para criar neles a ilusão de que possuem a verdadeira fé salvadora, e de que são os guardiões e defensores da única verdade sagrada e os ministradores da revelação divina para a humanidade que se acha emaranhada num cristianismo que foi deturpado por teólogos e filósofos e, portanto, precisa ser restaurado por meio dos esforços deles. 

Em 23 de agosto de 2008 

Pastor Sólon Pereira

 
Neocatolicismo

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Por séculos o catolicismo foi dominante na cultura religiosa brasileira. Deixar essas raízes não é nada fácil. Segundo Augusto Nicodemus, “grande parte dos evangélicos no Brasil tem alma católica”. E tal observação advém das tendências manifestas nas preferências religiosas que hoje se manifestam, entre elas: o gosto por bispos e apóstolos; a ideia de que pastores são mediadores entre Deus e os homens; o misticismo supersticioso no apego a objetos sagrados; e a ideia de que somente pecados sexuais são realmente graves.

Cada uma dessas tendências está devidamente explicada no livro “O que estão fazendo com a igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro” do citado pastor. Neste momento, o que nos interessa é apenas chamar a atenção para o fato de que nossas raízes nos atraem.

 O fato é que a atração por misticismo é uma das particularidades marcantes de nossas raízes religiosas e culturais, o que favoreceu, também, o desenvolvimento das religiões africanas e do próprio espiritismo em território nacional. 

Quando observamos a grande migração de pessoas das principais religiões africanas, católicas e espíritas instaladas no Brasil para igrejas neopentecostais, notamos que tal fato foi facilitado pela aproximação existente entre elas, uma vez que todas aceitam Jesus como mentor espiritual e, além disso, possuem práticas e rituais semelhantes. 

Mas, além da semelhança, os neopentecostais possuem um diferencial decisivo para atrair os fiéis de outros segmentos religiosos -  a permissão irrestrita ao materialismo. Enquanto católicos e espíritas preferem a humildade e o altruísmo como princípios espirituais para a prática cristã, as igrejas neopentecostais incentivam toda sorte de ganância, vaidades e exibicionismos em torno das posses materiais. A generosidade só é incentivada em relação às doações para a igreja, mas com o fator egoísta por trás, uma vez que se dá pensando em receber muito mais em troca do que se deu. 

Eis, portanto, a fórmula para o grande deslocamento de pessoas das denominações de tradição católica, africana e espírita para as igrejas neopentecostais: Jesus, misticismo e materialismo. 

Interessante notar que algumas denominações evangélicas de origem tradicional e pentecostal foram influenciadas pelo sucesso dos neopentecostais e passaram a adotar diversas de suas práticas. Esses, entretanto, estão regredindo enquanto aqueles estão progredindo, uma vez que o materialismo é um adicional ao que já praticavam. Mas, no final, pairam todos no mesmo lugar. Augusto Nicodemus chama tal movimento de “neocatolicismo tardio”: 

 “Quando vejo o apego de grandes massas ditas evangélicas às práticas medievais católicas – de objetos ungidos e consagrados para culto a Deus, busca por bispos e apóstolos, recurso a práticas supersticiosas - , pergunto-me se, ao final das contas, o neopentecostalismo brasileiro não é, na verdade, um filho da Igreja Católica medieval, uma forma de neocatolicismo tardio que surge em nosso país onde até os evangélicos têm alma católica. (os grifos não constam do original) 

Outra observação a respeito do perfil dos “neocatólicos” é que eles não gostam de ler a Bíblia. É fácil perceber que a maioria das pessoas que se dizem católicas não têm hábito de leitura bíblica. Uma conversa com os católicos que você conhece revelará tal fato. Em sua maioria, os que dizem ler a bíblia com regularidade nunca a leram por completo. 

 Tal característica se repete no ambiente neopentecostal – até os que dizem que leem a Bíblia com frequência nunca a leram “de capa a capa”. Na verdade, eles se satisfazem com experiências pessoais e testemunhos. Tendo isso, tudo o mais que precisam são de leituras feitas dentro da igreja, onde são conduzidos aos textos que confirmem suas experiências e práticas. Evidentemente, quem assim procede não terá preocupação com o contexto ou com a interpretação sistemática em face do conteúdo completo da Bíblia. A esse respeito, Augusto Nicodemus afirma que a classe “neocatólica” não tem compromisso com as Escrituras Sagradas e, com isso, coopera com o enfraquecimento do estudo da Palavra de Deus: 

Um dos efeitos mais destrutivos dessa mentalidade romanista é que pavimentou em vários aspectos o caminho para a entrada do liberalismo teológico no cenário evangélico. Pois o ponto central dessa mentalidade é, em última análise, o enfraquecimento das Escrituras como a Palavra de Deus, a única regra de fé e prática. A autoridade e a mediação dos bispos e apóstolos, o uso de objetos ungidos como pontos  onde a fé se apoia, a ênfase em determinados pecados em detrimento de outros igualmente condenados na Bíblia serviram para enfraquecer a autoridade das Escrituras dentro do evangelicalismo. Assim, o catolicismo preparou os evangélicos para aceitarem outra fonte de autoridade além da Bíblia”.

Curioso notar que esse movimento de enfraquecimento do estudo da palavra de Deus já ocorreu no passado. No século IV, a partir de decreto do Imperador Constantino, o cristianismo tornou-se a religião oficial do Estado Romano e, naquele tempo, houve uma grande migração de pagãos para o cristianismo sem que se notasse a verdadeira conversão que se segue ao arrependimento de pecados. Houve, na verdade, uma adesão progressiva de pessoas ao cristianismo. Para acomodação dos novos cristãos foi necessário, aos poucos, adoção de costumes e práticas religiosas não retirados da Palavra de Deus. Assim surgiram os dogmas católicos. 

Uma vez que a palavra de Deus perde a exclusividade como orientadora da moral e das práticas religiosas, os homens começam a se desviar da vontade do Senhor. Assim, surgem excessivas preocupações com o poder terreno e, consequentemente, aparecem disputas por posições sociais e políticas. Segundo Raimundo de Oliveira, em seu livro “Seitas e Heresias: um sinal do fim dos tempos”, essa foi uma das causas da decadência da igreja do primeiro século: 

A decadência doutrinária, moral e espiritual da Igreja começou quando milhares de pessoas foram por ela batizadas e recebidas como membros, sem terem experimentado uma real conversão bíblica. Verdadeiros pagãos que eram, introduziram-se no seio da Igreja trazendo consigo os seus deuses, que, segundo eles, eram o mesmo Deus adorado pelos cristãos. Nesse tempo, homens ambiciosos e sem o temor de Deus começaram a buscar posições na Igreja como meio de obter influência social e política, ou para gozar dos privilégios e do sustento que o Estado garantia a tantos quantos fizessem parte do clero. Deste modo, o formalismo e as crenças pagas iam-se infiltrando na Igreja até o nível de paganizá-la completamente. 

Tal fato histórico, parece repetir-se, mas com contornos de modernidade. Recentemente as estatísticas começaram anunciar um rápido crescimento da igreja evangélica no Brasil. Mas, será que estamos observando conversões ou adesões à igreja evangélica? 

É fato que temos assistido uma migração de muitas pessoas de religiões de origem africana, católica e espírita para o grupo dito evangélico. Mas, é fato também que não conseguimos observar grandes diferenças em suas práticas, em seus gostos ou em seus valores espirituais e morais como víamos no passado quando um católico se convertia em uma igreja evangélica. 

Inclusive, nessa “nova comunidade evangélica”, nota-se um verdadeiro apego à suntuosidade dos templos e à representatividade sobrenatural dos “homens de Deus” (apóstolos e bispos), assim como existia na igreja católica medieval. 

De outra parte, é muito comum ver essas lideranças evangélicas modernas se divorciarem de suas esposas assim como fazem os católicos espíritas e umbandistas. Se antes conseguíamos perceber diferenças nas vestes, no falar e no comportamento de um convertido, isso já não é tão fácil hoje. Dentro dessa nova comunidade evangélica, quem está mais próximo da liderança consegue perceber que há muita vaidade, amor ao dinheiro e concorrência por poder com o mesmo espírito faccioso que notamos entre as disputas entre os ímpios. 

Com esse comportamento, parece que os evangélicos de hoje são tão modernos em suas práticas e costumes quanto os católicos medievais, razão pela qual a referência a um “neocatolicismo tardio” não parece ser absurda se observarmos bem o que está acontecendo em nosso tempo. Afinal, tirando a Maria, o que mudou? No lugar dos santos, colocam-se os apóstolos modernos. No lugar da idolatria por bonecos, coloca-se a idolatria por templos e por dinheiro. No lugar das indulgências, têm-se objetos ungidos. No lugar do transe próprio do candomblé coloca-se o reteté e o “cai-cai”. No lugar dos dogmas coloca-se a doutrina extra-bíblica. No lugar das oferendas às entidades, colocam-se os sacrifícios em dinheiro. No lugar das promessas para se alcançar benefícios terrenos, colocam-se as campanhas. No lugar das danças africanas colocam-se as coreografias. E assim por diante... 

Enfim, quem não aprende com a história, está fadado a repeti-la. Até a cruz, que era um símbolo de maldição no tempo de Jesus já é um objeto reverenciado nos templos neocatólicos. 

Em 28 de julho de 2016 

Pastor Sólon Pereira

Referência bibliográfica:

OLIVEIRA. Raimundo de. Seitas e heresias: Um sinal do fim dos tempos. Ed. CPAD.

NICODEMOS. Augustus. O que estão fazendo com a igreja: ascenção e queda do movimento evangélico brasileiro. São Paulo. Ed. Mundo Cristão.

 
Músicas e ritmos evangélicos

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Texto baseado no livro: “Uma igreja com propósito”, de Rick Warren.

Quando o assunto é louvor a Deus, todos já temos um conceito pré-concebido do que é bom ou ruim. Essa nossa percepção decorre da nossa bagagem cultural. No Brasil, que tem uma grande extensão territorial, podemos notar a variedade de ritmos e que o ritmo que agrada o baiano não é o que mais agrada o gaúcho ou o mineiro etc. A depender da região, o gosto se altera. Nossas raízes culturais determinarão o nosso gosto musical.

Por essa razão, devemos compreender que o ritmo do louvor sofre a mesma influência cultural. Não é razoável dizer que o louvor espiritual é somente aquele oriundo da Europa de 200 anos atrás, ou aquele com ritmos derivados dos louvores de 40 anos atrás. Não existe nenhuma base bíblica para esse ponto de vista. 

Deus não criou um ritmo sagrado, mas criou as notas musicais. O que faz uma música sagrada é a sua mensagem. A música não é nada mais do que um arranjo de notas musicais e ritmos. Quem criou as notas musicais foi Deus e não Satanás. Não é porque Satanás usa a bíblia para fundamentar a fé de muitas das seitas atualmente existentes é que vou ter que abandonar os textos que ele (Satanás) usa. São as palavras que fazem uma música espiritual. Não existe música cristã, mas, sim, letras cristãs. Se fosse tocada uma música sem palavras, nós não saberíamos se é cristã ou não. Há muitas músicas clássicas famosas que são de autoria de servos do Senhor. Também, há músicas clássicas compostas por pessoas usadíssimas por Satanás. Se colocarmos duas dessas músicas clássicas para tocar e não dissermos quem compôs cada uma delas, como poderíamos saber qual delas é a música que um ou outro compôs, se o ritmo usado nas duas é semelhante? 

Segue, um trecho do livro “Uma Igreja com Propósitos”, de Rick Warren, para nossa reflexão: 

“A mensagem sagrada de uma música pode ser comunicada em uma grande variedade de estilos musicais. Por dois mil anos, o Espírito tem usado todos os tipos de músicas para dar glória a Deus. É necessário todo o tipo de igrejas, usando todos os tipos de estilos musicais, para alcançar todos os tipos de pessoas. Insistir que um estilo de música em particular é sagrado é idolatria. 

Esse mesmo autor, também disse o seguinte:  “Divirto-me toda vez que escuto um crente que resiste à música contemporânea dizer: ‘Precisamos voltar às raízes musicais’. Fico me perguntando quanto tempo para trás ele quer ir. Voltar para o canto gregoriano? Voltar para as melodias da igreja de Jerusalém? Normalmente eles só querem voltar 50 ou 100 anos”. 

Algumas pessoas afirmam que os "hinos" mencionados em Colossenses 3:16 se referem ao mesmo tipo de música que hoje chamamos de hinos. A verdade é que não sabemos como soavam os hinos deles. Temos conhecimento que as igrejas do Novo Testamento usavam o estilo de música que combinava com os instrumentos e a cultura daqueles dias. Uma Vez que eles, obviamente, não tinham pianos ou órgãos para acompanhá-Ios, a música da época não soava como a música de nossas igrejas. 

Lemos nos Salmos que na adoração bíblica usavam tambores, címbalos, trombetas, tamborins e instrumentos de corda. Isso me parece música contemporânea!” 

Opa! Alguém diria que címbalos e tamborins são instrumentos de samba? E que samba tem origem no paganismo? Melhor, então, é apagar esses textos da bíblia, da mesma forma que o texto bíblico que conclama os varões a orarem a Deus com mãos levantadas deve ser ocultado dos ensinos bíblicos, pois isso é “movimento” (1 Tm. 2:8). Agora, devemos admitir que se Miriã fosse membro de algumas igrejas ditas Evangélicas seria condenada (disciplinada ou mesmo expulsa) por ter levado muitas mulheres a cantarem e a dançarem ao som de um tamborins. Senão vejamos: 

(Êxodo 15:20)  A profetisa Miriã, irmã de Arão, tomou um tamborim, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamborins e com danças. 

Seguramente, é melhor não afirmar que uma atitude é carnal ou não. Devemos deixar isso para Deus julgar, pois ele conhece o coração dos homens. Não devemos imitar o fariseu, que com uma mente carnal, escondida em roupas santas, palavreado rebuscado e profundos conhecimentos das escrituras, julgaram até mesmo o comportamento do filho de Deus, Jesus, como se fosse impuro. 

Ter uma vida com Deus é mais importante que simplesmente ter uma “religião” que esteja preocupada em condenar os outros, ao invés de amar.  É bom lembrar que a soberba precede a ruína, segundo a palavra de Deus (Prov. 16:18). 

Também é muito interessante o que disse Rick Warren, na mesma obra já citada, acerca da história do louvor nas igrejas: 

“Por toda a história da igreja, os grandes teólogos têm colocado a verdade de Deus no estilo musical de seus dias. A música de "Castelo Forte", hino composto por Martinho Lutero, é emprestada de uma canção popular cantada nos bares de sua época (hoje, Lutero provavelmente estaria usando músicas de um karaokê). Charles Wesley usava as canções populares das tavernas e das casas de ópera da Inglaterra. John Calvino contratou dois músicos seculares para colocar sua teologia em música. A rainha da Inglaterra estava tão aborrecida com essas "canções vulgares" que se referia agressivamente a elas como as "cantarolas de Genebra" de Calvino! 

As canções que consideramos clássico-sagradas já foram criticadas, assim como a música cristã contemporânea. Quando ‘Noite Feliz’ foi publicada, George Weber, diretor musical da Catedral de Mainz, a chamou de vulgar, vazia de religiosidade e de sentimentos cristãos. Charles Spurgeon o grande pastor inglês e conhecido como o ‘príncipe dos pregadores’ detestava as canções contemporâneas de seus dias, as mesmas que hoje reverenciamos. 

Talvez o mais difícil de se acreditar é que o Messias de Handel foi amplamente condenado como um ‘teatro vulgar’ pelos religiosos de seus dias. Como o criticismo dos corais contemporâneos de hoje, a canção Messias foi rotulada como tendo muitas repetições e pouca mensagem. O Messias contém quase cem repetições da palavra ‘aleluia!’ 

Mesmo a consagrada tradição de cantar hinos, em outros tempos foi considerada ‘mundana’ em igrejas batistas. Benjamin Keach, um pastor batista do século 17, é visto como o introdutor de hinos nas igrejas batistas inglesas. Ele começou a ensinar as crianças a cantar o que gostavam. Os pais, por outro lado, não gostavam de cantar hinos. Estavam convencidos de que aquelas canções eram ‘estranhas à adoração evangélica’. 

Uma grande controvérsia aconteceu quando o pastor Keach tentou introduzir canções para toda a congregação em sua igreja, na cidade de Horsley Down. Em 1673, finalmente, ele conseguiu que concordassem em cantar um hino depois da Ceia do Senhor, usando um texto inspirado em Marcos 14:26. Ainda assim, Keach permitia que aqueles que se opunham saíssem antes do hino. Seis anos depois, em 1679, a igreja concordou em cantar um hino em "dias de ação de graças". 

Mais catorze anos se passaram antes de a igreja concordar que cantar hinos era apropriado para adoração. A controvérsia custou caro. Ela fez com que 22 membros da igreja de Benjamin Keach saíssem e se juntassem a uma ‘igreja não-cantante’. Mesmo assim, a moda de se cantar hinos pegou em outras igrejas e as ‘igrejas não-cantantes’ logo começaram a chamar somente pastores que gostavam de cantar. Como as coisas mudam! Você pode retardar o processo e perder com isso, mas você não pode pará-lo

A coisa mais impressionante para mim, nesse incidente com o pastor Keach, é a sua incrível paciência. Ele levou 22 anos para mudar o estilo de adoração de sua igreja. Em uma igreja normal, é mais fácil mudar a teologia do que a ordem do culto

Uma de nossas fraquezas, como evangélicos, é que não conhecemos a história da igreja. Por isso, começamos a confundir nossas tradições atuais com ortodoxia. Muitas ferramentas e métodos que usamos na igreja hoje, como: cantar hinos, utilizar pianos e órgãos, fazer apelos e mesmo a Escola Dominical, já foram considerados mundanos e até mesmo heréticos. Agora essas ferramentas são amplamente aceitas. 

Entretanto, temos uma nova lista negra. As objeções de hoje são contra itens como coreografias, sintetizadores, bateria, teatro na igreja, vídeo etc. 

O debate sobre qual estilo de música deve ser usado na adoração vai ser  um dos maiores pontos de conflitos nas igrejas nos próximo anos. Toda igreja vai, mais cedo ou mais tarde, enfrentar este assunto. Esteja preparado para uma discórdia calorosa. James Dobson certa vez admitiu em seu programa Focus on the Family (Foco na família) o seguinte: "De todos os temas que já cobrimos em nosso programa de rádio, do aborto até a pornografia, o mais controverso foi quando falamos sobre música. Você pode fazer com que as pessoas se aborreçam quando discute o seu gosto musical mais do que qualquer outro assunto". O debate sobre os estilos de musica tem dividido e polarizado muitas igrejas. Acho que é por isso que Spurgeon chamava seu ministério de música como o “Departamento de Guerra”. 

Por que as pessoas levam tão a sério quando discordam sobre os estilos de louvor? Isso ocorre porque a maneira que você adora está intimamente ligada com a forma que Deus lhe fez. A adoração é a sua expressão pessoal do amor a Deus.  Quando alguém critica a forma que você adora, isto naturalmente é encarado como uma ofensa pessoal.”

Queremos reforçar que o modo de adorar a Deus pode ser variado e a única pessoa que pode dizer se é bom ou ruim é Deus e ninguém mais. 

A nossa experiência é que adorar a Deus com as mãos levantadas (que para os tradicionais pode ser “movimento”) é simplesmente maravilhoso. Quando experimentamos isso nunca mais desejamos participar de um culto cuja liturgia exija que os braços fiquem cruzados. Veja-se que o que é sinônimo de “sabedoria” para uns, é escravidão para outros. Mas, quem deve julgar o que é certo ou errado é Deus e não nós. Se você ama a adoração sincera e com liberdade não deve se importar com as críticas dos crentes tradicionais. E, quanto aos tradicionais, devem adorar a Deus do modo que acham correto sem se voltar contra aqueles que adoram com mais liberdade. 

 Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. (2 Coríntios 3:17)

Em vez de olharmos para a forma de adoração do outro, devemos estar atentos aos frutos da nossa própria adoração: há curas? Há libertações? Há alegria do Espírito Santo? Há paz? Então, louvado seja o nome do Senhor!!! 

Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom ou a árvore má e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.  (Mateus 12:33) 

 Aleluia! Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento, obra do seu poder. 2  Louvai-o pelos seus poderosos feitos; louvai-o consoante a sua muita grandeza. 3  Louvai-o ao som da trombeta; louvai-o com saltério e com harpa. 4  Louvai-o com adufes e danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flautas. 5  Louvai-o com címbalos sonoros; louvai-o com címbalos retumbantes. 6  Todo ser que respira louve ao SENHOR. Aleluia! (Salmo 150:1-6)

Em, 11 de maio de 2006. 

