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Reino Unido tem mais igrejas do que pubs, afirma pesquisa

Enquanto as grandes denominações continuam decair, movimentos pentecostais e missões reversas vêem público crescer.

Uma das marcas do Reino Unido é que em todos os lugares havia um pub, uma igreja e uma loja. Hoje esse perfil mudou, os pubs (abreviação de “casas públicas”) se tornaram ícones, um destino popular para os visitantes experimentarem bebidas, refeições tradicionais deste tipo de comércio e o ambiente cultural. Mas as igrejas, graças a contribuições externas, ultrapassaram a quantidade de pubs.

Na Inglaterra, restaram 39 mil pubs, um quarto a menos que 20 anos atrás. Agora há mais igrejas do que pubs, segundo dados recentes anunciados no mês passado pelo National Churches Trust.

O número de igrejas em geral também está caindo, mas não tão rápido como os pubs. Os cristãos no Reino Unido estão em declínio, como na América e em outras partes do mundo ocidental.

Segundo Peter Brierley, que dirige a Brierley Consultoria, que realiza pesquisa destinada a fortalecer a liderança da igreja no Reino Unido, a secularização total não acontece por pelo menos dois motivos.


Primeiro, as pesquisas mostram que muitos dos que dizem que não têm “religião” ainda acreditam em Deus, oram e até mesmo lêem a Bíblia. Em segundo lugar, há realmente um crescimento substancial entre certos tipos de igrejas no Reino Unido, “tudo no contexto da promessa de Deus de construir sua igreja”, afirma Peter.

Segundo as pesquisas, as três maiores denominações do Reino Unido - anglicanos, católicos romanos e presbiterianos - estão decaindo rapidamente. No geral, seus números caíram 16% nos últimos cinco anos, os presbiterianos, os mais rápidos (abaixo de 19%). Dois outros grupos principais também estão em declínio, batistas e metodistas, mas eles são bem menores em tamanho.

As três principais denominações formam 60% dos membros da igreja, e os dois menores, outros 16%. Os membros remanescentes geralmente pertencem aos tipos de igrejas que estão tendo mais crescimento no momento - muitas das quais têm uma tendência pentecostal, variando de denominações fundadas por imigrantes e as conhecidas, como a Hillsong.

Seu aumento, embora significativo, infelizmente não é suficiente para compensar a queda entre as igrejas maiores, mas moderou o declínio geral, diz Peter.

Segundo Peter, alguns tipos de igrejas estão crescendo mais rapidamente em meio a mudanças demográficas no Reino Unido, entre as quais estão as igrejas imigrantes, igrejas da maioria negra e igrejas de missão reversa.

Londres

Londres é o epicentro das igrejas em crescimento. Entre 2005 e 2012, a frequência geral da igreja (não membros) em Londres passou de 620.000 pessoas para 720.000, um aumento de 16%. O número de igrejas aumentou em duas por semana, de 4.100 para 4.800.

Durante esse período, a cidade recebeu imigrantes da Europa e do resto do mundo, e sua população cresceu de 7 milhões para 8 milhões em 10 anos.

Muitos desses recém-chegados eram cristãos e buscavam uma igreja que falasse sua língua. Mais de 50 idiomas diferentes são falados nas igrejas de Londres; 14% de todos os serviços realizados na cidade não são em inglês.

Peter conta que a tendência se espalhou desde então para outras grandes áreas urbanas, onde as igrejas atraem outros crentes que compartilham a mesma língua, perspectiva, cultura e assim por diante. Este é efetivamente o princípio enunciado primeiramente por Donald McGavran, o guru do crescimento da igreja, que disse: “As pessoas gostam de ficar com seu próprio povo”, o chamado princípio da unidade homogênea.

Muitas dessas igrejas realizando culto em outras línguas são católicas romanas. Outros são igrejas “negras”, também chamadas de Igrejas da Maioridade Negra (BMC). Eles também são imigrantes, mas estão no Reino Unido há muito mais tempo, muitas vezes agora em sua terceira ou quarta geração.

Eles vieram pela primeira vez como parte da geração Windrush, batizada em homenagem ao navio que atracou em 1948 com muitas das Índias Ocidentais (Caribe). Rejeitadas inicialmente pelas igrejas brancas nativas, formaram seus próprios grupos, como a Igreja de Deus do Novo Testamento, a Igreja Pentecostal de Elim, a Igreja Apostólica, as Assembleias de Deus e outras.