Pastor Sólon Pereira.

 
Você envergonha o evangelho? 

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Divórcio, novo casamento, papel do homem e da mulher, ministério feminino, disciplina/correção, obediência a pastores, decência, moral e política são assuntos cuja abordagem eclesiástica atual sofreu nítida mutação no contexto moderno. Estamos assistindo a um esforço de adaptações bíblicas, com “ajustes” da doutrina cristã para colocá-la em diálogo com a cultura e com os tempos atuais. Isso, sob o argumento de que não se pode basear o comportamento humano moderno, mesmo o cristão, em uma religião desenhada em uma cultura de dois mil anos atrás.
Por isso, a tendência hoje é realizar interpretações que ajustam a bíblia a padrões modernos e amplamente aceitos pela sociedade. Em vez do texto bíblico afetar o comportamento, é o comportamento que tem afetado o texto bíblico.

Eis, portanto, a principal razão para a igreja aceitar sutis, mas significativas, modificações no “Evangelho de Cristo”. Há quem diga que esses ajustes da visão cristã são necessários porque não se pode manter o arcaico entendimento de Paulo, por exemplo, porque ele vivia em um tempo e em uma cultura completamente diferente da nossa. Por isso, o que Paulo diz em alguns textos específicos não se aplicaria ao nosso tempo e à nossa cultura. Pretender seguir seus conselhos do modo como estão escritos afastaria o homem da igreja e inviabilizaria a evangelização, uma vez que hoje é inimaginável, por exemplo, colocar a mulher em um plano de submissão.

Nesse mesmo sentido, hoje é corrente o entendimento de que “temer a Deus” não é ter medo da possibilidade de seu juízo. Então, temor passou a significar respeito, pois essa é a palavra que melhor se compatibiliza com o “amor de Deus”. A propósito, a própria expressão “amor” já é uma mutação da antiga e eliminada expressão “caridade”. Enquanto o termo original “ágape” apontava para “atitude altruísta”, a releitura moderna faz com que esse termo se limite ao sentimento de ternura e afeição. Assim, a distorção de uma expressão bíblica provoca novas distorções até que tenhamos o moderno “evangelho” onde Deus, que é bom, não deve punir seus filhos, pois isso iria contra a sua natureza. Somente o Diabo, que é mau, pode infligir sofrimentos na vida do homem, mas Deus não, ainda que o homem necessite de correção por seu pecado.

Quando modificamos textos e expressões das escrituras sagradas para amenizar seu conteúdo moral e tornar Deus mais aceitável aos homens, estamos, na verdade, declarando que nos envergonhamos da sua santa Palavra. No fundo, nós também achamos que Deus não deveria ser tão severo em suas expressões, pois o que todos querem é um Senhor que não mande, que não exija, que não proíba e não que condene o pecador. Queremos um Deus que não tenha preferências e que não vá de encontro aos nossos desejos e ambições egoístas e materialistas. Sim, para não parecermos ridículos, temos receio de dizer a uma mulher que Jesus não as escolheu para o ministério. Então, preferimos forçar exercícios de interpretação variados, catando exemplos obscuros daqui e dali, distorcendo algumas realidades para admitirmos algo que Jesus não incluiu em seus propósitos.

Também, parece desumano dizer aos humanistas que Deus odeia o divórcio, que não aprova a tão comum indecência ou a promiscuidade dos jovens e que uma igreja séria deveria ter um pastor com coragem para exercer disciplina em face dos membros que promovem escândalos ou optam por viver deliberadamente no pecado. Como ninguém quer parecer insensível e passar pelo desconforto da reprovação social secularista, esses elementos da doutrina cristã estão em desuso.

Seja qual for a argumentação, o que acontece realmente é que os humanistas e seus adeptos, com seus conceitos morais modernos e acepções do que seria razoável admitir dos religiosos, estão levando as pessoas a se envergonharem do Evangelho de Cristo do modo como foi originalmente apresentado. 

Acrescento a esta reflexão com as palavras de T. A. McMahon:

“Envergonhar-se do Evangelho expressa-se por meio de uma série de atitudes diferentes, desde ficar embaraçado com ele até supor que alguém possa melhorá-lo um pouco para torná-lo mais aceitável (...) Exemplos mais sutis incluem tentativas de fazer o Evangelho parecer menos exclusivista, ‘abrandando’ as consequências do pecado, como a ira de Deus e o lago de fogo, das quais o Evangelho de Jesus nos livra.

Prevalece entre muitos líderes religiosos, que professam ser cristãos evangélicos (ou seja, cristãos crentes na Bíblia), a promoção de um evangelho mais aceitável, que possa até mesmo ser admirado pelas pessoas do mundo inteiro. Hoje em dia, a forma mais popular desse tipo de evangelho é conhecida como ‘evangelho social’."

Portanto, sabendo que Deus não se submete às mudanças culturais e que “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hb 13:8), não nos envergonhemos de suas palavras!

“Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.” (Marcos 8:38 RA)

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;” (Romanos 1:16 RA) 

Em, 13 de agosto de 2015.

Pastor Sólon Pereira

 
O culto judaizante

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Você já viu isso?

Você já percebeu que a igreja moderna está influenciada pelo experimentalismo, gnosticismo e humanismo antropocêntrico? 
Você já notou que grandes líderes religiosos, até mesmo de denominações tradicionais, que comandam associações de pastores são maçons? 
Você já observou a invasão da cultura judaica nas denominações neopentecostais? 
Você acha que essas coisas procedem do evangelho de Jesus ou dos ensinamentos dos apóstolos à Igreja? 
Talvez, você já tenha visto dentro de sua igreja, além da cruz, diversos símbolos judaicos, óleos para ungir coisas e realizar rituais de libertação, shofar (chifre de animal), menorás (candelabros), estrela de Davi, estolas (mantos especiais) e outras cerimonias que misturam rituais da Lei com o culto da igreja. 

A confusão se instala porque, afinal, a maioria dessas coisas foram tiradas da bíblia, não é mesmo?

Entretanto, o conhecimento da bíblia e da história da igreja podem nos ajudar a entender que estamos voltando ao passado. Sim, mas não para reaver a essência do evangelho, mas para romper com ele. 

Releia os evangelhos e a história do nascimento da igreja no livro de Atos dos Apóstolos e observe a realidade do evangelho da salvação ensinado por Jesus e a simplicidade da igreja que nasceu com os ensinamentos dos apóstolos. 

Posso parecer radical para quem já se acostumou com o neopentecostalismo, mas a realidade é que as práticas introduzidas na igreja moderna são, na verdade, anticristãs e já foram fortemente combatidas nos primeiros séculos da igreja de Jesus, quando nicolaítas, judaizantes e gnósticos tentaram introduzir suas doutrinas na igreja de Jesus. 

Dos ensinamentos de Nicolau (abomináveis, segundo o apóstolo João – Ap 2:6, 15) surgiram as intenções de se dominar sobre o povo com hierarquias, em vez de se exercer liderança espiritual servidora, como nos ensinaram Jesus e Paulo. Daí, também, aflorou o instinto carnal de se exercer poder eclesiástico, com distanciamento do povo, com soberba e com torpe ganância por posição e riquezas. 

Os judaizantes queriam que os cristãos gentios cumprissem a Lei de Moisés, com suas proibições, imposições, festas e rituais, a exemplo da circuncisão. Isso chegou a provocar um concílio dos apóstolos em Jerusalém, ocasião em que foram reprovadas tais influências no meio da igreja, ao passo que ficou definido que aos gentios não se deveriam impor práticas judaicas. Mas, a praga parece que nunca se erradica completamente. Ela vai e volta, uma vez que a antiguidade e a mística do judaísmo sempre atrai muita gente. Ainda no século IV em oito homílias Adversus Judaeos (Contra os Judeus), João Crisóstomo (347 - 407) prega contra essa doutrina. Ainda hoje, são vários os grupos ditos cristãos que observam práticas judaizantes, em palavras, ritos e culto, afirmando que os que assim não fazem se tornam malditos por transgredirem “a Lei do Eterno”. Por outro lado, o Judaísmo legítimo vê essa imitação dos não-judeus como um sacrilégio às suas tradições sagradas. 

Por último, temos os gnósticos que tentaram por séculos sincretizar filosofia com cristianismo, misturando toda sorte de conhecimentos humanos, inclusive os místicos, com os ensinamentos bíblicos. Chegaram a ser reconhecidos como praticantes da "Alta Teologia", mas perderam força ao serem declarados heréticos pelos intelectuais cristãos que decidiram combater as heresias que estavam maculando o evangelho de Cristo. 

Pois bem, o desconhecimento do Novo Testamento e da própria história nos leva a repetir os mesmos sacrilégios do passado e a admitir ensinamentos e práticas heréticas como se fossem novas revelações para a igreja do nosso tempo. 

O fato é que temos hoje os mesmos movimentos heréticos infiltrados na igreja. A igreja virou uma grande massa de manobra de homens poderosos, maçons, ocupantes de altos cargos eclesiásticos e políticos, que entram nas casas das pessoas pela TV, pelo rádio e pela internet, mas estão distantes do povo. Reúnem grandes multidões em seus eventos, apresentando seus conceitos, ideologias e práticas enquanto afastam os homens de suas pequenas igrejas, onde poderiam ser visitados, cuidados e assistidos. 

Os nicolaítas são poderosos e adorados, são rochas submersas nas festas de fraternidade, banqueteando-se às custas das contribuições dos pobres. Estes só cuidam de si mesmos. São estrelas errantes, pois estão em destaque na mídia, mas dão mau testemunho com suas vidas desregradas e distantes do padrão de Jesus Cristo. 

Nessa mesma linhagem de homens poderosos estão os que manipulam as pessoas por meio de apresentações de um poder cuja origem é altamente duvidosa, uma vez que suas práticas não encontram amparo nas escrituras sagradas. Não é difícil notar a quantidade de rituais antibíblicos com suas linguagens judaizantes que mais se parecem cabala evangélica recheada de misticismo. Se no tempo do Apóstolo Paulo havia judeus exorcistas que não seguiam Jesus nem Paulo (At 19:13), hoje temos a mesma quantidade de exorcistas que igualmente não se importam com os ensinamentos nem de Jesus nem de Paulo. 

Entretanto, é fácil perceber a fascinação dos homens por demonstração de poder sobre espíritos malignos. A ênfase, agora, está especialmente nos movimentos de libertação, altamente associados à hipnose de palco (quem conhece, sabe o que eu estou dizendo). Vejam o vídeo que coloquei no site (http://celeiros.com.br/videos-religiao#ul-id-72-3). Neste vídeo tem uma parte que mostra um pouco sobre a hipnose de palco. 

Por último, o sincretismo religioso moderno tem revelado que o gnosticismo está de volta. São comuns as grandes reuniões da igreja onde a bíblia é apenas pano de fundo para se introduzir ensinamentos das ciências humanas. Lê-se um ou dois versículos bíblicos apenas como ilustração, enquanto toda a mensagem é um desenrolar de ensinamentos da psicologia, da filosofia, do humanismo e da necessidade material dos ouvintes. 

Diante disso, devemos conhecer as escrituras sagradas, a história e ser mais observadores, para não decairmos da graça e ter Jesus apenas como a cereja do bolo, enquanto o conteúdo dos ensinamentos dentro da igreja baseiam-se em experiências pessoais, distração da mente com mantras (música evangélica repetitiva, às vezes apenas instrumental, mas insistente enquanto mensagens subliminares são plantadas nas mentes), efeitos visuais que impressionam (pessoas rodopiando ou caídas no chão aos prantos "cheias do poder de Deus"), enquanto outros manifestam demônios e amedrontam quem está assistindo. 

O fato é que o contexto que apresentamos é o ambiente perfeito para se empurrar no público incauto conceitos judaizantes sobre pureza, santidade, autoridade, fidelidade, contribuições financeiras, gnosticismo, sincretismo etc. Apesar do fundo de verdade que os envolvem, normalmente possuem alguma distorção que não permitem que se sustentem diante de um estudo minucioso e paciente da palavra de Deus. 

Por essa razão os gurus evangélicos do nosso tempo não gostam de teologia e nem de estudos sistemáticos da Bíblia. Chegam a fazer chacota dos estudiosos, como se fossem uns coitados que estudam, estudam, mas nunca veem o "poder de Deus". 

Fica a dica: a Palavra de Deus é o nosso guia e fundamento da nossa fé! Cuidado com os ensinamentos dos experimentalistas que distorcem as escrituras sagradas e mutilam os valores mais básicos do evangelho de Cristo. 

Se você já havia notado isso, procure se aprofundar no conhecimento da essência dos ensinamentos de Jesus. Estude seus princípios básicos e elementares e viva esse evangelho simples, mas eficaz para lhe garantir a salvação. 

Em, 12 de outubro de 2016. 

Pastor Sólon Pereira

 
Deus não usa pessoas em cativeiro

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Há alguns anos vivia em uma outra denominação cristã. Hoje, olhando para o que vivia no passado, considero que a velha liturgia me prendia e me tolhia. O formato do culto não podia ser alterado sob qualquer hipótese. Apenas a alta liderança da igreja poderia fazer o que quisesse. Vindo deles, qualquer novidade era uma bênção. Vindo de baixo, tudo era desobediência, passível de punição, às vezes pública. Creio que a simples expectativa de punição gerava angústia e medo na membresia. Ante isso, ninguém ousaria fazer coisas simples como levantar as mãos aos céus em um culto, ou mesmo colocar-se de joelhos se sentisse vontade. Palmas! Nem pensar! Isso é coisa de movimento!

Nesse contexto, cercado de proibições de coisas que, a meu ver, Deus não proíbe, eu consentia com tudo e até admirava tal comportamento, pois a obediência (às normas da igreja, sutilmente confundida com a obediência a Deus) era a primeira lição recebida no primeiro seminário que um novo convertido podia fazer, desde que já previamente preparado para receber esse ensino. 

Sempre tive desejo de cursar teologia, mas isso, na prática, era proibido. Ou seja, embora ninguém dissesse que era proibido, os ensinos da igreja deixavam bastante claro que isso era um simples estudo da letra, e “a letra mata”. Uma vez que isso era dispensável, já que Deus revelava todos os seus mistérios na igreja onde eu estava, insistir em cursar teologia seria uma afronta de minha parte e me custaria as atividades que eu realizava na igreja. 

Ir a outra denominação religiosa era impensável, pois isso seria conivência com “movimentos religiosos” dirigidos por homens carnais. Tudo aquilo que não viesse da liderança da igreja era tido como “religião” e que todas elas acabariam no misticismo e na morte. Contato com crentes de outras denominações era contaminação e, por isso, deveria ser evitada. Contato com ex-membros da igreja era proibido, pois eram pessoas caídas e perigosas, que poderiam trazer alguma contaminação ou maldição. Se o ex-membro fosse um membro da família, ainda assim o contato deveria ser evitado. A aproximação a um ex-membro só era admitida se o ex-membro estivesse arrependido e quisesse, humildemente, voltar e declarar o quanto foi louco em sair da igreja. 

 A leitura de livros era desaconselhada. Mas, mesmo sabendo que um pastor, como eu era, não seria bem visto se devorasse a literatura evangélica, comecei a ler. Logo de início, li o livro Heróis da Fé, de Orlando Boyer, e fiquei impressionado com a ousadia e coragem com que alguns servos de Deus enfrentaram as trevas e a influência da religião instituída para, com poder, ganhar inúmeras almas para o reino de Deus. 

Com base nesse conhecimento inicial, procurei ler o que esses “Heróis da Fé” deixaram de herança escrita. Descobri que muitos deles escreveram enciclopédias inteiras, como é o caso de Dwight L. Moody, Finney e outros. 

O caminho foi solitário e árduo, pois ainda que eu lesse alguns livros não tinha com quem conversar a respeito, pois isso seria mal visto. Ademais, se eu questionasse algo, me repreenderiam com os clássicos “não toqueis nos meu ungidos”, ou com o “não julgueis para que não sejais julgados”, “obedecer é melhor que sacrificar” etc. Somente hoje, depois de três anos afastado daquela primeira influência, compreendo que esses versículos eram usados fora do contexto bíblico, e só serviam para atemorizar e desestimular qualquer tipo de questionamento, impedindo totalmente que alguém conseguisse discutir uma prática ou doutrina da igreja. Desse modo, eu tinha dificuldades para compreender que havia salvação em outro lugar que não fosse aquele que eu estava. Isso, até que li o livro de Dwight L. Moody, “O Poder Secreto” (CPAD, 2ª Edição, 1998, pp. 38/40). Uma luz brilhou no fim do túnel. Em princípio, não conseguia entender coisas que hoje percebo que são óbvias, mas minha percepção estava embotada. Eu estava muito insensível ao Espírito de Deus. Ainda era muito arrogante e achava que sabia tudo, mas acabei dando crédito a Moody, já que conheci sua história e percebi que ele era uma árvore com muitos frutos. Eu me perguntava: “o que Deus viu naquele homem para ele ser usado com tanto poder e graça? Por que não vejo essas coisas acontecendo hoje na minha vida e na minha igreja?” As respostas não vinham imediatamente, mas eu notava que quase tudo que lia contrariava o que eu tinha aprendido como verdades inquestionáveis. 

O texto que vou reproduzir, a seguir, muito me chamou a atenção. Cheguei a grifar algumas passagens, mas mesmo assim não conseguia enxergar o óbvio. Hoje, sei do que Moody falava, há quase 150. É incrível como as coisas se repetem apesar do transcorrer de séculos!Sei que alguns leitores de mesma origem que eu já devem estar irritados com minhas palavras, mas vale a pena ler o texto que segue, pois não foi eu quem escrevi, mas um servo de Deus com frutos infinitamente maiores que os meus: 

A última coisa que encontramos em muitas igrejas é a liberdade. 

“A dádiva seguinte que o Espírito de Deus nos dá é a liberdade. Em primeiro lugar, Ele nos dá amor, para em seguida nos inspirar esperança e, então, nos dar liberdade. Atualmente, esta é a última virtude que encontramos em níveis suficientes em nossas igrejas. Lamento dizer que num bom número delas terá de haver um funeral antes que possam começar a trabalhar. Precisamos enterrar bem fundo o formalismo para que ele nunca mais ressurja. A última coisa que encontramos em muitas igrejas é a liberdade. 

É trabalho pesado pregar para críticos de mente carnal... 

Se acontece de o Evangelho ser pregado, as pessoas criticam, como fariam se se tratasse  de um desempenho teatral. Sempre acontece exatamente a mesma coisa, e a maioria dos professos cristãos nunca pensa em ouvir o que o homem de Deus tem a dizer. É trabalho pesado pregar para críticos de mente carnal, mas ‘onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade’ (2 Co 3:17). 

Muito freqüentemente, uma mulher ouve uma centena de palavras boas em um sermão, podendo ser que um único detalhe tenha lhe chamado a atenção negativamente, como se houvesse algo um pouco fora de lugar. Então ela vai para casa, senta-se à mesa e fala abertamente diante dos filhos , ampliando aquele único pormenor errado sem dizer uma palavra sequer acerca daquela centena de palavras boas que foram ditas. É desse modo que se comportam as pessoas que fazem críticas. 

Deus não usa pessoas em cativeiro... 

Deus não usa pessoas em cativeiro. Muitos estão na condição de Lázaro quando saiu do sepulcro, de mãos e pés atados. A bandagem ainda não havia sido retirada de sua boca, e por isso não podia falar. A vida nele estava, e teria sido uma declaração falsa dizer que Lázaro estava morto, porque ele acabara de ser ressuscitado dos mortos. Há um grande número de pessoas que, no momento em que falamos com eles e insinuamos que não estão fazendo o que deveriam, respondem: ‘Eu tenho vida; sou crente’. Isso não pode ser negado, mas tais pessoas estão de mãos e pés amarrados. 

Que Deus rompa essas algemas e liberte seus filhos, de modo que sejam verdadeiramente livres! Creio que Ele vem nos libertar, porque é seu desejo que trabalhemos para Ele e dEele falemos. Quantas pessoas gostariam de se levantar em uma reunião de oração para dizer algumas palavras por Jesus, mas há na igreja um espírito de censura tão isento de sensibilidade que ninguém ousa se manifestar. Não há liberdade para fazê-lo. Se se levantam, estão tão aterrorizados por esses críticos que começam a tremer e se sentam. Não conseguem dizer nada. Como tudo isso é errado! 

Onde quer que você veja a obra do Senhor em franco progresso, verá esse Espírito de liberdade.... 

O Espírito de Deus vem simplesmente para dar liberdade. Onde quer que você veja a obra do Senhor em franco progresso, verá esse Espírito de liberdade. As pessoas não terão medo de falar umas com as outras. Quando o culto termina, ninguém se levanta apressado, chapéu na mão, como quem quer ser o primeiro a sair da igreja, mas todos ficam a se cumprimentar, havendo, então, liberdade. Um grande número de crentes vai aos cultos de oração apenas por mero e frio senso de dever. Pensam: tenho de ir, porque sinto que é meu dever. Não consideram um glorioso privilégio reunir-se para orar, ser fortalecido e ajudar alguém nessa jornada no deserto. 

O que precisamos hoje é ter amor em nossos corações. Será que não queremos? Não desejamos ter esperança em nossas vidas? Não ansiamos ser cheios de esperança? Não nos interessa a liberdade? Contudo, tudo isso é obra do Espírito de Deus. Oremos a Deus diariamente para que nos dê amor, esperança e liberdade. 

Lemos em Hebreus 10:19: ‘Tendo, pois, irmãos, liberdade para entrar no Santuário’. Podemos entrar no Santuário com plena liberdade de acesso para suplicar por esse amor, liberdade e gloriosa esperança. Não descansemos até que Deus nos dê poder para fazermos a sua obra. 

...preferiria morrer a viver como uma vez vivi, como um mero crente nominal... 

Se é que hoje conheço meu coração, preferiria morrer a viver como uma vez vivi, como um mero crente nominal, sem qualquer utilidade para Deus no estabelecimento do seu Reino. Parece-me ser uma vida pobre e vazia para ser vivida só para si mesmo. 

Busquemos ser úteis na seara do Senhor. Procuremos ser vasos adequados para o uso do Mestre, a fim de que Deus Espírito Santo possa brilhar plenamente através de nós.” 

"Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (João 8:36 RA) 

Se queremos ser libertos, temos que lançar fora toda arrogância, soberba e vaidade. Não podemos agir como os fariseus que “tudo sabiam”, mas negavam a palavra do Senhor Jesus e, quando pressionados pela palavra de Jesus, alegaram que não eram e nunca tinham sido escravos, desconsiderando, inclusive, o poderio romano sobre eles. 

Disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: “Se vocês permanecerem firmes na minha palavra,e verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”. Eles lhe responderam: “Somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como você pode dizer que seremos livres?” 34 Jesus respondeu: “Digo-lhes a verdade: Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado. O escravo não tem lugar permanente na família, mas o filho pertence a ela para sempre. Portanto, se o Filho os libertar vocês de fato serão livres. (Jo 8:31-33 NVI)

Não se apresse em dizer que é livre se, de fato, você não é. Faça uma reflexão, com sinceridade diante de Deus e, se você chegar à conclusão de que está preso, já deu o primeiro passo para sua libertação. 

Em 30 de agosto de 2008. 

Pastor Sólon Pereira

Referência bibliográfica: 

O Poder Secreto, de Dwight L. Moody (CPAD, 2ª Edição, 1998, pp. 38/40)

 
Depressão

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Há quem afirme que a depressão é o mal do século. 

De fato, o problema é grave e, muitas vezes, de difícil diagnóstico. A depressão pode envolver questões genéticas (pais a avós com tendência), psicológicas (idade avançada ou fatos traumáticos), sociológicas (pressão da família ou da sociedade), hormonais e fisiológicas (menopausa, depressão pós-parto ou falta de sono). Mas, segundo a palavra de Deus, também pode envolver questões espirituais.

É bomlembrar que há enfermidades que poderiam ser facilmente diagnosticadas por médicos, mas que, na verdade, têm origem maligna. Nesses casos, não há remédio natural ou químico que resolva. 

Exemplo disso está na passagem onde Jesus liberta uma mulher que estava enferma há 18 anos (Lc 13:10-13). Ela tinha uma deformidade na coluna que fazia com que vivesse encurvada. Tudo indicava uma lordose irreversível, mas Jesus discerniu que se tratava de uma ação de espíritos malignos que coabitavam naquela mulher. O problema era espiritual. Por isso, o tratamento, se existisse, não poderia seguir os métodos naturais. Somente o ataque à raiz do problema seria eficaz. Jesus fez isso. Deu a ela o remédio certo.  Libertou-a e sua coluna endireitou imediatamente. 

“Certo sábado Jesus estava ensinando numa das sinagogas, e ali estava uma mulher que tinha um espírito que a mantinha doente havia dezoito anos. Ela andava encurvada e de forma alguma podia endireitar-se. Ao vê-la Jesus chamou-a à frente e lhe disse: ‘mulher, você está livre da sua doença’. Então lhe impôs as mãos; e imediatamente ela se endireitou, e passou a louvar a Deus.” 

Com base nesse fato bíblico, posso afirmar que, ainda que haja depressão de origens genéticas, psicológicas, sociológicas, hormonais ou fisiológicas, o caso pode ser espiritual. Vale a pena investigar antes de tomar qualquer remédio. Se a causa for espiritual, o remédio eliminará, ou apenas diminuirá, os sintomas por um período de tempo, mas ao passar o efeito da droga, o mal retornará. 

Mas, como saber se a causa da doença é espiritual? Aconselho uma visita a uma igreja evangélica avivada, onde haja discernimento de espíritos e se trabalhe com libertação – o pastor irá conduzir o processo com tranqüilidade e a cura virá, se o problema for espiritual. E se for uma doença de causas naturais? Do mesmo modo, a oração da fé poderá trazer a cura. Basta você crer e procurar ajuda no lugar certo. O texto abaixo mostra claramente que Jesus curava, tanto realizando libertação como curando, simplesmente.

 “Depois disso Jesus ia passando pelas cidades e povoados proclamando as boas novas do Reino de Deus. Os Doze estavam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças: Maria Madalena, de quem haviam saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, administrador da casa de Herodes; Susana e muitas outras.” (Lucas 8:1-3)

Também, é importante esclarecer que foi Jesus quem realizou as curas e libertações narradas na citação acima. Mas, o próprio Senhor Jesus ordenou que seus discípulos fizessem o mesmo. Para tanto deu-lhes poder e autoridade para realizarem as mesmas coisas, conforme se vê a seguir: 

 Reunindo os doze, Jesus deu-lhes poder e autoridade para expulsar todos os demônios e curar doenças, e os enviou a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos.” (Lucas 9:1-2)

E disse-lhes: ‘vão por todo o mundo e preguem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal nenhum; imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados.” (Marcos 16:15-17) 

E você? Crê nisso? 

Se sim, não hesite fazer como a mulher encurvada, caso necessário. Saia do seu lugar, vá à igreja e não se oculte quando Jesus lhe chamar. Se tiver que ir à frente, vá. Não deixe que a vergonha impeça a sua bênção. Não se importe com os religiosos que criticam e que querem impor condições à operação do Senhor Jesus, tal qual fizeram os fariseus afirmando que Jesus não poderia curar no sábado. A operação de Deus não se sujeita às regras humanas, tais como dias específicos para operação de milagres, formas de culto etc. Não tenha vergonha de nada e nem se espante com o modo como ele opera. 

Seja livre do seu mal!

Em 8 de maio de 2015

Pastor Sólon Lopes Pereira  

 
Aparência do mal

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Quando me converti, contaram-me que um servo de Deus deveria evitar a aparência do mal. O exemplo a mim dado foi de um homem que tinha no bolso algum objeto que parecia ser uma carteira de cigarros, mas não era. Nesse caso, pouco importava o que estava naquele bolso. Seja lá o que fosse, se parecia ser algo mau, era mau. Em virtude disso, alguns cuidados deveríamos tomar, como, por exemplo, não dar carona em nosso carro às irmãs que estivessem a pé no retorno para casa. Eu sempre compreendi essa preocupação da minha liderança, embora nunca tivesse examinado bem o texto que utilizavam para fundamentar essa questão.Quando eu decidi que teria de confirmar se os ensinos que eu estava recebendo estavam coerentes com as escrituras sagradas, acabei descobrindo que, embora as intenções da minha liderança fossem as melhores, os fundamentos que eles utilizavam estavam equivocados.E é sobre isso que vamos falar agora.

Jesus e a aparência do mal 

Quando estudamos a vida de Jesus, nosso mestre, percebemos que ele provocou alguns escândalos na sociedade religiosa farisaica daquela época. O que o mestre está fazendo na casa de publicanos e de pecadores? Isso não “pega muito mal”? Jesus não deveria estar ali! O que vão pensar os homens? Estaria Jesus se associando com pessoas imundas, pecadoras, de uma moral questionável e de péssimo conceito entre os judeus? Qual foi, então, a resposta de Jesus a esses questionamentos? 

“16 Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come [e bebe] ele com os publicanos e pecadores? 17 Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.” (Marcos 2:16-17 RA) 

De fato, Jesus voltou-se para os necessitados que procuravam sua ajuda, mesmo que isso ocorresse no sábado, o que era algo mau aos olhos dos religiosos de seu tempo. Muitas pessoas foram curadas no sábado e, pelo que podemos notar, nem Jesus e nem os discípulos se importavam com o que pensavam os fariseus. Não se importavam se aquilo tinha a aparência de algo mau, contrário à lei ou à tradição judaica.Outro fato interessante foi Jesus ficar a sós com uma mulher samaritana no poço de Jacó. Especialmente quando sabia que a reputação dela não era boa, devido à quantidade de maridos que já havia tido. 

16 Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido e vem cá. 17 Respondeu a mulher: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; 18 porque cinco maridos tiveste, e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade. (...) E nisto vieram os seus discípulos, e se admiravam de que estivesse falando com uma mulher; todavia nenhum lhe perguntou: Que é que procuras? ou: Por que falas com ela? (João 4:16-18; 27) 

Enfim, Jesus não se importava se o que ele fazia parecia mal aos olhos dos outros quando curava no sábado ou quando se assentava com publicanos e pecadores, ou mesmo quando esteve acompanhado de uma mulher samaritana cuja reputação não era boa entre os judeus.A aparência do malQuando falamos em “aparência do mal” logo vem à nossa mente o versículo de 1 Tessalonicenses 5:22. 

Mas, qual a melhor tradução desse versículo? Vejamos como o texto foi traduzido em algumas diferentes versões: 

“Abstende-vos de toda aparência do mal.” (1 Ts 5:22 RC) 

“abstende-vos de toda forma de mal.” (1 Ts 5:22 RA) 

“Afastem-se de toda forma de mal.” (1 Ts 5:22 NVI)

"evitem todo tipo de mal.” (1 Ts 5:22 NTLH) 

“Evitem qualquer espécie de mal.” (1 Ts 5:22 IBS) 

“Keep from every form of evil.” (1 Thessalonians 5:22 BBE) 

Importante notar que apenas a versão Almeida, Revista e Corrigida traduz o versículo como “aparência”. As demais indicam que o que deve ser abandonado é o próprio mal em si e não a sua aparência.É bom lembrar que a versão Revista e Corrigida de Almeida, devido à época de sua tradução e ao português que se falava naquele tempo (1681), sofreu muito com a dinâmica da linguagem, distanciando-se do fiel e exato sentido da palavra, porque o português sofreu muitas modificações desde que essa versão surgiu. O português falado em 1681 hoje pode ser considerado arcaico, com significativas perdas de sentido em algumas palavras. O termo “aparência”, por exemplo, usado na versão corrigida de Almeida não permaneceu em outras traduções, a exemplo da NVI e da IBS, as quais traduziram a mesma palavra como “toda forma” e “qualquer espécie” de mal. 

Também, é importante observar que a carta de Paulo aos Tessalonicenses foi escrita em grego. Logo, é possível atestar o sentido original do texto, dando a ele a correta interpretação em nosso vocabulário moderno. No presente caso, Paulo usou a palavra “eidos”, que é mais precisamente traduzida como “formato” ou “forma/modo” e isso muda todo o sentido do texto em exame. É claro que não devemos desconsiderar a importância de verificarmos se essa tradução estaria sintonizada com o contexto. E, buscando a contextualização, notamos que até mesmo nas atitudes de Jesus a preocupação não era com a aparência, mas com o conteúdo, conforme vimos anteriormente. 

Conclusão

Embora saibamos que nosso testemunho é importante, não podemos deixar de considerar que aspectos exteriores não podem ter valoração superior aos aspectos interiores: 

“10 Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. 11  E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos os homens e somos cabalmente conhecidos por Deus; e espero que também a vossa consciência nos reconheça. 12 Não nos recomendamos novamente a vós outros; pelo contrário, damo-vos ensejo de vos gloriardes por nossa causa, para que tenhais o que responder aos que se gloriam na aparência e não no coração.” (2 Coríntios 5:10-12 RA)

Portanto, embora devamos nos preocupar com todos os aspectos de nossas vidas que possam causar escândalo, devemos nos lembrar que o que Deus condena, sem dúvida, é o próprio mal.

Em 29 de julho de 2015. 

Pastor Sólon Pereira 

 
O anel de Giges

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O mito do anel de Giges 

Giges era um humilde pastor de ovelhas, em um país muito pobre. Uma vez pastoreando o rebanho, deu-se com uma grande tempestade seguida de um tremor de terra, que abriu uma enorme fenda na terra. Ali ele viu a estátua oca de um grande cavalo de bronze. Dentro dela havia um cadáver com um brilhante anel de ouro na mão. Tomando-o para si, descobriu que ele tinha o poder mágico de torná-lo invisível. Com tal capacidade, ele se aproximou do palácio real, seduziu a rainha, matou o rei e chegou ao poder.

A interpretação de Platão 

Utilizando-se dessa estória, em seu livro II de “A República”, Platão (427-347 a.C.) coloca em questão a firmeza da justiça de quem por algum momento percebe que não será visto por ninguém. Segundo Platão, o caráter do justo em nada se diferencia do injusto quando ambos estão fora do campo de observação dos outros. 

Nesse caso, o bom equipara-se ao mau revelando, na verdade, que a natureza humana é inclinada naturalmente à ganância, à violência, à vaidade e ao desejo de ter sempre mais poder, mais glória, mais conforto, mais prazeres e mais vantagens. Ninguém é bom, honesto e íntegro voluntariamente. Se alguém contém seus instintos e evita lançar mão de tudo o que deseja, não o faz por sua natureza justa, mas porque teme represálias daqueles com os quais convive e dos guardiões da justiça. 

A fábula contada por Platão nos mostra, portanto, que Giges diante da certeza de que ninguém o estava vendo permitiu que sua natureza corrupta aflorasse, natureza que até então estava contida enquanto era um simples pastor de ovelhas vivendo no meio de seu povo, que o protegia com seus valores de justiça. 

A coerência bíblica 

Para nós, cristãos, Platão não falou nenhuma novidade. Desde o gênesis, milhares de anos antes do filósofo, Deus já havia deixado bem claro a Moisés que a natureza humana é inclinada para o mal: 

5 O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal. (Gn 6:5) 

Por essa razão, todo pai e toda mãe tem de ensinar seus filhos a fazer o bem, o certo, o justo e o moralmente correto, porque o ser humano que não recebe de seus pais tais ensinamentos e correções tende, naturalmente, a desenvolver vícios de comportamento que consideramos maus. Uma criança tenra e doce é capaz de levantar a mão para dar um tapa no rosto de sua mãe quando contrariada. De igual modo, irrita-se quando não recebe o que pede na hora que quer e mostra sua indignação com birras intermináveis. Aquelas que não são corrigidas, nós as chamamos de crianças “sem educação”. 

Por isso, mulheres e homens maduros, que sabem distinguir o bem do mal, estabelecem regras de comportamento para seus filhos e os mantêm sob constante vigilância até que o seu caráter esteja adequadamente forjado para sua própria proteção. Franklin Pierce Jones certa vez disse que “resistir às tentações fica mais fácil se recebemos uma boa educação, contamos com um sólido sistema de valores, e há testemunhas por perto”. 

A sabedoria de Deus precede a dos homens e, nesse mesmo sentido, desde a antiguidade Deus deu ao seu povo a Lei de Moisés; ordenou que todos fossem instruídos acerca de seus preceitos, a fim de estabelecer a vigilância mútua; estabeleceu punições para os transgressores; e instituiu sacerdotes, juízes e reis para estabelecer a justiça. 

O apóstolo Paulo admite que a lei de Deus, bem estabelecida em nossa consciência, é o fator capaz de nos mover à prática do bem e de nos fazer evitar o mal que está em nossa natureza carnal. Paulo, reconhecendo a intensidade da inclinação para o pecado, que está na natureza humana, dá graças a Deus por Jesus Cristo, aquele que por sua morte nos oferece o perdão quando falhamos: 

 18. Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. (...) 21. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. 22. Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; 23. mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. 24. Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? 25. Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado. (Romanos 7:18-25) 

Hoje, temos a lei de Deus em nossos corações, mas não podemos desprezar a nossa inclinação carnal. Por mais justos, honestos, íntegros, mansos ou bondosos que sejamos, corremos o mesmo perigo que Giges. Na “invisibilidade” do anonimato, ou em um ambiente em que pensamos que não estamos sendo vistos ou julgados por ninguém, nossa natureza pecaminosa pode aflorar. E isso vale para crentes e descrentes, puros e impuros. 

Por certo, em sua mente já passou pensamentos maus que até o assustou. Isso apenas prova que você é um ser humano normal, cuja natureza é inclinada para o mal. Mas, apesar disso, se temos o Espírito Santo de Deus, devemos produzir o fruto do Espírito, que inclui entre suas virtudes o domínio próprio. 

 22. Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, 23. mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. (Gálatas 5:22,23) 

Sabendo disso, vamos apresentar algumas situações em que você deve exercitar o domínio próprio e afastar-se delas para evitar ser levado como Giges foi. 

Navegação anônima na internet 

Navegar pela internet anonimamente é um desses ambientes perigosos. Há iscas com anzóis por quase todas as páginas. Uma vez mordida a isca, o anzol começa a puxar o homem para ambientes cada vez mais escuros e secretos, onde tudo está preparado para tirar sua vida. Nos tempos bíblicos não havia internet, mas a estratégia de Satanás sempre foi a mesma, agindo na escuridão, em lugares escondidos, de tocaia. Por isso, Deus já advertia o homem que andasse sempre na claridade, na luz da sua palavra para não cair no laço do Diabo: 

26. Meu filho, dê-me o seu coração; mantenha os seus olhos em meus caminhos, 27. pois a prostituta é uma cova profunda, e a mulher pervertida é um poço estreito. 28. Como o assaltante, ela fica de tocaia, e multiplica entre os homens os infiéis. (Provérbios 23:26-28) 

14 O ensino dos sábios é fonte de vida, e afasta o homem das armadilhas da morte. (Provérbios 13:14) 

Diálogos anônimos 

Outro ambiente escuro é aquele em que se estabelecem diálogos anônimos pela internet, entre pessoas que não sabem quem são. A “invisibilidade” e o sigilo são verdadeiros estímulos à natureza carnal, seja no desenvolvimento de ofensas, seja no estabelecimento de conversas inconvenientes. Qualquer que seja o caso, esse é um ambiente de trevas, onde Deus fica de fora e Satanás tem plena liberdade de agir e enredar os homens para o indecoroso: 

3. Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual nem de qualquer espécie de impureza nem de cobiça; pois estas coisas não são próprias para os santos. 4. Não haja obscenidade nem conversas tolas nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ação de graças. 5. Porque vocês podem estar certos disto: nenhum imoral nem impuro nem ganancioso, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus. 6. Ninguém os engane com palavras tolas, pois é por causa dessas coisas que a ira de Deus vem sobre os que vivem na desobediência. 7. Portanto, não participem com eles dessas coisas. 8. Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, 9. pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; 10. e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. 11. Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz. 12. Porque aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso. 13. Mas, tudo o que é exposto pela luz torna-se visível, pois a luz torna visíveis todas as coisas. (Efésios 5:3-13)

É também bom lembrar que nesses lugares anônimos e sigilosos há sempre alguém de tocaia, escondido, armando laços, tentando atrair incautos para se associarem a práticas impuras, desonestas ou ilegais. A modernidade de hoje não traz nenhuma novidade em relação à espreita maligna para apanhar os filhos de Deus. 