Missão reversa 

As igrejas de imigrantes também realizam missão reversa, ou seja, após serem evsangelizados, passaram a evangelizar por meio de missão.

Peter diz que as igrejas de imigrantes se juntaram nos últimos 25 anos ou mais com outras que vieram da África Ocidental, as igrejas da “missão reversa”, como a Igreja Cristã de Deus Redimida (RCCG), a Comunhão Cristã Potters House, os Ministérios da Montanha de Fogo, a Igreja de Pentecostes e outras. Muitos ainda estão começando novas igrejas.

Fundada em Lagos, na Nigéria, a RCCG, por exemplo, iniciou mais de 800 igrejas no Reino Unido desde 1993, liderada por um homem com visão clara e estratégia eficaz, o Pastor Agu Irukwu. Sua igreja de 4.000 pessoas em Brent, no oeste de Londres, adotou o slogan “uma igreja a 10 minutos de caminhada”. Isso vem direto da mata nigeriana, onde ninguém vai à igreja de carro ou táxi.

É efetivamente o sistema “paroquial” usado pelas três maiores denominações, mas o RCCG busca energicamente: “Você mora perto de nós, vem e se junta a nós, você vai gostar, nós somos calorosos e animados, e você não tem muito longe”. Muitos respondem; o RCCG é agora a maior denominação Pentecostal no Reino Unido.

Igrejas de oportunidade

Peter descreve ainda outro grupo de igrejas em crescimento, que ele chama de igrejas da “oportunidade”, que tem líderes que sentem uma abertura e assumem o desafio.

Isso inclui a Hillsong Church, por exemplo, fundada na Austrália por Brian e Bobbie Houston em 1983, e desde então se espalhou para o Reino Unido, EUA e outros países. Hillsong reúne 5.000 pessoas todas as semanas no maior teatro de Londres, o Dominion Theatre, 70% dos quais com menos de 25 anos.

Os jovens irão à igreja se essa igreja for atraente. A Hillsong London teve que adicionar um segundo teatro, já que o Dominion não conseguiu aguentar mais, e eles se espalharam para várias outras cidades e vilas também.

De acordo com Robert Beckford, professor de teologia da Universidade de Canterbury, Hillsong fornece pregação prática, adoração dinâmica e uma congregação cosmopolita.

Outro exemplo de uma igreja de “oportunidade” é a Holy Trinity Brompton (HTB), liderada por Nicky Gumbel, que desenvolveu o Curso Alpha. É a maior Igreja Anglicana da Inglaterra e ajudou a cultivar mais de 20 outras igrejas anglicanas em dificuldades, a convite do respectivo bispo.

A HTB fornece orientação, liderança, às vezes, alguns recursos financeiros e pessoal, mas, por outro lado, apoia principalmente a estratégia, a oração e a ajuda pessoal. Eles também têm sido extraordinariamente eficazes, e isso está dentro da Igreja da Inglaterra, que estava em declínio.

Por último, as pessoas estão aproveitando a oportunidade para começar novas expressões da igreja. Elas podem ser parte do programa de evangelismo de uma igreja, ou elas começam a se tornar uma igreja separada.

Metade deles é liderada por leigos, geralmente destreinados, mas com alguma experiência de liderança, metade não se reúne em igrejas, mas em aldeamentos ou escolas, e muitos não se reúnem aos domingos, mas durante a semana. A maioria se reúne pelo menos mensalmente e algumas a cada semana. Aqueles que vêm recebem uma recepção calorosa e há tempo para a adoração enquanto estão juntos.

A pesquisa mostrou que dois quintos dos que vieram não frequentaram uma igreja antes, e um terço adicional é de pessoas que estão retornando à igreja depois de estarem ausentes (em média, por cerca de 10 anos). Existem mais de 3.000 igrejas nestes padrões no Reino Unido, com a presença de cerca de 103.000 pessoas em 2019, o que representa 2,4% de todos os fiéis.

Assim, o crescimento da igreja está definitivamente acontecendo no Reino Unido, apesar do declínio geral. A igreja não vai fechar tão cedo. Apenas 5% da população frequenta a igreja agora e, de acordo com as projeções, a frequência será de 4% até 2030.

Em 28 de maio de 2019

Fonte: guiame