 8. Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe. (...) 10. Meu filho, se os maus tentarem seduzi-lo, não ceda! 11. Se disserem: "Venha conosco; fiquemos de tocaia para matar alguém, vamos divertir-nos armando emboscada contra quem de nada suspeita! (...) 13. acharemos todo tipo de objetos valiosos e encheremos as nossas casas com o que roubarmos; 14. junte-se ao nosso bando; dividiremos em partes iguais tudo o que conseguirmos! (Provérbios 1:8; 10-12; 13-14) 

Por isso, o Senhor nos diz para ficarmos visíveis. Nenhuma rede será armada contra nós se estivermos em lugares visíveis. Enquanto podemos ser observados, certamente nossa carnalidade ficará contida. Isso não é fraqueza, mas vigilância, pois quem está de pé, cuide para que não caia (1 Co 10:12). Quem não considera esse conselho, cairá em sua própria emboscada: 

15. Meu filho, não vá pela vereda dessa gente! Afaste os pés do caminho que eles seguem, 16. pois os pés deles correm para fazer o mal, estão sempre prontos para derramar sangue. 17. Assim como é inútil estender a rede se as aves o observam, 18. também esses homens não percebem que fazem tocaia contra a própria vida; armam emboscadas contra eles mesmos! (Provérbios 1:15-18) 

Difamar às ocultas 

Por último, outro ambiente perigoso é o que, reservadamente, difama-se quem não está presente e que, por não ter conhecimento do que está sendo dito, não tem como se defender. Tal espaço para se falar mal dos outros “secretamente” reside na escuridão, ativa a natureza carnal humana e estimula a malignidade, capaz de pôr fim em amizades e provocar morte. Assim, devemos reprovar conversações difamatórias na ausência do difamado, que nada sabe sobre o que tramam contra ele e por isso não tem como se defender. É igualmente reprovável diante de Deus quem assim procede: 

"E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as." (Efésios 5:11) 

Nunca devemos nos esquecer, nem por um só momento, que Deus habita na luz, mas perscruta até os ambientes mais ocultos da nossa existência e um dia teremos de nos apresentar diante dele e toda a nossa vida será descortinada. 

"Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? — diz o Senhor; porventura, não encho eu os céus e a terra? — diz o Senhor." (Jeremias 23:24) 

"Portanto, não os temais; pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido." (Mateus 10:26)

"Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo;" (Mateus 12:36) 

Portanto, que não haja entre nós, discípulos de Jesus, ninguém que tenha atividades secretas, diálogos anônimos carregados de conteúdo impróprio, com linguagem obscena, imoral, ofensiva e que promova a inimizade e a maldade. Também, afastemo-nos de reuniões ou grupos de conversas sigilosas para falar mal dos outros, sem que o ofendido tenha oportunidade de se defender. Sejamos transparentes, sinceros, amigos da verdade, associados à justiça e jamais deixemos que o nosso Giges desponte, apresentando-se como um homem vitorioso quando, na verdade, aos olhos de Deus é um exemplo de fracasso. 

11. Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz. 12. Porque aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso. 13. Mas, tudo o que é exposto pela luz torna-se visível, pois a luz torna visíveis todas as coisas. (Efésios 5:3-13) 

Se procedermos bem, poderemos ficar tranquilos, pois seremos aprovados por Deus no dia em que nos apresentarmos diante dele: 

"5 Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus. " (1 Coríntios 4:5) 

 Em 4 de agosto de 2016.

Pastor Sólon Pereira 

 
Amor, ódio e indiferença

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"Ouvistes o que foi dito!" 

De onde vem o ódio e a indiferença? Ódio é sentimento e indiferença é atitude que, em muitos casos, dele é decorrente. Seja como for, uma coisa é certa: ambos só surgem em circunstâncias e ambientes que lhes são favoráveis.

Do mesmo modo que as trevas não conseguem subsistir à luz, o ódio não pode subsistir ao amor. Daí temos que o ódio só pode brotar se houver lacunas de amor em nossas vidas. Assim, qualquer porção de ódio significa ausência de amor em alguma medida. A indiferença, por sua vez, nada mais é que uma das maneiras em que o ódio se manifesta, mas sutilmente. Por isso, é igualmente incompatível com o amor. Onde um está presente, o outro não pode estar.

 Certa vez, Jesus foi indagado sobre o que alguém deveria fazer para que as portas da vida eterna se lhe abrissem. A resposta de Jesus recaiu sobre o amor em seus dois indispensáveis exercícios: amor a Deus e amor ao próximo. Mas, o questionador, pretendendo limitar o amor aos círculos de amigos ou integrantes de grupos de mesmos costumes, crenças, pensamentos, famílias ou nações, pediu uma definição mais precisa por parte de Jesus, o qual lhe deu o seguinte ensinamento: 

"29 Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo? "30 Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. "31 Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. "32 Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo. "33 Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. "34 E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. "35 No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar. "36 Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? "37 Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo. " (Lucas 10:29-37) 

Se observarmos bem o exemplo dado por Jesus, perceberemos que devemos amar incondicionalmente. O amor ágape, além de não ser uma troca, não é um sentimento apenas, mas uma negação de si mesmo, uma atitude. Não deve ser dirigido apenas àqueles que nos fazem bem ou àqueles que podem devolver um favor e nos retribuir. Também, não deve ser oferecido apenas aos integrantes dos nossos círculos de interesses e preferências. 

O samaritano não era da mesma linhagem dos judeus e não praticava a mesma liturgia religiosa. Em sinal de desprezo, o judeu sequer passava pelas terras dos samaritanos quanto tinha que descer da Galileia para a Judéia. De preferência, o judeu queria distância dos samaritanos, pois eles eram apenas um problema encravado na terra deles. Se os samaritanos morressem, isso seria um alívio para os judeus. 

Curiosamente, foi exatamente essa configuração que Jesus escolheu para nos mostrar que onde há o amor não pode haver ódio e, consequentemente, desprezo. Se por um lado, o sacerdote e o levita, mesmo sendo judeus, desprezaram seu irmão necessitado de socorro, assim não foi com o samaritano. Aquela seria uma excelente oportunidade para o samaritano exercer vingança e, simplesmente, desprezar o judeu deixando-o morrer. Mas, ele não fez assim. No lugar do desprezo, como expressão de ódio, preferiu socorrer, como expressão de amor e misericórdia. 

Então, pelo exemplo dado por Jesus, quem é o próximo? 

Ao que podemos perceber, do ponto de vista de quem pode ajudar, o próximo é qualquer um que precise de sua ajuda e esteja ao alcance de sua misericórdia. E, do ponto de vista de quem precisa de ajuda, o próximo é aquele que está perto, estende a mão e age com misericórdia. 

Assim, Jesus afastou definitivamente a ideia de que só devemos amar (agir em favor de) quem nos faça bem, quem pense como nós, quem está perto de nós, quem frequente a mesma igreja que nós, quem faça parte do nosso círculo de amigos ou quem tenha tudo em comum conosco. 

A partir dessa passagem bíblica do “bom samaritano” podemos aprender, também, um pouco sobre a vida eterna e concluir que quem pretende “entrar na vida” não tem escolha: sua obrigação é amar. Não se trata de uma opção. Jesus não nos dá o direito de escolher amar apenas aqueles a quem queremos bem ou a quem não nos faz mal. Amar é a única opção para quem almeja edificar sua casa sobre a rocha, praticando o que Jesus ensinou. Até mesmo aqueles que não gostam de nós devem ser objeto de nosso amor: 

"35 Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus." (Lucas 6:35) 

Mas, como sentir amor por alguém que odiamos? De fato é impossível sentir as duas coisas ao mesmo tempo, até porque um sentimento exclui o outro. A resposta, então, só pode estar na própria definição do amor ágape. Como já foi afirmado, este amor não é sentimento, mas atitude. Independe de como nós nos sentimos. É uma questão de decisão. Simplesmente decidimos fazer o bem, mesmo a quem nos faz mal. Com nossas atitudes demonstramos nosso amor e com nossos sentimentos demonstramos nossas afeições e preferências. 

"43 Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. "44 Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; "45 para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. "46 Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?" (Mateus 5:43-46) 

Assim, se somos discípulos de Jesus, não nos resta outra escolha, devemos amar. E, se amamos como se deve amar, não haverá espaço algum para o ódio e nem para o desprezo que pode advir dele. 

Em, 11 de maio de 2013.

Pastor Sólon Lopes Pereira  

 
A unção de Deus pode ser tomada?

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Será que um pastor deixa de ser pastor quando muda de denominação cristã evangélica?

Alguém pode pedir de volta aquilo que não é seu? 

Se Deus cura uma pessoa, eu não posso retirar essa cura. 

Se o Senhor concede um talento a alguém, eu não posso removê-lo negando-o. Se Deus vocacionou alguém, eu não posso impedir isso. Eu até posso dizer que o curado não está curado, que o talento não foi concedido ou que eu não reconheço a vocação de alguém, mas isso não muda a situação de fato. 

O que é de Deus, somente Ele pode tomar. Vejamos o seguinte texto bíblico: 

 "porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis." (Romanos 11:29) 

Parece claro que só Deus pode retirar o que concedeu. Se Ele não faz isso, nós, muito menos. 

 Davi, mesmo sabendo que Saul estava afastado dos propósitos divinos, nunca ousou dizer que Saul não era mais um ungido do Senhor. Davi sabia que se Deus ungiu Saul não cabia a ele afirmar o contrário, induzindo o povo ao erro. 

Diante desse entendimento, resta-nos duas possibilidades aplicáveis à denominação que acha que pode retirar a unção de um pastor que muda de igreja: 

1)Seus pastores não foram ungidos por Deus, mas apenas ordenados por homens; ou 

2)Seus pastores foram ungidos por Deus e apenas ordenados por homens; 

A primeira hipótese é aplicável se os ordenados nessa denominação recebem apenas um título de homens, condicional (emprestado), a ser utilizado somente naquela instituição religiosa. Logicamente, se essa denominação tem, de fato, poder para retirar de alguém o título que ela concedeu, é porque o título é dela. E, se é dela, certamente, não é de Deus. E se não é de Deus, é obra de homens. E se é de homens, melhor devolvê-lo para não ser devedor de homens e por eles constrangidos. 

A segunda hipótese é cabível se os ordenados nessa denominação recebem, de fato, uma unção de Deus para o exercício de uma vocação em prol do Seu reino eterno. Se a unção no âmbito de uma denominação cristã procede, realmente, do Senhor, ela não pode retirá-la, pois isso seria uma tentativa de usurpar o que não lhe pertence. E somente um louco tentaria usurpar algo que pertence a Deus.

Evidentemente, essa constatação não afasta a autoridade de quem pode exercer disciplina. Se alguém está sob disciplina, ainda que seja um pastor, deve cumpri-la até que seja restaurado, para que não haja impedimentos à frutificação de seu ministério. 

Seja como for, mesmo no caso em que um pastor esteja cumprindo alguma disciplina, não há como negar respeito à unção que está sobre ele. Devemos lembrar que Davi não desrespeitou Saul. 

Portanto, quem nega a unção de um pastor, nega que ela foi um dia concedida por Deus.

Em 15 de novembro de 2012. 

Pastor Sólon Pereira

 
A sua mente está sendo controlada?

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Embora as seitas sejam diferentes em seus sistemas de crença, todas elas usam as mesmas técnicas de controle mental. O propósito deste artigo é permitir-lhe testar a si mesmo para saber se você é uma vítima dessas conhecidas técnicas de alienação. Nas seguintes questões não tratamos de nenhum grupo religioso específico. Pelo contrário, as informações abaixo foram coletadas visando muitos grupos, todos conhecidos por usar técnicas de controle da mente em seus membros. Deve-se notar, ainda, que essas questões não estão limitadas simplesmente a grupos religiosos. Atualmente existem também muitos grupos políticos, de negócios e seculares, não-religiosos, que empregam técnicas de controle mental em seus participantes. 

E então, o que você tem a perder? Quer fazer o teste?

FAÇA O TESTE!

Por favor, responda as seguintes questões com honestidade: 

•Você se sente como se tudo que você faz de bom para o seu grupo, não importa o quanto você se esforce, nunca é o bastante? E como resultado disso, você costuma sentir culpa? 

 •O que o motiva? É um genuíno amor por Deus, pelo seu grupo, etc., ou é medo de não atender aos padrões desejados? 

 •Questionar o grupo ou os seus líderes é algo desencorajado ou mal visto? 

 •O grupo ao qual você pertence acredita que é uma elite, uma organização exclusiva que detém, sozinha, "a verdade" e as respostas para as questões da vida? 

 •O seu grupo ridiculariza, ataca ou caçoa de outras igrejas cristãs e de sua interpretação da Bíblia? 

 •A leitura de literatura que critica o grupo é desencorajada? Muitas seitas advertirão os seus membros para não ler qualquer coisa que critique o grupo, especialmente se escrita por algum ex-membro (que recebe nomes como "apóstata", "endurecido" ou "do diabo", etc.). Essa é uma técnica de controle bastante conhecida, que impede o membro de descobrir os erros claros e documentados da seita. Com isso a habilidade dos membros de pensar por si mesmos é totalmente anulada, e eles vão pensar cada vez mais como o restante do grupo. 

 •Dê uma olhada na aparência e no modo de agir do grupo. Todos se vestem, agem, e falam, mais ou menos, do mesmo jeito? Certo observador, falando sobre seu particular envolvimento com uma seita, disse que o grupo encorajava os seus membros a "fazer tudo exatamente do mesmo modo - orar do mesmo jeito, parecer igual, falar do mesmo modo. Isso, em psicologia, é um clássico exemplo de conformidade grupal. Seu propósito é garantir que ninguém tente agir de modo diverso ou se torne dissidente, para que ninguém questione o status quo." (Andrew Hart, Jan. de 1999). 

 •O grupo desencoraja a associação com não membros (exceto, talvez, se houver a possibilidade de convertê-los ao grupo)? 

 •O grupo lhe dá respostas do tipo "preto ou branco": aquilo com o quê o grupo concorda é certo, e aquilo de quê o grupo discorda é errado? 

 •Todas as pessoas do grupo acreditam exatamente nas mesmas coisas (ou seja, no que os líderes do grupo mandam acreditar)? Não existe espaço para crenças individuais ou opiniões, mesmo em áreas de menos importância? 

 •O grupo tem "duas caras": por um lado, se mostra a possíveis convertidos e ao grande público como um grupo de pessoas que são como uma grande família, cheia de amor e igualdade, mas, na verdade, o grupo tem muitos membros que se sentem intimamente não satisfeitos e emocionalmente esgotados? 

 •Você já tentou desativar a sua capacidade, dada por Deus, de pensar criticamente, deixando de lado várias dúvidas sobre o grupo, os ensinamentos dele, etc.? 

 •Aqueles do grupo que não se conformam às exigências dos ensinos do movimento são tratados com suspeição, como se fossem membros de "segunda-classe"? 

 •O grupo tende a ocultar certas informações a potenciais convertidos? As doutrinas menos comuns do grupo não são discutidas até que um indivíduo esteja mais profundamente envolvido no movimento? 

 •Você sente medo de deixar o grupo? Muitas seitas usam táticas sutis de terror para impedir os seus membros de deixá-las. Por exemplo, o grupo pode dizer que aqueles que desertarem serão atacados pelo Diabo, sofrer um acidente terrível, ou, no mínimo, não vão prosperar, porque eles deixaram "a verdade".

Se você respondeu SIM à maior parte das questões acima, o grupo em que você está engajado está certamente empregando técnicas de manipulação mental.

Agora que você sabe disso, o que fará?

1.Você precisa perceber que, qualquer que seja o grupo de que você é parte, ele não tem o monopólio de Deus. Para muitos dos que estão em seitas que utilizam controle da mente, deixar o movimento é geralmente considerado o mesmo que deixar o próprio Deus e perder a salvação. Porém, a verdade é que há cristãos em todas as denominações que encontraram a salvação em Cristo apenas, e não na igreja ou no grupo. Muitos que estão presos em um sistema religioso espiritualmente prejudicial sentem como se não tivessem nenhum outro lugar para ir, mesmo se eles realmente conseguirem se desvincular do grupo.

A resposta se encontra no que Jesus disse no Evangelho de Mateus 11:28: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei."

2.Você precisa deixar o grupo. Pode ser difícil, mas, se você continuar lá, só será prejudicado: mental e espiritualmente. Você também estará contribuindo com um sistema que, em seu coração, sabe estar errado. Não deixe o orgulho impedi-lo de deixá-lo. 

3.Não pense que você vai ficar sozinho quando decidir sair. Há muitas pessoas que passaram pela mesma situação. Elas vêm de vários grupos religiosos, mas foram todas vítimas da mesma dominação das técnicas de controle mental. Hoje, muitas delas estão vivendo vidas de liberdade, segurança e esperança. Para obter encorajamento, você poderá ler algumas das histórias disponíveis neste e em outros sites ligados a este. 

Traduzido por Avelar Guedes Junior 

Autoria: Spotlight Ministries 

 
Liberdade de expressão

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O texto que segue não é um tratado jurídico. Longe disso! Mas, devido à provocação de alguns irmãos preocupados com a ética e com a responsabilização civil e penal a que estamos sujeitos, decidi apresentar, de um modo simples, mas sem me afastar da mínima fundamentação jurídica e bíblica, alguns argumentos capazes de mostrar aos leitores do site que temos consciência daquilo que podemos ou não fazer, uma vez que somos absolutamente responsáveis diante de Deus e dos homens e não queremos perder essa condição, para que Deus continue nos abençoando e para que continuemos merecedores do crédito dos nossos leitores.

É LIVRE A MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO

A liberdade de expressão e o direito à informação são hoje pilares das sociedades modernas e democráticas e podem ser observados em vários documentos internacionais, a exemplo da Declaração dos Direitos Humanos de 1948, aprovada pela ONU (art. 19).

E o que significam? O primeiro termo diz respeito à faculdade de expressar livremente idéias, pensamentos e opiniões. O segundo, resume-se no direito de comunicar e receber informações verdadeiras sobre fatos, sem impedimentos nem discriminações.

Enquanto os fatos são suscetíveis de prova da verdade, as opiniões ou juízos de valor, devido à sua própria natureza abstrata, não podem ser submetidos à comprovação. Por isso, pode-se concluir que a liberdade de expressão tem o âmbito de proteção mais amplo do que o direito à informação, vez que a liberdade de expressão não está sujeita, no seu exercício, ao limite interno da veracidade, aplicável ao direito à informação.

A Constituição Federal Brasileira regula a liberdade de expressão e o direito à informação nos arts. 5° e 220. As principais disposições normativas são:

Art. 5°, IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;Art. 5°, IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;Art. 5°, XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardo do sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;Art. 220 - A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.§1° - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5°, IV, V, X, XIII e XIV;§2° - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística. (os grifos não constam do original)

Uma vez que se observa que a liberdade de expressão e o direito à informação são pilares do ordenamento jurídico brasileiro, tanto que foram inseridos nos direitos e garantias fundamentais do cidadão brasileiro (art. 5º da CF), tem-se, também, de conhecer quais são os limites impostos no exercício destes direitos.

Como no sistema constitucional não existe direito absoluto, os direitos ou estão limitados por outros direitos ou estão limitados por valores coletivos da sociedade igualmente amparados pela Constituição.

Além do limite interno quanto à veracidade da informação, a liberdade de expressão e o direito à informação devem estar compatibilizados com os direitos fundamentais dos cidadãos afetados pelas opiniões e informações, bem como com os outros bens constitucionalmente protegidos, tais como: moralidade pública, saúde pública, segurança pública, integridade territorial etc.

Contudo, pelo fato de a liberdade de expressão e o direito à informação desfrutarem do status de direitos fundamentais, o Poder Público, ao pretender restringir o âmbito de proteção dessas liberdades, para atender os limites supracitados, terá de justificar a necessidade da intervenção. Desse modo, só poderá efetivar a restrição por meio de lei (reserva de lei explícita ou implícita autorizada pela constituição), observada a proporcionalidade, para que não se atinja o próprio núcleo essencial da liberdade de expressão e do direito à informação.

A doutrina classifica os limites da liberdade de expressão e do direito à informação em limites externos e limite interno.

Os Limites Externos da Liberdade de Expressão e do direito ao acesso à Informação

A Constituição Federal, em seu art. 220, §1°, estabelece como limites externos:

  • A proibição do anonimato - assegura a identificação do comunicador, propiciando a garantia da responsabilidade penal e civil por danos materiais ou morais, eventualmente causados pela informação dirigida a terceiros; 
  • O direito de resposta - assegura a retificação da informação falsa ou defeituosa; 
  • A indenização por danos materiais e morais – significa que, uma vez demonstrados os danos provocados, estes devem ser reparados; 
  • Preservação da honra - significa a valoração da dignidade da pessoa realizada por ela própria (subjetiva), ou na consideração dos outros (objetiva); 
  • Preservação da intimidade, da privacidade e da imagem - a intimidade significa a proteção do modo de ser da pessoa ou de esfera de sua personalidade, que não deve chegar ao conhecimento do público sem o consentimento da pessoa; a vida privada pode ser considerada um ciclo de proteção mais amplo do que a intimidade, sendo que esta protegeria aspectos mais secretos da personalidade do que aquela; e a imagem significa a faculdade que tem a pessoa de dispor de sua aparência física e só pode ser divulgada com o seu consentimento.

O Limite Interno da Liberdade de Expressão e do direito à Informação

Como mencionado, a liberdade de expressão consiste na possibilidade de se externar livremente idéias, pensamentos e opiniões que, por sua própria natureza abstrata, não são susceptíveis de comprovação, enquanto o direito de comunicar e receber informações sobre fatos ocorridos na sociedade estão sujeitos à prova da verdade. Portanto, o direito à informação tem como limite interno a veracidade dos fatos divulgados. Todavia, essa veracidade refere-se à verdade subjetiva e não à verdade objetiva. O que se exige é um dever de diligência ou apreço pela verdade no sentido de que o comunicador entre em contato com a fonte dos fatos para verificar a seriedade da notícia antes de qualquer divulgação.

Com base nessas prerrogativas, é importante afirmar, quanto às informações divulgadas neste site, que todas se encontram inseridas em um contexto autorizado pelo ordenamento jurídico brasileiro, constituindo um direito a expressão da opinião acerca doutrinas e práticas estabelecidas no meio religioso.

De igual modo, ao divulgar informações sobre fatos, estes observam o limite interno da veracidade subjetiva, uma vez que todos eles, sem exceção, sejam constantes do meu testemunho ou dos recebidos por meio de cartas, sempre têm suas fontes confirmadas.

Por fim, quanto aos limites externos, observa-se a vedação do anonimato, motivo pelo qual não admito que pessoas que não se identificam se utilizem deste canal de informação. Todas as cartas recebidas apenas são consideradas (lidas, respondidas e publicadas) se vierem devidamente identificadas, uma vez que tenho plena consciência da responsabilidade trazida nos demais limites externos.

Crimes contra a honra

Uma vez que se sabe a Constituição Federal estatuiu como um dos limites externos à liberdade de expressão e ao direito à informação a preservação da honra, sujeitando os infratores à responsabilização, é importante conhecer, ainda que de modo simplista, as definições trazidas pelo Código Penal Brasileiro sobre os crimes contra a honra.

Conceitualmente, honra é o complexo de predicados ou condições da pessoa que lhe confere consideração social e estima própria e divide-se em duas espécies: dignidade, que é o sentimento da pessoa a respeito de seus atributos morais de honestidade e bons costumes, e decoro, que é o sentimento pessoal relacionado aos dotes ou qualidade do homem (físicos, intelectuais ou sociais).

Partindo desse conceito, a seguir serão expostos breves comentários sobre os tipos penais que envolvem este tema apenas para que os leitores, muitas vezes leigos, não confundam esses conceitos e, por falta desses esclarecimentos, sejam levados a imaginar que o conteúdo deste site seja irresponsável, ofensivo ou criminoso.

Honra objetiva

É a consideração com o sujeito no meio social, o juízo que dele fazem na comunidade, ou seja, a sua reputação.

Honra subjetiva

É o apreço próprio, a auto-estima, o juízo que cada um faz de si, que pensa de si e divide-se em honra-dignidade (atributos morais) e honra-decoro (atributos físicos e intelectuais).

CALÚNIA

Calúnia é o fato de atribuir a outrem, falsamente, a prática de fato definido como crime (CP, art. 138, caput). Tem por objeto jurídico a honra objetiva (reputação), seu sujeito ativo pode ser qualquer pessoa e só pode ter como sujeito passivo uma pessoa natural (o homem), pois somente ele pode cometer o crime e a ele se imputar uma conduta delituosa. Afasta-se, assim, a possibilidade da prática de calúnia por pessoa jurídica.

A conduta típica da calúnia é imputar, ou seja, atribuir a alguém a prática de um crime. É afirmar falsamente que o sujeito passivo praticou determinado delito. Diante disso, é necessário que seja falsa a imputação formulada pelo sujeito. Atribuindo-se a terceiro a prática de crime que realmente ocorreu, inexiste calúnia, podendo ser, no entanto, difamação.

A falsidade da imputação é presumida, mas se admite que o agente prove a veracidade de sua afirmação por meio da exceção da verdade. Por outro lado, a imputação por fato verdadeiro nos casos em que não se admite a exceção da verdade constitui calúnia punível.

A acusação caluniosa pode ser feita por vários meios de execução: palavra, escrito, desenho e até gestos (mímica) ou meios simbólicos ou figurativos. Entretanto, é necessário para a configuração da calúnia que a imputação verse sobre fato determinado, concreto, específico, embora não se exija que o agente o descreva com todas as minúcias.

Haverá calúnia na imputação falsa a João de ter subtraído a carteira de José, não sendo necessário que o agente mencione a data ou local exato do fato. Não existirá calúnia, e sim injúria, se João for chamado de ladrão.

Exceção da verdade (art. 138 § 3º do CP)

Exceção da verdade (exceptio veritatis) é a prova da veracidade do fato imputado. Como só existe calúnia se o fato for falso, se o acusado provar que o fato é verdadeiro, não há que se falar em calúnia.

DIFAMAÇÃO

Difamação é a imputação a alguém de fato ofensivo à sua reputação e tem por objeto jurídico a tutela da honra objetiva, ou seja, a reputação, o conceito do sujeito passivo no contexto social.

Por se tratar de crime comum, o sujeito ativo da difamação pode ser qualquer pessoa, enquanto o sujeito passivo pode ser pessoa determinada, incluindo-se os menores e doentes mentais, ou mesmo a pessoa jurídica, embora não seja pacífico este entendimento.

Como na calúnia, configura-se o crime com a imputação, ou seja, com a atribuição de um fato desonroso, mas não criminoso, a alguém. Deve também ser fato concreto, específico, embora não se exija que o agente o descreva em suas minúcias. Haverá difamação no dizer que certa mulher solteira mantém relações com homem também solteiro se isso ofender a moralidade média. Caso contrário não se configura a difamação.

Para que se possa avaliar este conceito no contexto religioso, é bom ter em mente qual seria a moralidade média acerca de fatos religiosos. Por exemplo, se uma congregação qualquer for chamada pejorativamente de “movimento” (isso pode acontecer conosco, evangélicos), deve-se saber qual a moralidade social média acerca desse assunto, para que se possa insurgir contra essa afirmação. De outro modo, quando um pastor, diante de uma grande platéia achincalha pessoa determinada com expressões ofensivas, tais como “bateu a cabeça e ficou doido” ou “é um caído”, é de se verificar, ante a moralidade média, se isso é aceitável.

Ao contrário da calúnia, não é necessário que a imputação seja falsa. Há crime de difamação ainda que verdadeiro o fato imputado, se desabonador ao sujeito passivo.

Entretanto, é essencial o dolo, isto é, a vontade de imputar, atribuir fato desonroso a alguém, seja verdadeiro ou não. Exige-se o animus diffamandi, elemento subjetivo do tipo, que “se expressa no cunho de seriedade que o sujeito imprime à sua conduta”.

INJÚRIA

Injúria é a ofensa à dignidade ou ao decoro de outrem. Na sua essência, é a injúria uma manifestação de desrespeito e desprezo, um juízo de valor depreciativo capaz de ofender a honra da vítima no seu aspecto subjetivo.

Na injúria não há atribuição de fato, mas de qualidade negativa do sujeito passivo e seu objeto jurídico é a honra subjetiva, que constitui o sentimento próprio a respeito dos atributos físicos, morais e intelectuais de cada um.

O sujeito ativo da injúria pode ser qualquer pessoa, uma vez que se trata na espécie de crime comum. Quanto ao sujeito passivo, também pode ser qualquer pessoa, excetuando os doutrinadores apenas aqueles que não têm consciência da dignidade ou decoro, como os menores de tenra idade, os doentes mentais etc.

Na injúria não há imputação de fatos precisos e determinados, como na calúnia e difamação. Refere-se à manifestação de menosprezo ao conceito depreciativo; mencionam-se vícios ou defeitos do sujeito passivo ou mesmo fatos vagos e imprecisos desabonadores que não chegam a integrar outro crime contra a honra.

Injuriar alguém, de acordo com a conduta típica, é ofender a honra subjetiva do sujeito passivo, atingindo seus atributos morais (dignidade) ou físicos e intelectuais (decoro). No exemplo anterior, sobre achincalhar pessoa determinada afirmando diante de uma platéia de pessoas sérias que se trata de um “doido que bateu a cabeça” ou de “um caído”, a injúria estaria configurada pelo simples fato do sujeito passivo sentir-se ofendido.

Por exemplo, atinge-se a dignidade de alguém ao se dizer que é ladrão, estelionatário, homossexual etc. De outro modo, pode-se atingir o decoro de alguém ao se afirmar que é estúpido, ignorante, grosseiro etc.

Pode a injúria ser praticada pelos mais variados meios, como por escritos, desenhos, gestos, meios simbólicos, comportamentos etc. Responde por injúria quem, com a intenção de ferir a dignidade alheia, atira conteúdo de copo de bebida no rosto da vítima ou despeja saco de lixo à porta do apartamento do vizinho, conspurcando-a com detritos inservíveis. Até por omissão pode-se injuriar: não apertar a mão de quem a estende, em cumprimento; não responder, acintosamente, a um cumprimento em público etc.

Dos crimes contra o sentimento religioso

Este tópico trata desta questão penal e traz alguns conceitos jurídicos que nos permitirá, ainda que leigos, a discernir os fatos que nos afetam e, de modo responsável, não venhamos a lançar contra alguém acusações infundadas por falta de conhecimento mínimo de direito penal.

Art. 208 do Código Penal Brasileiro

Art. 208. Escarnecer de alguém, publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso.

Pena – detenção de 1(um) mês a 1 (um) ano, ou multa.

Parágrafo único. Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço sem prejuízo da correspondente à violência.

Ao examinar o conteúdo do presente preceito penal, não se pode esquecer da distância que existe entre sua edição e o tempo presente, uma vez que o Código Penal Brasileiro data de 1940.

Sabe-se que há quem admita, no caso em tela, uma obsolescência jurídica da lei penal ante os conflitos de natureza religiosa moderna, alegando que este tipo penal, de 1940, traz pena branda, guardando pouca força frente à gravidade punitiva conferida aos delitos discriminatórios de racismo, inafiançáveis e imprescritíveis, conforme dispõe a própria Constituição Federal:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 

[…] XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;

Sabe-se, também, que há quem defenda, inclusive, a absorção do crime contra o sentimento religioso pelo crime de racismo, mas, a despeito de tudo isso, coloca-se de lado questões mais profundas e fica-se apenas com o elemento básico do tipo penal do art. 208 do CP, para uma avaliação simplista com base em doutrinadores conhecidos, que tratam da questão de modo mais objetivo. Atenho-me à descrição e tipificação deste postulado penal, estabelecendo suas características e circunstâncias objetivas, na literalidade da lei e na tipificação expressa, sem adentrar na discussão sobre a pertinência do crime em concorrência com crimes discriminatórios.

Entre os autores, igualmente relevantes, foram selecionadas algumas obras mais recentes, editadas nos últimos dez anos, já sob a vigência da Constituição Federal e da Lei 7.716, de 5/1/1989, que trata dos crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 

Pena: reclusão de um a três anos e multa. 

§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 

Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa

Quanto à questão religiosa, o art. 208 do CP aponta para a “tutela do direito que o homem goza de ter sua crença e professar uma religião” (Noronha, 2003, p.40), tendo por “objeto jurídico: a liberdade de crença e o exercício dos cultos religiosos, que não contrariem a ordem pública e os bons costumes” (Damásio, 2005, p.724). Sob os dizeres de Delmanto, o “objeto jurídico tutelado é o sentimento religioso”, (Delmanto, 2002, p.453); e, de certa forma, indo além do basicamente evidente, vale destacar o ensino de Mirabete:

Protege-se [...] o sentimento religioso, interesse ético-social em si mesmo, bem como a liberdade de culto. Embora sejam admissíveis os debates, críticas ou polêmicas a respeito das religiões em seus aspectos teológicos, científicos, jurídicos, sociais ou filosóficos, não se permitem os extremos de zombarias, ultrajes ou vilipêndios aos crentes ou coisas religiosas (2005, p.404) (o grifo não consta do original)

É preciso dar destaque ao entendimento de Mirabete que, de modo bastante objetivo faz separação entre a saudável divergência de opiniões, idéias, doutrinas e o entendimento teológicos de atitudes de desagravo, tais como zombarias, ultrajes e vilipêndios.

Desse modo, enquanto lícita a defesa de idéias e doutrinas em contraposição com outras divergentes, não é uma atitude lícita achincalhar pessoas ou denominações com expressões pejorativas, tais como: “caídos”, “doidos” “religião”, “movimento”, “misticismo”, etc.

Sobre a discriminação

Há uma distinção conceitual que deve ser, também, compreendida para que não se imagine que o simples fato de se contrapor a doutrinas diferentes daquelas que se defende, possa ser considerado uma atitude discriminatória, a ponto de subsumi-la no tipo penal em exame (vilipendiar) ou mesmo no tipo penal do art. 20 da Lei 7.716/89 (induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de religião).

Segundo Norberto Bobbio, em seu artigo “As Razões da Tolerância” a discriminação puramente religiosa e a discriminação étnica, são distintas. Há uma diferença conceitual entre as intolerâncias motivadas por questões de opinião – religião, posição política –, e as que o são por motivos raciais ou étnicos. São inconfundíveis e incomparáveis na gravidade de suas conseqüências, entendendo-se as razões da intolerância na primeira hipótese como reversíveis, transitórias, às vezes secretas, pessoais e inter-partes, ao passo que a identidade étnica ou racial se configuraria como um dado absoluto e definitivo, além de indisfarçável erga omnes.

É evidente que, por exceção, há grupos extremistas, fundamentalistas e intolerantes que rejeitam completamente a idéia do pensamento divergente, sem sequer pretender conviver com as diferenças e, por isso, pretendem a eliminação do outro, desenvolvendo um típico preconceito religioso. De igual modo, observa-se, também, a título de exceção, o caso do preconceito contra muçulmanos ou contra judeus – que podem ser definidos tanto como religiões como indisfarçáveis identidades étnicas.

Pode-se ousar relativizar a diferenciação feita por Bobbio? À luz da realidade fática atual, surgem provocadores exemplos, tais como: um indivíduo que, a despeito de ter deixado de integrar sua comunidade religiosa (islâmica, judaica ou afro-brasileira), e não manifestar, professar ou crer em sua doutrina, ainda assim poderá ser identificado com esta, e por tal estigmatizado. Diante de tais situações é tentador abordar a identidade religiosa conjugando o “motivo social” juntamente com a “crença”. A este respeito, escreveu Bobbio:

Uma coisa é o problema da tolerância de crenças e opiniões diversas, que implica um discurso sobre a verdade e compatibilidade teórica ou prática de verdades até mesmo contrapostas; outra é o problema da tolerância em face de quem é diverso por motivos físicos os sociais, um problema que põe em primeiro plano o problema do preconceito e da conseqüente discriminação. (2004, p.206)

Uma vez clara essa distinção, pode-se separar o preconceito religioso dos demais (de raça, de cor, de etnia e de procedência nacional) e defender, com tranqüilidade, opiniões religiosas, divulgando-as em qualquer meio de comunicação, apenas evitando levar a discussão para o campo das ofensas pessoais.

É notório que os grupos intolerantes, incapazes de admitir a contraposição, eventualmente, na defesa de sua religiosidade, extrapola a esfera da mera opinião e pensamento, concretizando-se como verdadeiras identidades culturais dentro da sociedade, a ponto de misturar os dois conceitos.

E é exatamente na conjunção desses conceitos e valores éticos, morais e religiosos que se observa a extrapolação do campo da idéias para a subjetividade e para a defesa de valores pessoais. Mas, ao mesmo tempo em que é impensável abstrair a necessidade da proteção do Estado contra a violência de ofensas diretas à religiosidade – estas caracterizadas e identificadas pela finalidade evidente de prejudicar agredindo – deve-se mitigar a vitimização exagerada aventada por indivíduos ou grupos que não distinguem a mera expressão de uma opinião crítica de um crime de calúnia, injúria ou difamação.

Ao observar precedentes jurisprudenciais sobre o tema, verifica-se um recrudescimento do tema da intolerância religiosa sob a chave dos conflitos privados, privativos com a busca da tutela jurídica sempre na área cível e não na penal, sob a pretensão da responsabilização por dano moral.

Portanto, ao encerrar este artigo chega-se a algumas conclusões:

  1.  A liberdade de expressão e o direito à informação são pilares da sociedade democrática moderna, devendo sofrer somente as limitações externas (vedado o anonimato, por exemplo) e a limitação interna (a verdade subjetiva dos fatos);
  2.  A liberdade de expressão e o direito à informação sujeitam-se à reparação de danos materiais ou morais, uma vez comprovados;
  3.  Embora possível a caracterização de danos à honra de pessoas jurídicas (não é pacífico este entendimento), no caso específico de igrejas, dificilmente consegue-se subsumir os fatos à norma especial constante do Código Penal, art. 208, bem como à Lei 7.716/89, art. 20. A própria liberdade de expressão e o direito à informação admite debates, críticas ou polêmicas a respeito das religiões em seus aspectos teológicos, científicos, jurídicos, sociais ou filosóficos, restando, portanto, apenas a repulsa aos extremos de zombarias, ultrajes ou vilipêndios aos crentes ou coisas religiosas, atitudes estas que não devem ser confundidas com a mera expressão de uma opinião ou de uma crítica.

Pelo exposto, creio ser possível ao leitor ao menos ter uma noção dos aspectos que envolvem a liberdade de expressão e do direito à informação, para que todos possam conhecer e desfrutar, de modo responsável e maduro, de liberdade para defender de modo consciente e inteligente o evangelho que foi confiado à igreja do Senhor Jesus.

“prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” (2 Timóteo 4:2 RA)

“Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos.” (Hebreus 2:1 RA)

“antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós,” (1 Pedro 3:15 RA) (os grifos não constam do original)

Brasília-DF, em 12 de março de 2009.

 Pastor Sólon

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Diga "NÃO!" AO SECTARISMO

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A quantidade de organizações consideradas seitas pela literatura cristã evangélica é considerável. 

Seus membros são extremamente convictos e dificilmente podem ser dissuadidos por outra posição que não seja a que aprenderam.

Segundo Augustus Nicodemus, em "O que estão fazendo com a igreja", Editora Mundo Cristão, p. 148, "historicamente, todos os fundadores de seitas, dentro e fora do cristianismo, sempre reivindicaram que foram iluminados por Deus para conhecerem a verdade final, que havia sido oculta da Igreja até então. Foi assim que os mórmons, as Testemunhas de Jeová, seitas apocalípticas, o G-12, o movimento de batalha espiritual e o próprio islamismo começaram. O que todos eles têm em comum é a crença de que a verdade evolui, cresce e muda, e que revelações contemporâneas de Deus têm mais autoridade que as Escrituras."

 Por sua vez, Jaziel Guerreiro Martins, em seu livro “Seitas e Heresias do Nosso Tempo” (Ed. AD Santos), cita diversas denominações sectárias, comentando seus comportamentos comuns e outros particulares. Em sua obra, percebe-se que há uma coincidência de atitudes e ensinamentos entre todas essas organizações, em especial o proselitismo e o exclusivismo (afirmar que só eles são salvos ou os únicos certos). 

Referido comportamento foi observado pela Dra. Rebecca Brown na igreja de seus pais, segundo deixou registrado em seu livro “Prepare-se para a guerra”, Rio de Janeiro, Ed. Danprewan, pp. 30-32, que passo a destacar alguns trechos: 

“Os anos passaram e os problemas vieram. O grupo religioso em que meus pais estavam tornou-se muito maligno e controlado por demônios. Eles afirmavam ser, o único povo em todo o mundo que conhecia a verdade e que iria ao céu. Alcoolismo e adultério estavam sem controle dentro do grupo. Eu era desprezada tanto dentro quanto fora do grupo, o que me causou muitas horas de lágrimas, mas o Senhor estava mantendo o pacto e livrando-me de relações pecaminosas. 

O controle mental demoníaco era tão grande dentro do grupo que todos eram completamente dominados pelo medo, inclusive meus pais. Ela tornou-se uma seita rigidamente controladora. Os membros eram ensinados que perderiam a salvação se deixassem o grupo ou se desobedecessem aos lideres. Mas minha mãe já havia me ensinado nos meus primeiros anos de vida que eu era, sempre, diretamente responsável perante Deus por qualquer coisa que fizesse ou dissesse, que não deveria jamais estar apenas seguindo um grupo, e que eu deveria sempre estudar a Palavra de Deus (a Bíblia) e decidir por mim mesma o que era certo e o que era errado, de acordo com a Palavra de Deus. Ela não sabia que estava me ensinando justamente acerca do grupo em que esteve durante toda a sua vida. 

(...) No vigésimo sexto ano da minha vida eu finalmente cortei os laços com o grupo no qual crescera (...) Eu morria de medo de ir a uma igreja, porque o grupo no qual cresci e vivi ensinou que as igrejas formais que tinham pastores estavam operando contra o Espírito Santo, e que se qualquer um de nós fosse a uma igreja o Senhor nos mataria ou nos entregaria a Satanás para sermos atormentados. Aquele ensino estava completamente errado, mas eu não estava tão certa disso e estava aterrorizada de ir a uma igreja” 

Não quero fazer nenhum juízo de valor sobre a experiência pessoal da autora, mas creio que o fato por ela relatado pode nos aproveitar na medida em que desejamos que a igreja evangélica brasileira não tome este mesmo caminho do isolamento e da soberba, a ponto de parecer uma seita antibíblica. Cumpre a nós líderes evangélicos trabalharmos pela união e fortalecimento do povo de Deus, desfazendo os círculos que isolam os rebanhos e que promovem a divisão e o ódio, traduzido em soberba, vaidade e presunção, coisas que estão longe de serem chamadas de fruto do Espírito. 

Em 25 de agosto de 2008. 

Pastor Sólon Pereira

 
A mulher samaritana
Era-lhe necessário passar por Samaria. Assim, chegou a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José. Havia ali o poço de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se à beira do poço. Isto se deu por volta do meio-dia. Nisso veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: "Dê-me um pouco de água". (Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.) A mulher samaritana lhe perguntou: "Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber? " (Pois os judeus não se dão bem com os samaritanos.) Jesus lhe respondeu: "Se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você lhe teria pedido e ele lhe teria dado água viva". (João 4:4-10) 

Para entendermos essa passagem do Novo Testamento, temos de saber um pouco sobre a História de Israel. 

 Israel – Grande Nação 

Israel foi uma grande nação e, assim como outras, foi governada por alguns Reis. 

O Primeiro foi Saul, que reinou por 40 anos e morreu aos 70. 

Depois veio Davi, que reinou 40 anos e morreu aos 70. 

Em seguida, reinou Salomão por 40 anos e morreu aos 70. 

Coincidência, ou não, todos subiram ao trono aos 30 anos, tiveram o mesmo tempo de reinado e morreram com a mesma idade. 

Nesse período, Israel era uma grande Nação, de “primeiro mundo”, formada pelas 12 Tribos de Israel.

Mas, como dizem, tudo que é bom dura pouco. E assim foi. No ano de 931 a.C, com a morte de Salomão desencadeou-se uma crise política no País, que culminou com a sua divisão.  Roboão, filho de Salomão, recusou-se a diminuir a alta carga tributária imposta por seu pai e, por isso, as tribos do Norte rebelaram-se e tornaram-se independentes. Assim, formou-se Israel do Norte com 10 tribos, cuja capital, posteriormente, passou a ser Samaria. 

As tribos de Judá e Benjamim ficaram ao Sul, formando o Reino de Judá, cuja capital era Jerusalém.

Casa dividida não prospera 

O Reino de Samaria, sob a liderança de reis idólatras, caiu no paganismo e desviou-se do caminho do Senhor. Quando veio o Juízo de Deus, aproximadamente 200 anos após a cisão, foi levada para o exílio. 

Judá continua só 

As duas tribos do Sul, Judá e Benjamim, ainda resistiu por mais uns 100 anos, mas teve o mesmo destino de seus irmãos do Norte. Foram para o exílio na Babilônia, debaixo do jugo dos caldeus. 

Mistura em Samaria 

O Reino da Assíria, que havia conquistado Samaria, tinha uma política diferente para enfraquecer os povos conquistados: a mistura. Trouxe outros povos para habitar em Samaria, de modo que se misturaram com os israelitas que ali estavam. 

Então, o que são samaritanos? 

Um povo misturado com outros povos de diversas nações. 

Que povos? 

O livro de 2 Reis, capítulo 17, do versículo 24 ao 33, narra a história do rei da Assíria, que trouxe cinco nações para habitar em Samaria. Cada uma dessas nações estrangeiras trouxeram seus deuses. Assim, Samaria ficou contaminada em sua adoração. Os Samaritanos, além de adorar ao Deus vivo, também adoravam os deuses dessas nações. 

As nações que o rei da Assíria trouxe para Samaria foram: 

    •Babilônia; 

    •Cuta; 

    •Ava; 

    •Hamate; 

    •Sefarvaim. 

Alguns comentaristas, chegam a sugerir que os 5 maridos da mulher samaritana representam os 5 povos descritos, ou seja, como se ela tivesse se envolvido intimamente com essas culturas ao conviver com cada marido. Tratava-se, então, de uma mulher extremamente idólatra e com costumes contaminados com o paganismo. Vale lembrar que  ela se tornou uma mulher desprezada por todos. 

 Judeus 

Cumprido o exílio, as tribos de Judá e Benjamim voltaram para a Judéia, hoje palestina. Esses são os que chamamos de judeus, porque a tribo de Judá, que era a maior que existia, absorveu a tribo de Benjamim, que era a menor. Houve, então, uma fusão – judeus. Esses, eram os autênticos descendentes dos Patriarcas Abraão, Isac e Jacó. O maior orgulho dos judeus até hoje é serem chamados de filhos de Abraão, Pai de muitas nações, o amigo de Deus. 

Samaritanos 

Esses são bem diferentes dos judeus, pois perderam sua identidade e sua tradição israelita.   Passaram a serem vistos como um povo impuro, misturado, não autêntico – apenas parecidos com o original. A pepsi-cola. 

Preconceito 

Perdurou até os dias de Jesus. Nessa época, Judá era um território e Samaria era outro, assim como a Galiléia, a Peréia... Eram tetrarquias, cada pedacinho tinha um governador. 

Para se ter uma ideia do tamanho do preconceito, os judeus para irem até a Galileia percorriam a rota do Jordão, ou seja, davam uma volta para não passarem por dentro de Samaria. Andavam mais, mas era o jeito que tinham de não atravessar Samaria. Eles nem mesmo queriam encontrar com samaritanos. 

Vamos ao texto:

Esse é o maior diálogo registrado na Bíblia. 

V.4 -  Era necessário passar por SamariaHavia um propósito. Jesus não foi parar lá por acaso. O Espírito Santo o impeliu. Ele não se desviou como muitos faziam, mas passou propositadamente por Samaria. 

V. 5 - Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José. 

V. 6 - E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta. 

Jesus chegou à cidade de Sicar. Parou para descansar junto ao poço de Jacó. 

O Poço tinha 9 m de diâmetro e 30 m de profundidade. Em 1935, lavaram esse poço e verificaram que tem 42 m de profundidade, o equivalente a um prédio de 14 andares. 

Hora sexta (meio-dia)

A primeira é 7 da manhã, logo, a 6ª é meio-dia. 

Primeira Hora – 7 da manhã. 

Segunda Hora – 8 da manhã. 

Terceira Hora – 9 da manhã. 

Quarta Hora – 10 da manhã. 

Quinta Hora – 11 da manhã. 

Sexta Hora – 12 horas ou meio dia. 

Os judeus, ou melhor, as mulheres daquela época, costumavam buscar água no poço logo na primeira hora e não ao meio-dia. Mas, a samaritana da história bíblica não queria encontrar com as outras mulheres, devido a sua situação conjugal. Afinal, ela havia se envolvido com 5 homens e já estava no seu sexto relacionamento. 

Certamente, ela tinha consciência de que ninguém a via com bons olhos, que ninguém a aceitava ou respeitava naquela condição. 

Aqui começa o diálogo: 

V. 7 - Veio uma mulher de Samaria tirar água. 

Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.Jesus pediu água para a mulher samaritana. Estava sozinho, pois os discípulos tinham ido à cidade comprar comida, pois era hora do almoço. 

V. 8 - Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos). 

De fato, os judeus não falavam com samaritanos, que eram considerados raça impura, excluídos e gentios. Mas, Jesus não tinha preconceitos. Ele sempre se aproximava de pessoas excluídas pela sociedade, pessoas marginalizadas, malvistas – publicanos, meretrizes, pecadores, endemoninhados, cegos, coxos... Jesus nunca fez acepção de pessoas. 

Com a mulher samaritana Ele se colocou na posição de necessitado, a fim de conquistar, talvez, sua confiança. Disse: “DÁ-ME DE BEBER”

Ela estranhou – Você? Falando comigo? Ela tinha consciência da sua situação que além de ser mulher, ainda era samaritana, sem descendente importante, desprovida de linhagem real e com péssima reputação. 

Jesus, não só falou, mas pediu água não tendo uma vasilha própria. Por certo, ela conhecia a tradição dos judeus. Eles não tomavam emprestado nenhuma vasilha, para evitar contaminação. 

v. 10 - Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. 

Se você soubesse quem é que está aqui falando com você... pedindo água desse poço... Você é quem iria me pedir água viva. 

v. 11 – Disse-lhe a mulher: Senhor tu não tens com que tirar e o poço é fundo: onde pois tem água viva?

 A mulher, cujo nome nem foi declarado, mostrou-se muito interessada nessa água viva. Afinal, ela certamente, odiava ter de sair da sua casa para ir buscar água, uma vez que tinha de fazer isso na hora mais quente do dia, para evitar o encontro com as demais mulheres que buscavam água pela manhã e ali se encontravam e conversavam. 

ÁGUA VIVA – potável, direto da fonte, sem impureza e que não cessa de jorrar. 

v.12 – És Tu maior do que Jacó, nosso pai, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele e os seus filhos e o seu gado?

Notem que ela conhecia bem a história dos seus antepassados. Ela se considerava parte do povo judeu. Mas, o problema é que os judeus não a consideravam. Chamou Jacó de “nosso Pai”. Estava iludida, pois os judeus haviam excluído os samaritanos de todo e qualquer relacionamento. 

v.13 – Afirmou Jesus: Quem beber desta água, tornará a ter sede 

 v.14 – “Aquele porém que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede; para sempre. Pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” 

 v.15 – Disse-lhe a mulher: Senhor dá-me dessa água para que eu não tenha mais sede, nem precise vir aqui buscá-la. 

Aqui está a chave desta passagem. Ela não queria, de jeito nenhum, continuar buscando água naquele poço. Pela manhã, seria julgada e recriminada. Meio-dia era quente demais. Sua situação era bem desfavorável. Por isso, alguns comentaristas dizem que ela era uma mulher de “vida fácil”.  Era assim que era vista por todos. 

Notem que ela se importava com o que diziam dela, tanto que não queria ver ninguém. Sentia vergonha de estar naquela situação, abandonada por 5 maridos. Naquela época, por qualquer motivo os homens se divorciavam de suas mulheres, ou seja, elas podiam ser dispensadas por qualquer razão, até mesmo por queimar a comida no fundo da panela, segundo alguns comentaristas. Ou seja, qualquer desagrado, inclusive a idade, poderia se tornar motivo para que o marido abandonasse sua mulher, dando-lhe carta de divórcio. Naquele tempo, uma mulher aproximadamente 30 anos já era considerada velha. 

v.16 – Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido e vem cá. 

v.17 – A mulher respondeu: Não tenho marido. Disse Jesus: Disseste bem não tenho marido. Tiveste cinco maridos e o que agora tens não é teu marido. Isto disseste com verdade.

Embora o simples fato daquela mulher ter tido vários maridos não significa, por si só, que ela era uma pecadora. Em antigas sociedades Israelitas as mulheres não pediam divórcio, mas podiam ser abandonadas ou fiarem viúvas. Os cinco maridos anteriores poderiam ter morrido doentes, assassinados ou se divorciado dela por causa de infertilidade, por exemplo. E como as mulheres dependiam de seus maridos para sobreviverem, muitas delas precisavam de encontrar outro homem para sustenta-las. 

Seja como for, cada separação certamente a deixava arrasada. A título de curiosidade, o livro de Tobias (século II A.C.) fala de uma mulher Judia, chamada Sara, que teve sete maridos, todos mortos no dia do seu casamento, algo que parecia proceder de uma ação demoníaca. Por essa razão, ela passou a ser desprezada pela comunidade e considerada amaldiçoada e culpada pela morte de seus maridos. Deprimida, com desejo de suicídio, Sara orou a Deus para acabar com sua vergonha, insistindo em sua pureza até o fim. (Tobias 3:7-17). As pessoas eram duras para com Sara e, sem dúvida, a posição social da mulher Samaritana trouxe a ela grande angústia também (Trecho retirado de Blog de Estudos Judaicos). 

Não podemos descartar a hipótese de que algo semelhante tivesse acontecido com a mulher samaritana. O fato é que só sabemos que ela estava no sexto relacionamento e que, pelo jeito, tinha muita vergonha da sua situação. 

De qualquer forma, ela reconheceu que Jesus era um Profeta (“Vejo que és profeta”) e aceitou a sua palavra. Viu que Ele era diferente dos outros, porque não agiu com desprezo, arrogância, soberba ou prepotência em relação a ela. Ao contrário, a tratou com respeito, dignidade e amor. 

Verdadeiros adoradores 

Avançando no diálogo, eles discutem sobre a adoração. Ela indaga de Jesus onde seria o lugar apropriado para adoração. Seria naquele monte, o Gerizim, que ficava em Sicar e era considerado o Monte da Benção? Ou seria em Jerusalém, onde ficava o Templo de Herodes, onde os Judeus cumpriam seus rituais? 

Jesus respondeu que o mais importante ela adorar em espírito e em verdade, pois é isso o que Deus espera de seus adoradores. 

 CONCLUSÃO 

Esse diálogo de Jesus com essa mulher é, de fato, muito interessante e rico em detalhes. Temos uma personagem de vários relacionamentos, que estava na sexta tentativa de solucionar sua necessidade. Até encontrar Jesus, só tinha experimentado desilusões. Aparentemente, sua situação estava cada vez pior. Seu sexto relacionamento era com um homem que nem mesmo era seu marido, ou seja, estava convivendo com alguém que, provavelmente, não a quis assumir formalmente. 

O outro personagem é o Senhor Jesus que saiu de onde estava para ir ao seu encontro em Sicar, não se importando com as barreiras sociais, físicas ou religiosas. Jesus estava ali para levar vida e salvação àquela mulher, deixando bem claro que Ele poderia dar para ela uma água que mataria a sua sede, eliminando suas angústias e aflições momentâneas e, muito mais que isso, poderia dar a ela uma esperança de vida eterna com Deus. A água que Jesus oferece vai muito além dos nossos próprios anseios. Excede nossas limitações e transforma-nos em multiplicadores da bênção que recebemos.

Agora, a desprezada samaritana tinha algo que interessaria a toda a humanidade. Ela tinha a água viva, e em quantidade suficiente para compartilhar com todo o mundo. 

 "Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva"(Jo 7:38) 

Mais adiante, vemos que essa mulher, que recebeu a Palavra do Senhor, não ficou imóvel, mas desceu para a cidade e ali foi anunciar que havia encontrado o Messias. 

Sua situação mudou muito depois daquele encontro no Poço de Jacó. Chegou ali com sede e se tornou aquela que iria matar a sede de muitos. 

Glória à Deus!

Em 24 de fevereiro de 2017 

Por Roseli Pereira

 
Ação social desvirtuada 

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Comprei algumas cadeiras novas para a igreja, mas não foram suficientes. Sabendo que não tínhamos dinheiro para comprar mais cadeiras, uma senhora da igreja se dispôs a ofertar as que faltavam. 

Depois que as cadeiras chegaram, eu disse àquela irmã que iria agradecê-la, publicamente, no culto do domingo. 

A resposta dela foi: “Não! Não saiba a sua mão esquerda o que faz a sua direita”.

Então, lembrei-me que algum tempo atrás eu havia ensinado em um de nossos discipulados que, no sermão do monte, Jesus deixou claro sua reprovação às atitudes dos fariseus, especialmente porque eles gostavam de aparecer. Como não tinham facebook naquele tempo, eles faziam orações e caridades nas sinagogas e nas ruas com o fim de serem vistos pelas pessoas. 

1. "Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial. 2. "Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa. 3. Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, 4. de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará". (Mateus 6:1-4) 

Fiquei alegre três vezes. A primeira pela generosidade da irmã; a segunda por ver que a igreja está aprendendo o que eu tenho me esforçado para transmitir; e a terceira pela lição que eu mesmo aprendi com aquele fato. 

Realmente, não devemos nos descuidar. Deus vê a motivação de cada um. Até mesmo uma ação social pode demonstrar interesses divergentes dos ensinos de Jesus. A reunião para distribuir cobertores, alimentos etc. sem dúvida alguma ajuda os que recebem e os que promovem as doações. Isso é inquestionavelmente bom! Mas, nem tudo o que é bom segundo os nossos padrões atende ao padrão de Deus. 

Sim, o Senhor se agrada da generosidade, do desapego material e do auxílio fraternal. Entretanto, recomenda-nos a discrição para que não sejamos levados a fazer algo por algum interesse que vá além do simples desejo de suprir a necessidade dos outros. 

Estejamos satisfeitos em ser vistos por Deus: 

Que outros façam elogios a você, não a sua própria boca; outras pessoas, não os seus próprios lábios. (Provérbios 27:2) 

Em 11 de setembro de 2016. 

Pastor Sólon Pereira.

 
Hermenêutica bíblica

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Inúmeras heresias são construídas a partir de versículos bíblicos isolados, que não passam por uma avaliação crítica e comparativa com o restante dos textos bíblicos ou do contexto em que estão inseridos. Para que não venhamos a desvirtuar a própria vontade de Deus, devemos fazer algumas perguntas básicas diante de uma afirmação qualquer em relação às Escrituras Sagradas:

1 – Esta afirmação está baseada: 

      a)  em um versículo apenas? 

      b)  somente em versículos do Velho ou do Testamento? 

2 – Esta afirmação considera a harmonia do texto com o seu contexto?

3 – Esta afirmação está em sintonia com os princípios bíblicos? 

4 – Esta afirmação pode ser contraditada por algum outro versículo bíblico? Se sim, qual deles encontra harmonia com os princípios bíblicos? O que parece contraditório, pode ser harmonizado com os princípios bíblicos?

Embora não estejam aqui todas as questões que envolvem a hermêutica bíblica, estes são alguns exemplos da crítica que podemos tecer para não sermos enganados. É bom lembrar que, para a nossa segurança, nenhum versículo ou texto bíblico deve ser considerado fora de seu contexto. Também, é necessário que todos os exames sejam comparados com os princípios bíblicos constantes das Escrituras Sagradas, em especial aqueles afirmados por Jesus. 

Devemos nos lembrar que qualquer afirmação feita com base em versículos isolados é muito perigosa. Se só existe um versículo sustentando uma afirmação, tome muito cuidado para não cair em uma cilada, especialmente quando a conclusão que se tira desse versículo destoa dos princípios bíblicos.Por exemplo: 

“O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (João 10:10 RA) 

Conclusão: Jesus deseja que o homem seja rico e abastado materialmente

“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam;” (Mateus 6:19 RA)

“É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” (Marcos 10:25 RA) 

“Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição.” (1 Timóteo 6:9 RA) 

Conclusão: Jesus  e o apóstolo Paulo não estimulam acúmulo de riquezas. 

Como se vê, há uma aparente contradição entre as afirmações feitas. 

Ora, uma vez que foi o mesmo Espírito Santo que inspirou todos os textos bíblicos, certamente só há uma conclusão possível. Neste caso, a contradição é apenas aparente. Se colocarmos todos os textos em seus devidos contextos e observarmos qual o princípio bíblico a nortear a vida espiritual e a material, seremos capazes de harmonizar o conteúdo todos esses versículos sem grandes dificuldades. 

 Por que o exercício da interpretação é importante? 

Uma palavra constante da Bíblia, se estiver sendo compreendida no exato sentido que Deus quis dar a ela será seguramente “a palavra de Deus”, mas se tomada em qualquer outro sentido será uma arma do Diabo para confundir, enganar e, por fim, matar. De igual modo, um versículo bíblico considerado exatamente no sentido que Deus quis dar a ele será “a palavra de Deus”, mas, se interpretado no sentido que eu quero dar a ele, em razão das minhas conveniências, passa a ser um instrumento do Diabo para que eu me engane a mim mesmo e me perca enquanto penso que estou no caminho da salvação. 

Devemos ter em mente que um versículo compreendido no sentido que Deus disse, é uma arma defesa contra o império das trevas, mas se tomado em sentido diverso será um instrumento de Satanás para tentar o homem e conduzi-lo à destruição. Observem como o Diabo utilizou as Escrituras Sagradas para tentar Jesus e colocar fim em seu ministério e, consequentemente, no projeto de Deus para a salvação da humanidade. 

Portanto, devemos nos lembrar sempre disto: um versículo bíblico pode ser um instrumento de Satanás para levar o homem à morte enquanto ele pensa que está agradando ou fazendo a vontade de Deus. Muito cuidado! 

A interpretação bíblica e nossas experiências pessoais 

Todos nós, a partir do momento em que entregamos nossas vidas ao Senhorio de Cristo, passamos a ter diversas experiências pessoais. Estas, são evidências daquilo que Deus tem operado em nós, por isso não devem ser desprezadas. 

 Entretanto, é possível que em alguma medida estejamos sendo induzidos a experiências que não se amoldem à palavra de Deus. Neste caso, devemos analisar com sinceridade tanto nossas experiências como o modo como elas se encaixam nas Escrituras Sagradas. Havendo qualquer conflito, devemos priorizar a palavra de Deus e não nossas experiências pessoais, por mais reais e palpáveis que sejam. 

Recentemente, ouvi um testemunho de uma mulher que teve uma grande experiência: Deus falou com ela, em alto e bom som, dizendo-lhe que não precisava nem de igreja formal e nem de pastor. Desde então, por orientação divina, criou um blog para incentivar outras pessoas a seguirem esse mesmo caminho, o dos desigrejados, sempre apresentando versículos bíblicos que confirmam sua experiência. 

Importante ressaltar que as mais impressionantes experiências pessoais não podem se sobrepor à Bíblia em seu conteúdo, princípios e propósitos. Por isso ela não está sujeita a julgamento por parte da experiência pessoal. Antes, a experiência pessoal deve se submeter ao juízo das Escrituras Sagradas. 

Quando estudamos a Palavra de Deus tendo em mente sua superioridade sobre qualquer outra evidência, observamos que o escritor nunca diz: "Porque tal coisa aconteceu, isto tem de ser verdade". Em vez disso, afirma justamente o oposto: "Porque isto é verdade, uma coisa particular aconteceu". 

Todos sabemos que nos tempos modernos multiplicam-se seitas com suas heresias das mais diversas e algumas até mesmo exóticas. Isso acontece sempre com aparentes fundamentos bíblicos. Ora, a grande quantidade de incoerências surgidas atualmente com nome de “evangélicos” deve-se ao grande valor que se dá às experiências pessoais e às operações sobrenaturais, enquanto que o ensino sistemático das Escrituras Sagradas perde, cada vez mais, seu espaço e importância. O fato é que nas seitas cristãs a Bíblia é apenas um instrumento para se confirmar as experiências pessoais e sobrenaturais dos criadores e frequentadores dessas seitas. Normalmente, suas doutrinas não passam por um exame hermenêutico sério. 

Um espírito crítico e sensato é, portanto, necessário. Devemos colocar as Escrituras Sagradas no seu devido lugar: primeiro as Escrituras. Ainda que tenhamos vivido uma experiência peculiar, devemos mantê-la no seu próprio lugar. Não devemos menosprezá-la e nem supervaloriza-la. O certo é que nunca devemos julgar ou interpretar a Bíblia por nossas experiências particulares. Também, não devemos criar doutrinas e regras a partir delas. Como todas as coisas relacionadas com o homem, a experiência pessoal pode ser questionada, mas as Escrituras Sagradas, divinamente inspiradas, jamais! 

Portanto, todo cuidado é pouco! Sejamos cuidadosos para não permitirmos que nossas experiências pessoais conduzam nossa interpretação bíblica, quando a interpretação da Escritura é que deve moldar a nossa conduta e as nossas experiências. 

EXERCÍCIO 

Nosso propósito com este exercício é lançar algumas aparentes contradições para serem desfeitas pelo leitor.1) as escravas (mulheres) deveriam ser libertadas no ano do jubileu, assim como se faziam com os escravos (homens)?Textos: Êxodo 21:7 – Deuteronômio 15:12, 172) os escravos deviam ser libertados após sete anos de trabalho ou apenas no ano do jubileu, a cada 50 anos? Textos: Levítico 25:40 - Êxodo 21:2 – Deuteronômio 15:123) Deus criou o homem e a mulher no mesmo momento ou em momentos distintos?Textos: Gênesis 1:26, 27 – Gênesis 2:7, 224) Quantos casais de animais de cada espécie deveriam ser colocados na Arca de Noé?Textos:Gênesis 6:19-20 – Gênesis 7:2,35) Quanto tempo durou o dilúvio sobre a terra?Textos: Gênesis 7:4-12 – Gênesis 7:24; 8:1-14

Em 24 de agosto de 2016. 

Pastor Sólon Pereira 

 
Vão e façam bons cultos!

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 A ordem do Mestre

18. Então, Jesus aproximou-se deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. 19. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20. ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos". (Mateus 28:18-20)

Sem desprezar os ritos e os modelos de reuniões formais, creio que “fazer culto” não deveria ser o principal objetivo de nenhum crente e de nenhuma liderança evangélica. É claro que reconheço os benefícios de uma reunião formal da igreja. E para não ser injusto, admito que sou testemunha de diversas operações sobrenaturais em cultos que participei. Vi, também, muitas pessoas sendo convencidas a se tornarem evangélicas e a abandonarem vícios e certas práticas consideradas pecaminosas. 

Mas, confesso que sempre ficava intrigado ao perceber que muitas dessas pessoas não se tornavam imitadoras de Cristo e nem do Apóstolo Paulo. 

Vaidade, sensualidade, preocupação com a autoimagem não são características da pessoa de Jesus, mas são marcas dos crentes deste novo tempo. As redes sociais, os programas evangélicos de televisão e os shows gospel estão aí para comprovar isso. 

Em relação ao caráter, nossos contatos diários com os crentes modernos nos surpreendem cada vez mais. Muitos se revelam desonestos em seus negócios, pouco compromissados com a verdade, egoístas, interesseiros e dispostos a ingressar com ações judiciais contra seus irmãos para defender causas materialistas, uma vez que nem pensam na possibilidade de suportar algum dano. 

Dentro do ambiente religioso, são constantes as notícias de disputas de poder, rachas de igrejas e de deslealdades. Sem falar na soberba e na presunção de pessoas ou até mesmo de grupos inteiros. 

Quando o assunto é família, ficamos perplexos com a quantidade de casamentos que se desfazem do mesmo modo que se dissolvem as famílias de pessoas incrédulas. A surpresa é maior quando líderes religiosos (pastores e “pastoras”), que pareciam ser modelos de felicidade conjugal e familiar, rompem com os padrões cristãos e ainda continuam com seus ministérios como se isso fosse algo natural. 

Vendo tudo isso, perguntamos: que diferença faz ser ou não ser crente? O que houve com o “sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.”? (1 Co 11:1). E com o:  “Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (Fp 3:17). 

O que faz de nós crentes seria o fato de frequentarmos alguma igreja, participarmos de cultos e de reuniões regulares? Se é assim, podemos entender, então, por que tanta preocupação com bons cultos, com ministração de louvor, apresentações, teatros, danças, testemunhos, mensagens sobre dízimos e ofertas, pregação, apelo e avisos. Ao final, todos voltam para casa com a consciência tranquila e com a sensação de dever cumprido: “somos crentes e prestamos nosso culto a Deus”. 

É possível afirmar que hoje temos dezenas de opções de bons cultos para assistirmos em nossa cidade, mas se esses não são capazes de tornar os frequentadores em imitadores de Cristo, podemos concluir, também, que são ineficazes em atingir o propósito bíblico de tornar os frequentadores em discípulos de Cristo Jesus. 

O que definimos como “culto bom” não significa necessariamente que tenha atendido o anseio de Deus. Pode ter sido bom apenas para os presentes, em relação às suas expectativas terrenas: encontro social, boa música, boa apresentação, boa mensagem, brados de júbilo em torno de afirmações do que queremos ouvir... enfim, algo que nos emocione, nos alegre e nos motive a viver cada vez mais para nós mesmos. 

Ante isso, devemos nos questionar se a mudança que aconteceu em nossas vidas quando nos tornamos ativistas religiosos (frequentadores de cultos, de reuniões e de seminários) deixou-nos mais parecidos com Jesus ou mais parecidos com o modelo religioso prevalente. Talvez, esse modelo inclua o abandono de vícios e de maus hábitos, mas não implique em transformação de caráter ou um rompimento com a vaidade, com o egoísmo e com o materialismo. 

O que esperamos da igreja? Um bom culto ou um discipulado comprometido com os ensinamentos e padrões de Cristo? 

O fato é que as lideranças evangélicas estão cada vez mais preocupadas em fazer bons cultos do que em fazer discípulos de Jesus. Até parece que poderemos agradar a Jesus cantando, louvando, dando glórias, dançando e nos emocionando enquanto nos distanciamos de seus exemplos, mandamentos e padrões. 

Neste caso, mesmo reconhecendo o valor de uma reunião ou de um culto, acredito, honestamente, que o discipulado precisa de tomar o seu lugar, não só para tornar-se prioritário, mas para produzir resultados que, de fato, agradem a Deus. 

Creio que, se os cultos formais não estão produzindo mudança nas vidas dos seus expectadores, estão apenas atendendo o padrão religioso. Um sistema bem caro e que precisa cada vez mais de financiadores, diga-se de passagem. 

O que fazer diante desse cenário?Certamente você já leu diversas vezes as seguintes palavras de Jesus. Mas, desta vez, leia com um pouco mais de atenção: 

14. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram". 15. "Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. 16. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? (...) 21. "Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. 22. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ 23. Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! ’ 24. "Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. (Mateus 7:14-24) 

Sejamos prudentes. Nosso padrão é Cristo. Padrão é para ser seguido e não para ser admirado. Se seguimos quem não imita a Cristo, estaremos nos afastamos do modelo cada vez mais. Por que? Porque um líder vaidoso nada ensinará contra a vaidade. O soberbo não falará contra a soberba. O ganancioso não será contra o materialismo. O sensual não pregará contra a sensualidade. O divorciado não repudiará o divórcio. O imoral não defenderá a imoralidade ... Se assim fizer, sua vida testemunhará contra sua mensagem e cedo ou tarde cairá em descrédito e seu ministério ruirá. 

É por isso que fazer bons cultos é mais gratificante do que pastorear, mais simples do que ensinar toda a verdade e, acima de tudo, mais fácil do que dar bons exemplos. 

Em 10 de setembro de 2016. 

Pastor Sólon Pereira

 
O sistema religioso
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 Vou ilustrar os fatos do modus operandi do sistema religioso que enreda e escraviza  pessoas sob a ilusão de que estão realizando a obra de Deus.

Antes desta leitura, retire o obstáculo dos seus conceitos e preconceitos para que você possa entender a advertência de Jesus, que nos foi oferecida de modo claro e simples.

Imagine uma família tradicional normal, onde os pais trabalham durante a semana, mas que todas as noites estão reunidos em casa e aos finais de semana sempre têm uma programação do tipo almoço com os parentes, passeio no parque, na pracinha da cidade, no riacho mais próximo, no clube, no shopping, no cinema, no aniversário do amiguinho dos filhos, no casamento de um amigo, enfim, uma família que tem sempre uma programação de lazer para que todos possam participar juntos.
Como é absolutamente comum, em certos momentos de suas vidas há conflitos de relacionamentos, algum tipo de obstáculo à realização dos seus sonhos, dificuldades financeiras, pressões profissionais, alguma frustração com colegas de trabalho ou pessoas queridas, e até mesmo traições. Há, também, momentos de enfermidades e, às vezes, falecimentos de pessoas próximas. Todos esses fatos afetam a estabilidade emocional das pessoas e trazem reflexos sobre a família, naturalmente.

Fragilidade humana = oportunidade para o sistema religioso

Nos momentos de angústia, quando o desespero aperta, as pessoas precisam compartilhar sua dor, seu sofrimento, suas aflições e, normalmente, escolhem fazer isso com outras pessoas que lhes pareçam bem estruturadas, felizes, bem resolvidas, religiosas e capazes de ouvi-las e fornecer algum conforto ou palavra de encorajamento e de esperança.
Se conhecem alguém com essas características por perto, logo receberão o convite para levarem sua família para conhecer uma igreja. Em alguns casos, quando não conhecem alguém em especial, vão em busca de alguma igreja cuja propaganda já tenham visto em alguma oportunidade e que lhes pareçam uma boa opção para receberem um apoio espiritual.
Seja como for, ao chegarem na igreja, não percebem que há um sistema profissional lhes esperando. Tudo já está pronto para tirar proveito de suas fragilidades. Há uma rede armada com linhas imperceptíveis. Desde a porta, a recepção é sempre muito simpática e há muitas atenções voltadas para elas, mas tudo é feito com discrição. A música, o coral de vozes, a reverência, a organização, o comportamento e as roupas das pessoas, tudo parece atender a uma expectativa de como deve ser uma igreja onde Deus está presente e pronto para abençoar.

A rede está armada

Quando o ambiente se encaixa nas expectativas dos visitantes, sobre como deve ser o local onde Deus pode operar, eles removem boa parte de suas camadas de proteção e ficam receptivos. Esse é o primeiro passo.

O segundo passo é enviar mensagens às mentes dos visitantes que falem sobre suas necessidades. Geralmente, as pessoas angustiadas querem ouvir aquilo que alente seus corações. Isso pode ser feito por meio das letras das músicas cantadas, pela mensagem do pregador e, em alguns sistemas religiosos mais maliciosos, por meio de “dons espirituais” especialmente preparados para criar uma ligação direta entre o deus que se apresenta e a expectativa dos visitantes. Quando essas coisas acontecem de modo certeiro, pronto! Os corações já estão “abertos”! As camadas de proteção já foram todas removidas e os visitantes já estão prontos para atender os conselhos que lhes serão transmitidos mais ao final, seja para que contribuam de alguma forma com a igreja, seja para que retornem outras vezes para ouvir outros conselhos para que seus problemas sejam resolvidos.
Talvez você esteja pensando neste momento: mas isso não é bom?
Sim, todas as pessoas precisam de apoio nos momentos difíceis de suas vidas. É muito bom sermos bem recebidos em um ambiente amável, agradável e espiritual. É muito bom sentirmos que Deus se importa conosco, que não estamos sozinhos e que teremos, além de uma mão humana estendida, um mover sobrenatural de Deus para superarmos os obstáculos que estão imediatamente à nossa frente.
Mas, tudo isso seria ótimo se não fosse uma estratégia preparada para levar as pessoas a se entregarem a um sistema religioso preparado para escravizar suas vidas. Seria ótimo se não houvesse manipulação e engano, especialmente quando se fala, em nome de Deus, o que Deus não disse ou quando se induz as pessoas a oferecer ou a fazer o que Deus não requer delas.

Envoltos pela rede

Voltemos ao nosso exemplo. A família fragilizada que foi à igreja sentiu-se muito bem recebida e amada por Deus. E como gostou do ambiente, da música, da mensagem, das pessoas e do tratamento que lhe foi dispensado, ela se programa para voltar sempre que possível.
Com o passar de algum tempo, essa família começa a desejar estar integrada àquele grupo de pessoas, porque percebem que podem desenvolver relacionamentos saudáveis, agregadores e estar sempre ouvindo mensagens de apoio, de encorajamento e ouvindo testemunhos de como Deus operou para melhorar a vida das pessoas com as quais elas gostariam de ter como amigas. E tudo isso sem precisar de bebidas alcoólicas para que o ambiente seja alegre e descontraído.

O início do aprisionamento

Essa família, então, passa a admirar as pessoas que estão em um patamar espiritual superior, de modo que começam a prestar atenção em tudo que fazem para estar naquele nível espiritual. Como estão receptivas, ouvem de bom grado os conselhos do que devem fazer para que Deus se agrade delas cada vez mais. E assim essa família começa a enxergar uma escada espiritual e começa a se esforçar para subir cada degrau até chegar onde está aquele, ou aquela, que admiram. Alguns líderes chegam a ser idolatrados!
A partir daí suas energias estão liberadas para obedecer ordens, como um bom soldado. Logo atendem ao chamado para participar dos mutirões, reuniões e seminários da igreja, contribuir financeiramente e atender as demais expectativas da liderança sobre o que devem fazer para ser um bom “servo de Deus”.
Ao longo dessa jornada, cada degrau que se sobe os leva a almejar atender os critérios da liderança em direção ao próximo degrau. Estar em posição de liderança, por exemplo, pode ser uma meta a se transformar em uma obsessão. Afinal, além do desejo de “servir a Deus”, os novos membros notam que os líderes são respeitados e amados por todos. Mais que isso, possuem prerrogativas diferenciadas, seja de lugares que se assentam, seja pela permissão exclusiva para a participação de algumas reuniões especiais, de estar mais próximo dos líderes superiores etc. Tudo isso parece bastante sedutor, especialmente em relação ao “poder” que podem exercer, algo muito sedutor. Quanto mais se sobe na hierarquia do sistema religioso, mais se tem poder de mando. E esse poder tem um pouco mais que o poder que se vê nas organizações seculares, porque é um poder especial, um poder dado por Deus, que dá ao homem uma autoridade toda especial sobre os outros.

Peixe na rede! A obediência é a regra principal!

A felicidade de se subir um mais um degrau na escada do sistema religioso é tamanha que as obrigações decorrentes das novas funções eclesiásticas parecem valer a pena. Ou seja, quanto mais alto, mais responsabilidades, mais reuniões, mais compromissos, mais comprometimento com as doutrinas particulares, mais obediência às regras do sistema e mais exemplos tem que se dar. Cada degrau a mais implica em maiores expectativas sobre sua conduta, sobre sua aparência, sobre a apresentação de sua família, sobre o modo como pratica as doutrinas e regras da instituição etc. Enfim, para cada degrau há uma capa nova para vestir e, às vezes, uma máscara nova para colocar sobre sua face, para esconder suas fragilidades, seus problemas pessoais, seus conflitos internos e externos que, como eu disse no início, são comuns a todos os homens.

E a família, como vai?

Agora, imaginemos que a família do nosso exemplo chegou em um ponto elevado da escada do sistema religioso. Vamos imaginar que o pai seja o pastor de uma pequena congregação e que a sua esposa, a mãe, seja líder das irmãs. Mas, ainda haja muitos outros degraus a subir, porque sempre há uma igreja maior que pode ser “conquistada” ou, quem sabe, uma coordenação de um grupo de igrejas, que dá ao pastor preeminência em toda uma cidade ou região, com visibilidade especial nos seminários nacionais ou em redes de televisão. Ou seja, há sempre algo mais a almejar...
Entretanto, quando olhamos novamente para essa família, percebemos que são raros os momentos em que estão fazendo seus passeios como faziam antes. Afinal, não há mais tempo disponível, porque são muitas reuniões e responsabilidades religiosas enlaçando cada membro da família. Eles estão muito ocupados e cansados, mas aparentemente felizes, porque a felicidade aparente faz parte da capa e da máscara que eles têm de ter no degrau em que se encontram.
Retroceder! Jamais! Deixar de atender as expectativas que estão sobre seus ombros é impensável! A opção é seguir em frente, ainda que haja perdas pelo caminho!
Sim, mas há muitas perdas pelo caminho...
O sentimento de culpa virá, inevitavelmente, seja porque o sistema nunca está satisfeito com o que você consegue oferecer, seja porque já se pode perceber que a família está tendo prejuízos... alguns irreparáveis...
Para piorar as coisas, há uma confusão entre atender as regras do sistema religioso e atender a expectativa de Deus. Ou seja, as pessoas passam a associar as duas coisas, de modo que deixar de corresponder ao sistema passa a ser um pecado contra Deus. Sem que elas tenham percebido, as suas mentes foram preparadas para obedecer ordens eclesiásticas superiores como se fossem ordens do próprio Deus. E como aprenderam desde o início que desobedecer a Deus é pecado e implica em rejeição, castigos, morte e inferno, é preciso obedecer, ainda que as exigências sejam excessivas e que a família sofra por isso.

Jesus tirou o fardo?

Sabe aquela história bíblica de que Jesus levou o nosso fardo? Sim, o fardo de Jesus é leve, mas o do sistema religioso é bem pesado!
Obedecer às regras do sistema religioso vai tornando a capa cada vez mais pesada, não só por causa dos inúmeros compromissos religiosos, mas principalmente porque é cruel ter de representar o tempo todo. As angústias são semelhantes àquelas do passado, mas agora não se pode compartilhar com mais ninguém, porque isso seria um sinônimo de fraqueza, pecado ou esfriamento da fé. Sim, na posição em que se encontram, ninguém pode perceber suas reais situações. Se alguém notar, há um risco de se perder tudo o que lutaram anos para conquistar.
A pior situação de todas são as dos pastores remunerados pelo sistema religiosos. Por mais que eles percebam o quanto estão sendo apenas peças de um sistema cruel não podem nem mesmo pensar em mudar as coisas. Esses devem andar e pregar dentro das cartilhas da igreja e ainda fingir que estão contentes e que está tudo bem, porque sua própria subsistência depende do seu “emprego” eclesiástico. E como a pregação passa a ser seu meio de sustento, não há como deixar de realizar suas tarefas, ainda que estejam interiormente massacrados. Muitos pastores não têm com quem conversar e não podem "abrir o jogo", nem com a igreja nem com suas lideranças. O sistema religioso não tem lugar para líderes fracos! As igrejas que possuem conselhos, por exemplo, logo demitem o pastor que não esteja bem ou que esteja apresentando  os resultados esperados. O sistema é cruel! 

O pastor suicidou? E a família, como estava?

Hoje não é mais novidade alguma notícia de suicídio de pastores. Evidentemente, não podemos inferir nada sobre o sentimento ou a doença que estavam ocultos, mas podemos afirmar, com certeza, que havia alguma dor sem tratamento no íntimo do pastor e que ninguém percebia isso. Há diversos casos em que os membros ficam espantados, porque o pastor estava pregando normalmente na igreja no dia anterior ao suicídio.
Também, não são raros relatos de filhos de pastores com problemas emocionais, revoltas contra o sistema religioso e culpando a igreja ou seus pais pelo desamparo em certos momentos de suas vidas. Para completar, são diversos os exemplos de casamentos desses pastores chegando ao fim, enquanto outros são mantidos apenas por conveniência, embora o compromisso matrimonial já tenha se perdido há muito tempo e por diversas razões.
Sustentar a capa e manter a máscara exigem muito desgaste e a família “feliz” é a maior prejudicada na maioria das vezes, até porque o sistema se coloca como algo mais importante do que a família. Uma reunião familiar jamais pode ser a justificativa para se deixar de participar de uma reunião do sistema religioso.

Virando as costas! A segregação e o MEDO!

E quando parentes questionam esse tipo de comportamento, logo o sistema promoverá o afastamento de seus membros dessas pessoas, porque, para se proteger o sistema afasta o homem de seus parentes mais próximos, especialmente daqueles questionadores. Esses são perigosos já que podem abrir os olhos dos escravos do sistema.
A justificativa do sistema será sempre a mesma: se Jesus disse que veio para separar pais e filhos é porque ele não quer que ninguém atrapalhe a dedicação dos escravos do sistema religioso.
O isolamento do contexto familiar e social é um método sempre presente no sistema religioso, que faz com que as pessoas passem a estar integrados somente entre eles próprios. Isso afasta a possibilidade de alguém ser encorajado a abandonar o sistema. E se, ainda assim, alguém pensa em deixar o sistema, logo será desencorajado ao pensar que perderá todos os seus amigos de uma hora para outra. Isso porque todo bom sistema religioso induz seus membros a virarem as costas imediatamente para os eventuais desertores. Assim, o que saiu fica absolutamente perdido, enquanto os que ficaram serão protegidos de contatos que possam contaminá-los. Para tanto, é necessário apontar o desertor como um caído, pecador, desobediente etc.
Evidentemente, essas coisas causam pânico em quem também já pensou em se desligar do sistema. Isso porque, pensam que ficarão sem Deus, sem parentes, sem amigos e debaixo da maldição reservada aos caídos desobedientes! Quem pensa assim, certamente já está com a mente dominada pelo MEDO implantado pelo sistema religioso em seus escravos. Isso é um sinal! Se você está assim, perceba que não está na Igreja de Jesus Cristo, mas em um sistema religioso  cruel.

Então, como é que alguns conseguiram sair?

O que se pode notar nos tempos modernos é que, especialmente os jovens, são os primeiros a perceber o que está acontecendo. Não só porque suas mentes foram trabalhadas por menos tempo, mas porque a tecnologia tem sido um meio de exposição das mazelas provocadas pelo sistema religioso. Em alguns casos, há sempre um integrante da família que, por meio das redes sociais, começam a ter acesso às experiências de outras pessoas que conseguiram “escapar” do presídio de segurança máxima chamado “sistema religioso”. Embora as redes sociais sejam também usadas para falsear realidades, elas têm sido  importante instrumento para lançar alertas sobre o que é o sistema religioso.
Evidentemente, como estamos falando de um sistema bem engendrado, há diversas estratégias para desestimular as pessoas a buscarem informações que não sejam aquelas repassadas pelo sistema de normas e doutrinas internas. Uma das estratégias é demonizar o ambiente virtual. Para tanto, o sistema aproveita-se dos diversos exemplos de pessoas que se perderam a partir do envolvimento pernicioso nas redes de relacionamentos. Como bem sabemos, uma arma pode ser usada para o bem ou para o mal. Isso só depende de quem a tem em suas mãos. Uma pessoa com a mente de Cristo certamente saberá fazer bom uso de todas as coisas que lhe são lícitas e excluir as que não lhe convém.
Mas, como o sistema religioso conhece bem o seu gado, sabe que terá de monitorá-lo e decretar regulamentos de proibição de acessos e de relacionamentos em alguns casos. E quem desobedece suas ordens é punido publicamente com afastamento de funções e isolamento interno, de modo que se sintam envergonhados e com medo de se voltarem contra o sistema, porque aprenderam que questionar o sistema ou a disciplina imposta por sua liderança é questionar o próprio Deus soberano.
Outra estratégia muito usada pelo sistema religioso é dar exemplos de pessoas "desobedientes" que saíram do sistema e morreram ou se perderam pelo caminho. Assim, o medo fica impregnado na mente dos membros do sistema que só de pensar em sair já ficam apavorados.

Caiu? O membro ou a máscara?

O que muitos não percebem é que os que deixam o sistema religioso e acabam mal já estavam mal dentro do sistema, e, muitas vezes, por causa dele. Ou seja, o próprio sistema acabou com suas vidas e com suas famílias ao longo dos anos e ninguém percebeu. Mas quando um membro do sistema sai por iniciativa própria ou é expurgado, normalmente jogam fora suas capas e suas máscaras, porque não precisam mais delas. Assim, quando retiram a capa e a máscara, revelam quem esteve escondido por vários anos atrás do disfarce.
Por exemplo, o casamento que já estava sendo mantido como disfarce há muitos anos é desfeito após o casal deixar o sistema e perceber que não precisam mais usar a máscara e sustentar a capa da santidade, da fidelidade e do respeito que, na verdade, já não existiam há muito tempo.
Outro exemplo, o jovem que já estava sofrendo com tanta pressão dentro do sistema religioso, muitas vezes escondendo seus mais latentes desejos, ao sair do sistema percebe que não precisa mais de máscara, porque o que ele fazia escondido não será recriminado do lado de fora do sistema.
Assim, os que permanecem no sistema ficam com a impressão de que deixar o sistema religioso é a causa da loucura que toma conta dos “caídos”, quando na verdade o que caiu foi simplesmente a máscara que os que saíram usavam enquanto estavam dentro do sistema religioso, mas que escondia o que essas pessoas já eram antes de sair.
Se alguém não chegou a carregar uma capa ou a colocar uma máscara enquanto estava dentro do sistema, quando sair nenhuma mudança será notada em sua vida. Essa pessoa dará sequência normal à sua vida e levará para o seu futuro tudo o que for proveitoso. Quem aprendeu a amar a Deus e ao próximo, não há porque deixar de fazê-lo depois que sair. Se amava e respeitava seu cônjuge, isso não mudará simplesmente por estar fora do sistema. Se valorizava a família, continuará amando da mesma maneira. 

Sair não é fácil, mas não é impossível

Sim, é possível sair do sistema, mas para isso é preciso, primeiramente, que o sistema saia de dentro de você. Se isso não acontecer, a saída física de uma denominação religiosa não significará a saída do sistema religioso.
Por exemplo, é muito comum ver pessoas saindo porque deixaram suas máscaras cairem enquanto elas ainda estavam dentro do sistema. Essas são expurgadas, sem piedade, e passam a viver um grande dilema, pois acreditam que o sistema era bom e elas é que eram más e indignas do sistema. Infelizmente, pessoas que nutrem esse tipo de sentimento de culpa, continuarão rastejando atrás do sistema que os expurgou, às vezes até a morte.
Outras pessoas saem do sistema, porque se sentiram injustiçadas em suas aspirações dentro do sistema. É o caso de homens que não conseguem alcançar os cargos que queriam e acham que são melhores que os outros que estão onde ele gostaria de estar. Essas pessoas, ao chegarem no limite de suas frustrações, abandonam a igreja que os controla, mas o sistema religioso continua latente em suas vidas, de modo que muitos irão procurar um sistema parecido, com características semelhantes daquelas de onde saiu, e onde eles possam tentar novamente realizar suas ambições religiosas.
Há, também, aqueles que se acham muito bons, mas injustiçados porque suas ideias não foram aceitas pelo sistema em que estavam. Esses irão buscar alguma justificativa para sair da igreja que estão e formarão suas próprias igrejas, dentro do mesmo modelo que idolatram, ou seja, nunca saíram do sistema, apenas querem erguê-lo em outro lugar.
A meu ver, quem não compreende o que é o sistema religioso e não discerne que  o seu líder é o Diabo, jamais conseguirá se livrar dele. Será  escravo para sempre, até a morte! Nunca irá  gozar da liberdade para a qual Cristo o libertou. Nos primórdios da igreja Paulo identificou situação semelhante. Algumas pessoas não conseguiam viver a plenitude da graça porque não conseguiam se livrar do  jugo de escravidão da Lei  (Gálatas 5:1). E quem estava promovendo a escravidão? Os "cristãos" judaizantes! O interessante é que ainda hoje temos igrejas que incluem em sua moralidade e em suas práticas diversos preceitos da Lei de Moisés, coisas que nem mesmo se aproximam dos ensinamentos de Jesus, mas que são muito úteis para prender os membros a rituais ou mesmo para dominá-los pelo medo de maldições.
Meu conselho, se é que alguém aceita o conselho de alguém que não tem expressão no “mundo evangélico” é: observe se você está em uma igreja ou em um sistema religioso. E se você perceber que está em um sistema religioso, melhor sair logo daí. Mas, só saia depois que o sistema sair de dentro de você, caso contrário você está fadado a pular para outro sistema religioso semelhante.
Se você já está com uma capa e com uma máscara, jogue isso fora enquanto é tempo. Talvez as pessoas se assustem quando enxergarem quem você realmente é, mas se ainda há sinceridade no seu coração e desejo de servir a Jesus, melhor fazer isso sem capa e sem máscara, porque o médico só consegue ajudá-lo se souber exatamente o que está acontecendo com você. Ninguém poderá ajudá-lo enquanto você estiver escondido atrás de um personagem.
Guarde esta mensagem: tudo o que você precisa para estar integrado à igreja de Jesus dificilmente estará dentro do sistema religioso, porque todo sistema religioso se sobrepõe a Jesus e faz de Cristo apenas mais um personagem de sua estrutura.

Que conselho absurdo!!!

Então, você achou meu conselho um absurdo? É bom lembrar que Naamã teve dificuldade de aceitar um conselho simples de Eliseu, porque havia dentro dele uma expectativa sobre como o profeta deveria fazer para mover o poder de Deus. Ou seja, se o sistema está dentro de você, esta mensagem com um conselho simples poderá até revoltá-lo, porque talvez você não possa aceitar uma sugestão que não esteja de acordo com os seus conceitos sobre Deus e sobre a igreja. Com sinceridade, reveja seus conceitos! Experimente ler a bíblia novamente sem a lente do sistema religioso e encontrará vários personagens para encorajar você a mergulhar no rio Jordão.
Quando Filipe encontrou Natanael, lhe falou que havia encontrado o messias, aquele de que a lei e os profetas falavam. Ele disse que esse homem era Jesus, de Nazaré. Então Natanael logo retrucou: “e pode vir algo bom de Nazaré?” Isto é, dentro de sua expectativa religiosa não cabia um messias vindo de um lugar humilde e simples. Ele tinha a mesma visão que a maioria dos religiosos de sua época, que só aceitariam um messias que atendesse suas expectativas, talvez com uma imagem de um rei-libertador da pátria do jugo romano e, por isso, eles não perceberam que o messias já estava entre eles.
E como Jesus não se encaixou dentro do sistema religioso daquele tempo, passou a ser perseguido.

O sistema religioso já existia no tempo de Jesus!

Vou insistir! Mergulhe sete vezes e você salvará a sua vida!
Jesus,  o mestre, o messias, o filho de Deus, o salvador da humanidade, aquele que não mente, falou de modo muito claro sobre o sistema religioso, definindo suas características principais. Os judeus se sentiram ofendidos porque a palavra de Jesus tocou na menina de seus olhos, o orgulho dos fariseus: o sistema religioso que eles idolatravam, a razão da vida dos fariseus.
Vamos mergulhar nas palavras de Jesus?
Se você está disposto a mudar de vida, afaste seus preconceitos por um instante e veja como Jesus desmascarou o sistema religioso, mostrando que seus integrantes não eram o que pareciam ser.
No sistema religioso,  a santidade é simulada – Mt 23:5, 27
Os fariseus tinham roupas de santidade, com filactérios largos e franjas longas, mas Jesus disse que essa santidade só servia para disfarçar a podridão que estava por dentro, comparando-os a sepulcros caiados.
A injustiça faz parte da realidade do sistema religioso – Mt 23:2, 4
Os fariseus gostavam de se assentar “na cadeira de Moisés”, como grandes mestres da Lei, mas não praticavam o que ensinavam. Ao contrário, eram exigentes demais com os homens, colocando fardos pesados em seus ombros, enquanto eram compassivos consigo mesmos.
Por isso, Jesus disse que eles pareciam justos, mas seus corações estavam cheios de hipocrisia e maldade.
A vaidade é uma das principais características do sistema religioso – Mt 23:6, 7
Os fariseus gostavam de ocupar lugares de honra nos banquetes e os assentos mais importantes nas sinagogas. Gostavam de ser saudados nas praças e de ser chamados ‘rabis’. Nada mudou. Até hoje o sistema religioso é um palco de vaidades, onde tudo o que as pessoas fazem é para promoção pessoal, para serem vistas pelos homens.
Por isso Jesus disse para seus discípulos fazerem suas orações em particular e a dar esmolas sem que uma mão soubesse o que a outra estava fazendo, em contraste com o que os fariseus faziam para se promoverem.
Por trás das capas da religiosidade há  muita ganância e cobiça ocultas – Mt 23:25
Jesus chamou os fariseus de hipócritas porque disfarçavam bem suas vidas cheias de ganância e de cobiça, como quem limpa somente o exterior do copo e do prato, enquanto o interior está contaminado.
O sistema é extremamente cuidadoso com sua subsistência, mas não com a essência – Mt. 23:23
Jesus questionou suas prioridades, porque os fariseus eram zelosos com dízimos e ofertas, mas não observavam questões mais relevantes como a justiça, a misericórdia e a fidelidade.
O sistema só leva as pessoas a servi-lo, mas não as conduz a Deus – Mt. 23:13
Jesus desmascarou o sistema religioso, cheio de mestres, mas que fechava o Reino dos céus, não somente para os líderes fariseus, mas para todos os seus seguidores.
No sistema religioso a espiritualidade é  dissimulada – Mt. 23:14
Jesus revelou que as visitas de oração feitas pelos fariseus eram, na verdade, desculpas para penetrar nas casas das viúvas e devorá-las. Coisas desse tipo acontecem frequentemente nos locais onde "dons espirituais" são utilizados para invadir a vida e a privacidade das pessoas, orientando seus passos em direção ao fortalecimento do sistema e implantando o medo e o sentimento  de culpa, caso não atendam o que “deus” está falando.
No sistema religioso a família fica em segundo plano – Mc 7:10-12
Jesus condenou os fariseus ensinavam que se um homem deixasse de socorrer seus pais necessitados para entregar ofertas a eles, tal atitude estaria justificada. Isto é, o mestre deixou claro que a prioridade do sistema religioso estava invertida e que “deixar pai e mãe por amor de mim” não significava desonrar pai e mãe em benefício de um sistema religioso.
A evangelização do sistema religioso só enche as igrejas, mas não o céu – Mt. 23:15
Jesus condenou o esforço evangelístico dos fariseus, os quais percorriam terra e mar para converter pessoas ao sistema que, ao final, os faria filhos do inferno.

Mergulhou? Quantas vezes?

Se você leu este texto até aqui, certamente já deu alguns mergulhos no rio Jordão. Veja se falta algum:
1) Se você notou que caiu em uma rede em determinado momento de sua vida em que estava fragilizado;
2) Se você notou que está todo enrolado obedecendo inúmeras regras do sistema religioso;
3) Se você notou que sua família pode estar em perigo;
4) Se você já está sentindo o fardo pesado que o sistema religioso colocou em suas costas;
5) Se você notou que está segregado e distante até mesmo de seus parentes;
6) Se você percebeu que está usando uma máscara e uma capa para falsear sua realidade ou seus sentimentos;
7) SÓ FALTA UM MERGULHO!
Vamos relembrar a passagem de Naamã:
a) ele ficou indignado com Eliseu - não gostou do modo como foi abordado e desprezou o conselho do profeta em seu coração;
b) ele se achava mais sábio que o profeta e tinha sugestões melhores para o seu próprio problema;
c) ele era necessitado, mas orgulhoso, e quase voltou para sua terra para continuar morrendo lentamente;
MAS... fez o que achava ser humilhante: mergulhou as SETE VEZES!
SERÁ QUE ELE SERIA CURADO SE TIVESSE MERGULHADO SEIS VEZES?

O SÉTIMO MERGULHO

Às vezes nós também queremos que Deus se encaixe em nossas expectativas, mas perceba uma coisa: se você ainda acha que as águas de Damasco são melhores, passe o resto de sua vida mergulhando nos rios de Abana e Farfar, até morrer. Se você acha que há algum tipo de interesse pessoal neste conselho, porque em sua mente está implantado o sistem aproveitador do sistema religioso, lembre-se: Eliseu não quis absolutamente nada de Naamã (2 Reis 5:15-16). 
Mas, se você realmente quer mudar de vida, salvar sua vida, não se importe com o fato do mensageiro de Deus ser um pobre desconhecido, sem fama, sem seguidores e por não se encaixar em suas expectativas sobre ministério, igreja e Deus.
É bem possível que você pense assim: eu não posso aceitar um conselho desses, porque isso não faz sentido! A igreja é uma instituição de Deus!
Sim, é verdade! A igreja é uma instituição de Deus, mas o sistema religioso é uma instituição do Diabo, meticulosamente entabulada para escravizar pessoas, fazer delas marionetes e condená-las a uma vida de falsidades, com capa e máscara para ocultar suas mazelas.
O fato é que a igreja de Jesus e o sistema religioso são coisas distintas e excludentes, ou seja, se você está na igreja, você não pode estar no sistema religioso. Se você está no sistema religioso, você não está na igreja.
A igreja tem reuniões, a igreja tem liderança, a igreja tem compromisso com a palavra de Deus, a igreja tem cânticos e louvores de adoração, a igreja tem cooperação e a igreja tem falhas, porque é constituída por homens. Mas, uma coisa você nunca encontrará na igreja: o domínio de um homem sobre outro homem.
Se o lugar que você frequenta está repleto de vaidades,  faz de você uma pessoa soberba,  e coloca os homens servindo a homens como escravos, certamente você está em um sistema religioso e não na igreja de Jesus.
Se o lugar que você frequenta tem aparência de perfeição e santidade exagerada, fardos pesados nas costas dos membros, ganância por dinheiro, cobiças ocultas, espiritualidade dissimulada com dons espirituais que só confirmam o que as lideranças querem, mensagens que colocam a família em segundo plano, isolamento social e orgulho dos membros em relação ao nome da igreja, não tenha a menor dúvida, você está em um sistema religioso e não na igreja de Jesus.
Portanto, meu irmão, mergulhe no rio Jordão! Largue a capa, jogue fora a máscara e mergulhe SETE VEZES. Não pare até que a pureza do evangelho de Jesus limpe completamente a sua vida e o liberte.


EIS O SÉTIMO MERGULHO!  

Eu sei que implantaram o medo e o sentimento de culpa em sua vida, mas tudo isso sai nas águas do rio Jordão. Não tenha medo!
Eu consegui sair, há quase 20 anos! E hoje estou aqui para encorajá-lo! O rio Jordão não é bonito como os rios de Damasco, mas restaura sua vida!
SAIA DO SISTEMA! VOCÊ PODE!
Por: Pastor Sólon Pereira
Em, 27 de janeiro de 2019
Veja o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=uIiepzBobUU